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SermõesSermões em Mateus23 de 26

Mateus 21a parábola dos dois filhos e o sim a Deus

Sim, não, talvez sim

Diego Gonçalves5 min de leitura1.005 palavras

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Neste texto

Toda mãe conhece os dois jeitos de responder a um pedido. Manda o filho lavar a louça e um deles diz “já vou, mãe”, e fica no sofá até a noite. O outro bufa, diz “ah, não!” e, dez minutos depois, a pia está limpa. Qual dos dois obedeceu? A gente sabe a resposta de cabeça. Foi essa mesma pergunta que Jesus fez aos sacerdotes e aos líderes do povo (Mt 21:23).

O que acham? Havia um homem que tinha dois filhos. Chegando ao primeiro, disse: “Filho, vá trabalhar hoje na vinha”. Ele respondeu: “Não quero!”, mas depois mudou de ideia e foi. O pai chegou ao outro filho e disse a mesma coisa. Ele respondeu: “Sim, senhor!”, mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? “O primeiro”, responderam. Jesus lhes disse: “Em verdade lhes digo que os publicanos e as prostitutas estão entrando antes de vocês no reino de Deus. Porque João veio para mostrar o caminho da justiça, e vocês não creram nele, mas os publicanos e as prostitutas creram. Mesmo depois de verem isso, vocês não se arrependeram para crer nele.”

(Mt 21:28-32, NVI)

Dois filhos, dois sins

Todo dia a gente diz sim e não a dezenas de coisas: ao bolo de chocolate, ao brócolis, ao convite pra ficar até mais tarde no trabalho, à ligação que dá preguiça de fazer. Sim e não estão entre as primeiras palavras que uma criança aprende. Só que, na hora de responder a Deus, a gente descobre que a palavra sozinha vale pouco.

O primeiro filho disse não com a boca e sim com os pés. O segundo disse sim com a boca e não com a vida. Jesus está falando com gente que sabia todas as respostas certas, que cantava, orava e conhecia a Lei de cor, mas que não se mexeu quando João Batista chamou ao arrependimento. Enquanto isso, publicanos e prostitutas, que tinham passado anos dizendo não, se arrependeram e entraram na vinha. Deus ouve a boca, mas olha o que a gente faz depois.

Deus disse sim primeiro

Antes de qualquer sim nosso, existe um sim de Deus. Quando o Filho se fez gente, Deus estava dizendo sim à humanidade. Ele veio, respirou, teve sede, suou, cansou, sentiu solidão, medo e tristeza, tudo o que a gente conhece de vida humana. O Criador conhece a criação, e quis conhecer por dentro o que o pecado fez com ela.

Paulo cita, na carta aos filipenses, um hino que a igreja já cantava nos primeiros anos depois da ressurreição. O hino diz que Cristo se humilhou e foi obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2:6-8). Aí o sim de Deus encontra o sim de Jesus ao Pai. No jardim, na véspera da cruz, ele orou pedindo que passasse o cálice, e terminou com um “não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26:39).

Por causa disso, a gente consegue dizer sim. Nenhum de nós conseguiria por conta própria, mas a graça foi na frente, abriu caminho e nos alcançou. É por isso que Paulo pode mandar os filipenses continuarem a operar a própria salvação com temor e tremor, e logo em seguida lembrar que é Deus quem produz neles tanto o querer quanto o realizar (Fp 2:12-13). A gente trabalha porque Deus já está trabalhando.

A gente tem um pouco dos dois filhos

Seria bom se cada um de nós fosse só o filho obediente, mas sabe como é. Tem dias em que a gente diz sim a Deus no culto, no louvor, na oração, e na segunda-feira nem lembra do que prometeu. Tem dias em que a gente resiste, reclama, diz “agora não, Senhor”, e o Espírito vai mexendo por dentro até a gente fazer o que ele pediu.

Tem também quem faça todas as coisas certas de igreja: chega cedo, canta, estuda a Bíblia, participa de comissão, ajuda os missionários, serve os necessitados. São obras boas, e muitas vezes são sinal do Espírito trabalhando. Mesmo assim, de vez em quando falta dizer o sim claro, de coração, entregando a vida a Cristo.

Quem acha que já diz sim a Deus toda vez que ele chama provavelmente não está ouvindo direito. Quem acha que já faz tudo que ele pediu provavelmente não está prestando atenção.

O sim se aprende junto

Imagina se os dois irmãos da parábola tivessem se ajudado. O que disse sim com a boca podia ter ajudado o outro a ver a sabedoria do pedido do pai. O que disse sim com os pés podia ter animado o irmão a cumprir a palavra dada. A parábola seria bem diferente. E quem já trabalhou numa vinha sabe que o serviço é pesado. Mesmo quando a gente tem alegria nele, continua sendo difícil.

John Wesley entendeu isso. Ele não queria fundar igrejas novas. Pedia que as pessoas continuassem a adorar nas suas congregações e reuniu os convertidos em pequenos grupos, as sociedades, que se encontravam toda semana para orar, estudar a Bíblia, arrecadar ajuda para os pobres e doentes e, principalmente, prestar contas uns aos outros.

Imagina uma reunião dessas. Um conta que sentiu o chamado de falar de Jesus aos colegas de trabalho e pede ajuda pra não amarelar. Outro diz que Deus o move a cuidar de doentes. Uma mãe confessa que a tarefa de criar os filhos no caminho de Deus parece grande demais. Todos oram, todos animam, todos cobram com amor. Na semana seguinte, cada um volta pra contar como foi o sim que disse.

Isso continua sendo tarefa da igreja hoje: ajudar um ao outro a ouvir melhor o que Deus pede e segurar uns aos outros num padrão mais alto do que cada um alcançaria sozinho. No fundo, quem anima e quem muda é o Espírito, que arde dentro de nós e entre nós.

Deus está chamando agora, convidando a gente pra vinha. Tomara que a gente diga sim com as palavras, diga sim com as obras e, sobretudo, diga sim lembrando que Deus já disse sim a nós. Amém.