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SermõesSermões em Mateus27 de 28

Mt 26. 67–68A terrível ironia dos juízes que serão julgados

Diego Gonçalvesatualizado 19 min de leitura3.748 palavras

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Neste texto

4º sermão da série “Via Dolorosa: A história da Páscoa cristã” — baseado em Mateus 26. 67–68; para a Igreja Daehan | MEP // 27.03.22.

67 Então lhe cuspiram no rosto, e lhe deram socos. 68 Outros lhe deram bofetadas, e diziam: Profetiza-nos, ó Cristo, quem é o que te feriu?

(Mateus 26:67-68, Bíblia Livre)

INTRODUÇÃO:

Você já foi tratado injustamente ou acusado de algo que não fez? Lembre-se. Não há nada mais ofensivo para nós do que sermos maltratados ou acusados injustamente.

Todos nós queremos ser tratados de forma justa, e quando alguém nos acusa por um erro que não cometemos ficamos muito frustrados, nos fechamos e nos armamos de respostas ríspidas. Algo como:

“Como você pode me tratar dessa maneira? Como você se atreve a me acusar disso? Como você ousa a pensar que eu faria isso?”.

Se você já passou por esse tipo de situação, você vai concordar comigo que isso é muito desagradável, afinal ninguém gosta de ser injustiçado.

Cristo de mãos atadas diante do sumo sacerdote, que aponta o dedo para ele, num salão escuro iluminado por uma vela
Gerard van Honthorst, Cristo diante do sumo sacerdote, c. 1617. National Gallery, Londres. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Se por causa dessas coisas você tem carregado mágoas, ou até está enfrentando essa situação nestes dias, peço que você olhe para Jesus nesta manhã.

É sobre isso que fala o nosso texto de hoje. A passagem diante de nós descreve em detalhes o julgamento de Jesus Cristo perante a Suprema Corte Judaica, conhecida como Sinédrio.

Mas este não foi o único julgamento de Jesus. Na verdade, este foi o primeiro passo, no que diz respeito aos judeus, para se livrar de Jesus de Nazaré. O segundo julgamento e a efetiva condenação ocorreu diante de Pôncio Pilatos, o governador romano em exercício.

Hoje vamos nos concentrar apenas no primeiro julgamento, que por sinal é, de longe, o pior caso de injustiça já ocorrido em um tribunal em toda a história humana. Jesus, o perfeito Filho de Deus, foi sentenciado à pena de morte por Caifás, o sumo sacerdote, e pelo Sinédrio.

O TEXTO

Para que possamos entender melhor o texto que lemos, vamos analisar os versículos 57 a 68, dividindo-os em três seções: Primeiro vamos analisar como se deu o falso julgamento. Em seguida, vamos olhar como Jesus reage perante o tribunal. Por fim, veremos como o verdadeiro Juiz e Rei julgará com justiça.

Em primeiro lugar, vejamos como o Juiz do universo se permitiu ser julgado por Sua própria criação, e o que Seu julgamento perante os líderes judeus tem a nos dizer hoje.

1. UM JULGAMENTO INADEQUADO (v. 57–61)

Comecemos por ver como se deu este falso julgamento.

A. UM PROCESSO ILEGAL (v. 57–58)

Nos versículos 57–58, vemos que o julgamento de Jesus perante Caifás foi organizado às pressas e cheio de processos ilegais.

Você se lembra que os líderes religiosos inicialmente planejavam prender Jesus apenas depois que a festa da Páscoa acabasse? Este plano foi mudado de repente, logo que Jesus anunciou sua traição na Última Ceia.

Judas saiu em disparado para avisar Caifás. Caifás convocou uma sessão noturna do Sinédrio em sua casa, e os guardas do templo saíram para prender Jesus no jardim. Vamos ler os versículos 57–58:

Os que prenderam Jesus o trouxeram à casa de Caifás, o sumo sacerdote, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos. 58 E Pedro o seguia de longe, até o pátio do sumo sacerdote; e entrou, e se assentou com os servos, para ver o fim.

(Mateus 26:57-58, Bíblia Livre)

O lugar de Sua acusação. Segundo o relato de João 18:13, depois que Jesus é preso, Ele é levado para a casa de Anás, sogro do sumo sacerdote. Então, Ele foi levado para a casa do sumo sacerdote, Caifás. De acordo com a história, as casas desses dois homens estavam conectadas por um pátio. Embora Caifás possa ter sido o sumo sacerdote, Anás era o verdadeiro “chefe” em Jerusalém.

Ele superou os negócios do Templo e foi a pessoa que supervisionou as mesas para os cambistas. Ele era um homem que odiava Jesus por razões óbvias, João 2:15–17. Eles providenciaram que o julgamento de Jesus fosse realizado em um ambiente privado para esconder o que estavam fazendo do povo.

Os participantes de Sua acusação. Somos informados de que os “escribas e anciãos” já estavam reunidos. Este processo havia sido planejado com antecedência e todas as pessoas necessárias já estavam presentes quando Jesus chegou.

