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SermõesSermões em Mateus5 de 26

Jesus anda sobre as águas em Mateus 14: fé na tempestade

Diego Gonçalves5 min de leitura1.022 palavras

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Neste texto

Toda criança já teve medo de trovão. A casa treme, a luz pisca, e ela corre pra cama dos pais. O trovão continua do mesmo tamanho. A chuva não parou. Mas, de repente, ela dorme. O que mudou foi quem estava perto.

É um pouco disso que acontece em Mt 14:22-33, quando Jesus encontra os discípulos no meio de uma tempestade. O texto mostra Jesus como o Deus Forte de Is 9:6, o Todo-Poderoso a quem Deus se revelou a Abraão como El Shaddai (Gn 17:1). Ninguém precisa se esgotar tentando segurar a vida sozinho, porque a força dos homens acaba e a dele não acaba.

Obediência e tempestade na mesma noite

Repare numa coisa que a gente costuma passar batido. Foi Jesus quem mandou os discípulos entrarem no barco e irem adiante pro outro lado (Mt 14:22). Eles estavam exatamente onde ele tinha mandado. E foi aí que a tempestade chegou.

Muita gente acha que tempestade é sinal de que a pessoa errou o caminho. Aqui, não. Os discípulos estavam obedecendo. Enquanto isso, Jesus estava no monte, orando (Mt 14:23). Essa é uma pista sobre a fonte de força dele. Em vários momentos, antes de grandes sinais, os Evangelhos mostram Jesus orando. A força que a gente vê nos milagres nasce na intimidade com o Pai.

Os discípulos não sabiam que ele estava orando por eles. Do barco, eles só viam escuridão, ondas e vento contrário. O barco estava longe da terra, açoitado pelas ondas (Mt 14:24). E é assim que a gente também se sente quando as coisas apertam: sozinho no barco.

Um lago que sabe ser perigoso

Quem conhece a região entende por que as tempestades eram tão temidas. O mar da Galileia fica a mais de 200 metros abaixo do nível do mar. Ao norte está o monte Hermom, com cerca de 2.800 metros e topo coberto de neve, de onde desce até o orvalho do degelo (Sl 133:3). Já o vale do Jordão, que liga o mar Morto ao lago, é uma região muito quente. O ar quente de um lado encontra o ar frio do outro, e o resultado são tempestades repentinas e violentas.

Tempestade, ali, era comum. Alguém andar sobre as águas e acalmá-las, não. Jesus já tinha acalmado uma tempestade antes (Mt 8:23-27) e volta a fazer isso aqui, o que mostra uma coisa simples: ele traz paz quantas vezes for preciso. Quem manda no vento é o mesmo Criador por meio de quem tudo foi feito (Jo 1:1-3).

O fantasma e o “sou eu”

Na quarta vigília da noite, entre três e seis da manhã, Jesus vem andando sobre o mar. Os discípulos o veem e gritam de pavor: acham que é um fantasma (Mt 14:25-26). O medo tem esse efeito. Ele embaralha o pensamento, e a gente deixa de entender o que está vendo e até o que está sentindo.

Jesus responde logo: “Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!” (Mt 14:27, ARA). Jesus não deu explicação longa nem bronca, deu a presença dele. Enquanto as pessoas perdem o equilíbrio no meio das ondas, ele caminha por cima delas, como quem diz que nenhuma incerteza tumultuada é maior que ele. Quem está com ele está seguro. Por isso a gente pode pedir ao Senhor que firme os nossos passos e não nos deixe cair de vez, mesmo quando tropeçarmos (Sl 37:23-24).

Pedro, o vento e a mão

Pedro faz o pedido mais ousado da noite: “Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas” (Mt 14:28, ARA). Tem coragem nessa frase, e tem também uma pontinha de dúvida no “se és tu”. Jesus diz “vem”, e Pedro desce do barco e anda. Aí vem o momento em que ele repara no vento forte, o mesmo vento contrário que já soprava desde o começo, e tem medo, e começa a afundar (Mt 14:30).

Pedro grita: “Senhor, salva-me!” E Jesus, no mesmo instante, estende a mão e o segura. “Homem de pequena fé, por que duvidaste?” (Mt 14:31, ARA).

Repare que Jesus já tinha dito antes que iam chegar ao outro lado (Mt 14:22) e que era ele mesmo quem se aproximava (Mt 14:27). Mesmo assim os discípulos duvidaram. A gente também. O ser humano pensa, e muitas vezes se agarra mais às dúvidas do que às certezas que já tem. Jesus deixou muitas promessas na sua Palavra. Crer nelas é confiar que ele é maior que as nossas incertezas. Existem coisas grandes demais e distantes demais pra enxergarmos com clareza, e há mistérios que Deus só vai revelar na glória (Dt 29:29). Fé, afinal, é a certeza das coisas que se esperam e a convicção dos fatos que não se veem (Hb 11:1).

Os segundos em que Pedro afundou devem ter sido de puro pavor, e talvez ele tenha pensado que ia morrer. Na Bíblia, as águas profundas costumam falar de perigo mortal, e quando Jesus estendeu a mão e o levantou foi como se Pedro voltasse a viver. Jesus havia prometido levá-los pro outro lado, tirou Pedro da água e entrou no barco. Isso mostra o poder de quem é o Autor da vida (At 3:15) e de quem tem poder sobre a morte.

Quando Jesus entra no barco

Assim que Jesus e Pedro subiram, o vento cessou (Mt 14:32). O barco é uma boa imagem da nossa vida. Quando Jesus entra, entram junto a paz, a segurança e a vida eterna. A tempestade não precisa acabar antes. Ela acaba quando ele entra.

E os discípulos, que minutos antes gritavam de medo, agora se prostram e dizem: “Verdadeiramente és Filho de Deus!” (Mt 14:33, ARA). Era a única reação possível. Aquele homem era mais forte que o temporal, mais forte que o medo, mais forte que a dúvida e mais forte que a morte.

Não existe força maior que a de Jesus. O poder dele não se esgota. Talvez você esteja no barco agora, longe da margem, com o vento contra, sem saber se ele está orando por você. Ele intercede por nós (Hb 7:25). Tomara que a gente aprenda a ouvir o “sou eu” no meio do barulho, estenda a mão quando começar a afundar e, quando o vento parar, saiba fazer o que os discípulos fizeram: adorar.