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Pai Nosso explicado frase por frase e como orar

Como orar? Entendendo o Pai Nosso

Diego Gonçalves9 min de leitura1.774 palavras

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Neste estudo

Quando alguém se torna cristão, uma das primeiras dúvidas que surgem é: como eu oro? Existe um jeito certo de falar com Deus? Preciso seguir alguma regra? Posso falar sobre qualquer assunto?

É uma pergunta legítima, e os próprios discípulos de Jesus também a fizeram. Eles viram Jesus orando muitas vezes e perceberam que era algo importante, constante, íntimo. Um dia, um deles disse: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11:1). A resposta de Jesus é o que conhecemos hoje como o Pai Nosso, uma oração curta, simples, mas profunda. Vamos entender o que ele nos ensinou sobre a oração, passo a passo, seguindo a própria estrutura do Pai Nosso em Mt 6:9-13.

Como orar

Oração é a forma como nos comunicamos com Deus. Mas não é só falar: é também escutar. É conversa, e não discurso. Oração não é fórmula para tentar convencer Deus a fazer o que queremos. É o lugar onde reconhecemos quem ele é, o que já fez e o quanto precisamos dele em tudo.

Jesus ensina que oração não precisa de palavras complicadas nem de discursos longos. Ele até alerta contra isso: “E orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos” (Mt 6:7). Em seguida, apresenta um modelo: “Portanto, orai assim…” (Mt 6:9). Ou seja, ele não manda repetir mecanicamente essas palavras, mas orar desse jeito, com essa estrutura e essas prioridades.

“Pai nosso, que estás nos céus”

A oração começa com “Pai nosso, que estás nos céus” (Mt 6:9). Essa primeira frase já diz muito. Primeiro, mostra que a oração é uma conversa com um Pai, e não com um estranho nem com uma força impessoal. A palavra que Jesus provavelmente usou, em aramaico, foi “Abba”, o termo de intimidade com que o filho chamava o pai.

Mas esse Pai está nos céus: é o Criador, o Senhor de tudo, o Deus soberano. A combinação importa, porque Deus é acessível e também é santo. Ele é próximo, mas não é nosso igual. A oração começa com essa mistura de familiaridade e reverência. Ele nos convida a chegar perto, com respeito.

Deus em primeiro lugar

Depois de reconhecer com quem estamos falando, Jesus nos ensina a colocar Deus em primeiro lugar na oração. Antes de pedir qualquer coisa, somos chamados a lembrar quem Deus é, o que ele quer e o que ele merece. A oração não começa com “me dá”, mas com “seja feita a tua vontade”. O início do Pai Nosso tem três pedidos, e todos são voltados para Deus, e não para nós.

“Santificado seja o teu nome”

“Santificado” é uma palavra antiga e significa “que seja reconhecido como santo”. Não pedimos que Deus se torne santo, porque ele já é. Pedimos que as pessoas reconheçam isso. Na Bíblia, o nome de alguém representa quem essa pessoa é. Então, quando oramos para que o nome de Deus seja santificado, estamos dizendo: “Deus, que o Senhor seja conhecido como realmente é: santo, justo, bom, puro”.

Estamos pedindo que a glória de Deus seja visível e que o mundo perceba que ele é único. Pedimos também que as nossas palavras, ações e relacionamentos, tudo em nós, apontem para a santidade dele.

“Venha o teu Reino”

O Reino de Deus não é um país nem um governo humano. Jesus mesmo disse a Pilatos: “O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18:36). O Reino de Deus é o domínio de Deus nos corações das pessoas.

Quando oramos por isso, estamos pedindo: “Deus, reina primeiro em mim. Que eu me submeta ao teu governo e à tua vontade. E depois reina através de mim, para que outras pessoas conheçam o teu Reino por meio da minha vida”. Pedimos também que o Reino avance no mundo, que mais gente conheça a verdade e que a justiça e a misericórdia se espalhem. E antecipamos o dia em que Jesus vai voltar e o Reino se manifestará por inteiro: “Todo joelho se dobrará, e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2:10-11).

“Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”

No céu, a vontade de Deus é feita de forma perfeita, imediata, sem resistência. Estamos orando para que isso aconteça também aqui e, antes de tudo, em nós.

Foi como Jesus orou no Getsêmani: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice… contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lc 22:42). Orar assim exige humildade. Exige reconhecer que Deus sabe mais do que nós e que confiar nele, mesmo quando a gente não entende, é melhor do que insistir no próprio caminho. Paulo escreveu: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Ser cristão é viver com essa mentalidade: a vida deixa de girar em torno de mim e passa a girar em torno de Deus.

Dependência total de Deus

Depois de focar em Deus, Jesus nos ensina a apresentar as nossas necessidades. Mesmo assim, a oração continua centrada em Deus, porque tudo o que pedimos reconhece que dependemos totalmente dele.

“Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia”

É um pedido de provisão. Deus se importa com o básico. Ele não é um Deus distante que só quer falar de coisas “espirituais”; ele se importa com a sua comida, a sua casa, a sua saúde, as suas contas.

Repare que o pedido é por “hoje”. Deus nos ensina a depender dele todos os dias, como o povo no deserto, que recebia o maná de manhã, um dia de cada vez. Ninguém pede o pão do mês inteiro para não ter que voltar amanhã. Jesus fala disso no mesmo capítulo: “Não andem ansiosos pelo que vão comer, beber ou vestir… o Pai celestial sabe do que vocês precisam. Busquem primeiro o Reino de Deus, e todas essas coisas serão acrescentadas” (Mt 6:25-34).

“Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores”

Aqui o foco é o perdão. “Dívida” significa pecado. Toda vez que pecamos, é como se criássemos uma dívida com Deus, uma dívida que só ele pode perdoar.

Há um detalhe importante: Jesus liga o perdão de Deus ao perdão que oferecemos aos outros, e reforça isso logo depois: “Se perdoarem aos outros, o Pai também perdoará vocês. Mas se não perdoarem, o Pai também não os perdoará” (Mt 6:14-15). Isso é forte. Não quer dizer que a salvação dependa da nossa capacidade de perdoar, mas que a comunhão diária com Deus é afetada pela nossa disposição de perdoar.

Efésios resume bem: “Sejam bondosos e compassivos, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo” (Ef 4:32). Se Deus me perdoou quando eu não merecia, como posso recusar perdão a outro? Jesus contou uma parábola sobre isso: um servo perdoado de uma dívida enorme que não quis perdoar uma dívida pequena de outro servo e foi julgado com severidade. Ele termina dizendo: “Assim também fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração ao seu irmão” (Mt 18:35). Perdoar não é fácil, mas é necessário, e é sinal de que entendemos o perdão que recebemos.

“Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”

Por fim, Jesus nos ensina a pedir proteção espiritual. A carta de Tiago diz que Deus não tenta ninguém (Tg 1:13). Então Jesus ensina que devemos pedir que Deus nos proteja da tentação, nos afaste do mal e nos livre do que pode nos afastar dele.

“Livra-nos do mal” também pode ser traduzido como “livra-nos do maligno”, ou seja, de Satanás. Paulo escreveu que “nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra as forças espirituais do mal” (Ef 6:12). É uma batalha real, e não dá para enfrentá-la sozinho. Por isso oramos: “Deus, guarda o meu coração, protege a minha mente, livra-me do que é maior do que eu posso suportar”. E confiamos que ele é fiel para nos dar o escape (1Co 10:13).

Como usar o Pai Nosso na prática

Fale com Deus e escute. Orar é falar com Deus, e não apenas para Deus. É um diálogo, o que significa que também precisamos ouvir. Uma boa prática é começar lendo a Bíblia e prestar atenção ao que o Espírito Santo mostra: um versículo que confronta, que consola, que chama a atenção. Pare, ore sobre ele, reflita e pergunte: “Senhor, o que o Senhor quer me mostrar com esse texto?”. Isso ajuda muito quando a mente começa a se distrair, porque ligar a leitura da Bíblia à oração dá sentido à conversa com Deus.

Memorize a oração. Memorize o Pai Nosso, não para repetir no automático, mas para guardar a estrutura. Nos momentos em que você estiver sem palavras, cansado ou em crise, repita-o com atenção, frase por frase, pensando no que cada parte significa.

Ore seguindo a estrutura. Quando você entende a estrutura básica da Oração do Senhor e o sentido dos seus pedidos, pode parafraseá-la e colocar as situações específicas da sua vida:

  • “Pai nosso que estás nos céus”: diga a Deus que você o ama como Pai perfeito, lembrando que está diante do trono dele.
  • “Santificado seja o teu nome”: diga que deseja que as suas ações e palavras, hoje, reflitam a santidade dele.
  • “Venha o teu Reino”: peça que Deus mostre de que formas a vontade perfeita dele pode alcançar a sua vida e a das pessoas ao seu redor.
  • “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”: pergunte a ele que área da sua vida ainda segue a sua própria vontade, e não a dele.
  • “Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia”: apresente as suas necessidades, como alimento, roupa e abrigo, agradecendo com fé por saber que ele proverá.
  • “Perdoa as nossas dívidas”: confesse que perdoar é difícil, peça clareza para saber a quem você ainda não perdoou e, depois, força para perdoar como também foi perdoado.
  • “Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”: agradeça a Deus por ser um Deus bom, que não tenta ninguém, mas oferece proteção contra um inimigo que não vencemos sozinhos.

Orar assim transforma a rotina em relacionamento: a oração deixa de ser repetição e vira comunhão.

Pai nosso que estás nos céus. Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. E perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.

(Mt 6:9-13)

E você, tem orado como Jesus ensinou? Qual pedido do Pai Nosso mais chamou a sua atenção?