O termo “escribas e anciãos” refere-se ao Sinédrio. Era composto por 71 homens, presididos pelo Sumo Sacerdote. Este seria o equivalente judaico da Suprema Corte. Jesus é preso e imediatamente acusado perante a mais alta corte da terra.

Estes eram homens que deveriam ter feito tudo o que estava ao seu alcance para serem homens de Deus, mas em vez disso, eles estavam fazendo tudo o que estava ao seu alcance para manter os homens longe de Deus! (Isa. 53:3; João 1:11)

Há tanta coisa errada acontecendo aqui que é difícil saber por onde começar. Várias das normas abaixo estão registradas na Mishná (tratado Sinédrio), compilada por volta do ano 200 d.C. Os historiadores divergem sobre quanto delas já estava em vigor no tempo de Jesus. Ainda assim, o relato dos evangelhos mostra um processo apressado, noturno e sem defesa, que contraria a justiça que a própria Lei pedia (Dt 16:18-20; 17:6).

  • O Sinédrio foi projetado para salvar e proteger a vida e não tirá-la. No entanto, esses homens se reuniram com o único propósito de matar Jesus.
  • Este julgamento foi realizado à noite. A Lei orientava que qualquer julgamento deveria ser realizado durante o dia.
  • O acusado sempre era autorizado a chamar testemunhas em sua defesa. Jesus não teve o privilégio de chamar uma única testemunha.
  • O Sinédrio deveria apenas julgar o caso, não processá-lo. No julgamento de Jesus, eles assumiram ambos os papéis.
  • Se alguma testemunha trouxesse falso testemunho perante o tribunal, ela deveria receber a mesma punição que estava sendo solicitada para o acusado.
  • Se a pena de morte estivesse sendo solicitada, o Sinédrio era obrigado a observar um período de espera de três dias de oração e jejum antes que o julgamento fosse proferido. Jesus foi julgado, condenado e morto antes que 24 horas se passassem!
  • O Sinédrio não poderia condenar ninguém à morte por unanimidade. Um voto unânime para condenação sugeriu que o elemento de misericórdia estava faltando. No entanto, Jesus foi condenado por todos!
  • Os julgamentos deveriam ser realizados apenas dentro do Templo.
  • Era ilegal subornar testemunhas para dar falso testemunho.
  • Era contra a lei forçar um prisioneiro a testemunhar contra si mesmo.
  • Era contra a lei usar a confissão de um prisioneiro.

Em resumo, o Sinédrio estava se encontrando no lugar errado, na hora errada, buscando as acusações erradas contra a pessoa errada. Por isso, o julgamento de Jesus estava cheio de processos ilegais.

Há ainda outro ponto no versículo 58: Pedro seguia Jesus de longe. Ele entrou no pátio do Sinédrio pisando nas pontas dos pés e sentou-se ao lado dos guardas. Repare nestas palavras: “Pedro o seguia de longe”.

Dizemos de alguém que “não está num dia bom”. A sequência de Pedro no capítulo 26 é devastadora. Primeiro ele se orgulha diante de Jesus quando caminhavam no jardim. Em seguida, vai ao Getsêmani e não consegue orar e vigiar em oração.

Então, depois, ele começa a seguir Jesus de longe. Senta-se ao lado dos inimigos de Jesus e, a partir daqui, fica a apenas um passo de distância para negar Jesus por três vezes.

Isso nos ensina que nunca negamos Jesus de uma só vez. Negamos Jesus em forma de escadinha. Um pecado de orgulho não confessado. Outro pecado de não orar. Mais um pecadinho aqui. Outro errinho ali. Outra falha lá… Assim, pecado após pecado, vamos nos afastando mais de Deus.

APLICAÇÃO: Como está sua caminhada com o Senhor hoje? Você está seguindo Jesus de perto ou está seguindo-o à distância?

Como já demonstramos, este não foi um julgamento justo: Jesus já tinha sido condenado antes de entrar na sala.

Isso não era um tribunal, era uma multidão de linchamento! Esses homens estavam em busca de sangue e conseguiram!

B. FALSAS TESTEMUNHAS

À medida que o julgamento progredia, os judeus procuraram que as pessoas testemunhassem contra Jesus. Eles encontraram pessoas dispostas a dar falso testemunho, mas, evidentemente, conforme lemos nos relatos paralelos, os testemunhos não eram coerentes, o que era exigido pela Lei para uma condenação, conforme indica Deuteronômio 17:6.

ILUSTRAÇÃO: É como a velha piada sobre os quatro estudantes universitários que chegaram atrasados para fazerem uma prova. Eles combinaram de dizer ao professor que o motivo tinha sido um pneu do carro que furou no caminho. O professor disse: “Tudo bem, sem problemas” e os colocou em mesas separadas ao redor da sala e aplicou-lhes um teste especial com apenas uma pergunta. A saber: “Qual pneu estava furado?”

Viu como é difícil conseguir um falso testemunho que seja coerente? É sempre muito mais fácil dizer a verdade.

C. DEPOIMENTO DISTORCIDO (v. 60–61)

Finalmente, apresentaram duas testemunhas que eram coerentes em seus depoimentos contra Jesus. Porém, o testemunho deles foi baseado em boatos. Eles distorceram as palavras reais de Jesus e o acusaram de falar contra o Templo.

