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SermõesSermões em Mateus2 de 26

Parábola das dez virgens: como esperar a volta de Jesus

Diego Gonçalves6 min de leitura1.152 palavras

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Neste texto

Todo mundo já saiu de casa com o celular em cinco por cento de bateria, achando que ia dar. Era só uma saída rápida, uma ida ao mercado, uma voltinha. Aí o ônibus atrasa, a fila não anda, a reunião estica, e a tela apaga bem na hora em que a gente mais precisa dela. O problema nunca foi a saída. Foi ter se preparado só pro que a gente imaginou.

É mais ou menos isso que Jesus conta em Mt 25:1-13. Depois de falar dos sinais da sua volta, ele não deixa a conversa parar em calendário. Ele faz uma pergunta mais prática: se eu demorar mais do que você espera, você vai estar pronto pra esperar?

Dez que parecem iguais

Jesus diz que o reino dos céus é como dez virgens que pegaram suas lâmpadas e saíram pra encontrar o noivo. No costume da época, as amigas da noiva esperavam o noivo chegar, e então a procissão seguia até a festa de casamento. O noivo, na parábola, é Jesus, e a chegada dele é a sua volta.

Repare numa coisa. Olhando de fora, as dez eram idênticas. Todas tinham lâmpada, todas saíram juntas, todas ficaram esperando e todas cochilaram. A diferença que o texto aponta é uma só: cinco eram tolas e levaram as lâmpadas sem óleo extra, e cinco eram sábias e levaram óleo em vasilhas, junto com as lâmpadas (Mt 25:2-4).

As tolas não eram preguiçosas nem descrentes. Elas só presumiram que o noivo chegaria cedo. Não fizeram nenhum preparo pra uma espera mais longa. As sábias não sabiam a hora, e por isso se prepararam pro atraso. Não queriam perder uma festa tão alegre.

A espera cansa

O Novo Testamento fala da volta de Cristo como esperança, mas em Mt 24, Jesus usou imagens pesadas pra falar do seu retorno: relâmpago, abutres, dilúvio, ladrão invadindo a casa de madrugada. Aqui, no capítulo 25, a imagem muda e fica leve: uma festa de casamento. A volta de Cristo é terrível pra quem o rejeita, mas é o evento mais alegre da história pra quem o ama. É por isso que Paulo a chama de “bendita esperança”, a gloriosa manifestação do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo (Tt 2:13).

Só que esperar é difícil, mesmo com a alegria chegando. Jesus diz que o noivo demorou, e todas, as sábias também, ficaram com sono e dormiram (Mt 25:5). Repare que ele não diz que o noivo estava atrasado. Ele demorou mais do que as virgens esperavam, que é outra coisa. Jesus vai chegar na hora que Deus decidiu, nem antes nem depois, como já chegou na hora certa na primeira vinda. Mesmo assim, o relógio da gente costuma andar mais rápido que o dele.

Aliás, dormir não é o problema da parábola. Todo mundo dorme, e ninguém é condenado por isso. O que pesa é estar com o preparo em dia quando o grito vier.

Essa demora é a que a história conhece bem. Cada geração de cristãos viu guerras, fomes, terremotos e perseguições, e achou que podia ser a última. Jesus comparou esses sinais às dores de parto, que se repetem e aumentam de frequência e intensidade quanto mais perto o fim chega (Mt 24:8). O problema é que a gente nunca sabe em que ponto está. Pode ser bem no final, pode ser no meio. Por isso o desafio não é só estar pronto pra volta de Jesus. É estar pronto pra esperar.

À meia-noite, o grito

À meia-noite, ouve-se um grito: “Eis o noivo! Saí ao seu encontro!” (Mt 25:6, ARA). As dez acordam, ajeitam as lâmpadas, e aí aparece a diferença. As lâmpadas das tolas estão se apagando. Elas pedem óleo às sábias, e as sábias respondem que não vai dar pra todas. Mandam as tolas procurar quem vende (Mt 25:8-9).

Dá vontade de achar a resposta dura, mas o ponto da parábola é outro. Há coisas que ninguém pode viver por você. A relação com Deus, a fé que persevera, a vida que o Espírito sustenta, nada disso se empresta na última hora. Cada um precisa estar pronto por si quando Cristo chegar. A fé da mãe, do pastor ou do cônjuge não acende a lâmpada de ninguém.

E enquanto as tolas saem correndo, o noivo chega. As que estavam prontas entram com ele pra festa. Aí vem a frase que dá calafrio: fechou-se a porta (Mt 25:10).

Porta fechada, tarde demais

Mais tarde as outras virgens chegam e gritam: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta!” (Mt 25:11, ARA). A resposta é de uma tristeza enorme: “Em verdade vos digo que não vos conheço” (Mt 25:12, ARA). É a parte mais dolorosa da parábola. Elas reconhecem a tolice, estão cheias de arrependimento, pedem uma segunda chance. Só que a porta já está fechada.

Isso lembra outra cena, no Sermão do Monte, em que muitos dirão a Jesus: “Senhor, Senhor, porventura não temos nós profetizado em teu nome?”, e ouvirão: “Nunca vos conheci” (Mt 7:22-23, ARA). A gente fala muito sobre conhecer Jesus. Perguntamos às pessoas: “Você conhece Jesus como Senhor e Salvador?” E está certo. Mas a Bíblia fala também do contrário: no último dia, a pergunta decisiva talvez seja se Jesus conhece você como alguém que depositou nele a sua fé.

Por isso a conclusão da parábola vem curta: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25:13, ARA). As sábias não eram videntes. Sabiam que não sabiam, então se prepararam pra uma espera mais longa por precaução.

Duas aplicações pra hoje

A primeira é: Cristo pode voltar hoje, então esteja pronto agora. O painel do carro está com a luz de aviso piscando há semanas, e a gente empurra com a barriga. Acerte hoje o que precisa ser acertado com Deus, resolva o que ficou pendente, viva cada dia como se fosse o dia da volta dele.

A segunda é: Cristo pode demorar, então esteja pronto pra esperar. Sim, os sinais indicam que a volta está próxima, mas a Bíblia lembra que Deus conta o tempo de um jeito diferente do nosso. Para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia (2Pe 3:8). Tem gente que consegue seguir Jesus por alguns meses, até por um ano. Mas Jesus disse que será salvo quem perseverar até o fim (Mt 24:13). A gente precisa estar disposto a seguir Jesus a vida inteira, se for esse o caso.

Viver nessas duas tensões não é fácil. É fácil desanimar vendo os sinais e se perguntando por que está demorando tanto. É preciso viver como quem pode ver Jesus hoje e, ao mesmo tempo, como quem pode ter que esperar por muito tempo.

Tomara que a gente seja daquele grupo que não se contentou com o óleo do dia. Que o Espírito encha as nossas lâmpadas pra uma vida inteira, e que, quando o grito vier, a gente esteja acordado ou dormindo, mas pronto pra sair e encontrar o noivo.