De acordo com a Lei Judaica, isso era blasfêmia e era punível com a morte, conforme Levítico 24:14–16.

Ocorre, porém, que Jesus não estava falando sobre o Templo em Jerusalém, mas sobre Seu próprio corpo que seria pregado em uma cruz e levantado três dias depois, conforme lemos em João 2:19–21.

APLICAÇÃO: Como você se sente quando as pessoas distorcem suas palavras e as usam para acusar você? Jesus sabe muito bem como é sentir isso.

Há aqui algo digno de nota. Jesus poderia ter encontrado alguém que tivesse testemunhado por Ele? Que tal o homem que Ele curou em Betesda? E aquela mulher que Ele salvou quando foi pega em adultério? E quanto ao cego que havia sido curado em Jerusalém? O que acha do testemunho de uma pequena família que morava a apenas 2 km da estrada, na qual havia um homem chamado Lázaro que havia sido ressuscitado dos mortos? E quanto aos milhares que Ele alimentou no deserto? Sim, milhares poderiam ter sido chamados em Sua defesa naquele dia.

Há pessoas que trabalham com você, estudam com você, moram com você, e até dividem o mesmo quarto de república que poderiam muito bem testemunhar sobre o poder e a identidade de Jesus. Jesus faz toda a diferença na sua vida e você sabe quem Ele é!

Se isso faz sentido, deveria brotar no seu coração uma forte necessidade de testemunhar o verdadeiro depoimento sobre Jesus às pessoas ao seu redor!

II. UM RÉU SILENCIOSO (v. 62–63)

A. JESUS FICA EM SILÊNCIO DIANTE DE SEUS ACUSADORES

Você pode estar se perguntando: “Mas, Diego, por que eu deveria testemunhar sobre Jesus, se ele mesmo permaneceu em silêncio perante os anciãos do Sinédrio?”

Essa é uma boa pergunta: por que Jesus ficou em silêncio diante de seus acusadores? Há várias razões. Em primeiro lugar, Jesus estava cumprindo as Escrituras. Isaías 53:7 diz o seguinte sobre Jesus:

“Ele foi oprimido e afligido, porém não abriu sua boca; tal como cordeiro ele foi levado ao matadouro, e como ovelha muda perante seus tosquiadores, assim ele não abriu sua boca.”

(Isaías 53:7, Bíblia Livre)

E em segundo lugar, Jesus escolheu não se defender, porque estava de olho na cruz. Hoje, quando uma pessoa permanece em silêncio no tribunal, geralmente é porque ela não quer se incriminar. Eles defendem a Quinta Emenda dizendo: “Eu me recuso a responder com o argumento de que isso pode me incriminar”.

Mas esse não foi o caso de Jesus. O Filho de Deus sem pecado ficou em silêncio diante de seus acusadores porque morrer na cruz era a sua missão.

B. O TESTEMUNHO DO SALVADOR (v. 62–63)

Quando pressionado pelo Sumo Sacerdote a responder às alegações, Jesus permaneceu em silêncio, como Isaías havia profetizado que faria, em Isaías 53:7.

No entanto, quando o Sumo Sacerdote disse: “Eu exijo que nos diga, tendo o Deus vivo por testemunha”, isso colocou Jesus sob juramento e O obrigou a responder.

Não havia juramento maior no tribunal judaico do que jurar pelo Deus vivo. Este é o auge do confronto entre os dois sumos sacerdotes. Caifás coloca Jesus sob juramento, e agora Jesus deve responder com sinceridade à pergunta que lhe foi feita: “Você é o Cristo, o Filho de Deus?”

E que resposta bonita ele deu!

III. O grande juiz e rei (64–68)

A partir daqui vemos Jesus revelar seu segredo messiânico aos líderes religiosos.

A. Jesus confessa sua verdadeira identidade e glória futura (64)

Em resposta à pergunta de Caifás, Jesus confessa sua verdadeira identidade e sua glória futura. Vamos ler o versículo 64:

“Tu o disseste. Porém eu vos digo que, desde agora, vereis o Filho do homem, sentado à direita do Poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu.”

(Mateus 26:64, Bíblia Livre)

Lembra que ao longo dos evangelhos, Jesus manteve sua identidade em segredo, exceto diante dos mais próximos a ele.

Chegou a dar, uma e outra vez, ordens rigorosas às pessoas para que não dissessem quem ele é. Mas agora o segredo está revelado.

Chegou a hora de Jesus declarar livremente sua identidade. Em Marcos 14:62, o relato paralelo, a resposta é simples: “Eu sou”.

Corajosamente Jesus proclama Sua identidade como o Filho de Deus. Além disso, Ele proclamou Sua Própria ressurreição, sua própria exaltação e o seu retorno em glória para governar e reinar. Nas suas palavras estão juntas duas passagens do Antigo Testamento: o Filho do Homem que vem com as nuvens, de Daniel 7:13, e o Senhor entronizado à direita de Deus, do Salmo 110:1. Os ouvintes, que conheciam bem as Escrituras, entenderam exatamente o que Ele afirmava.

APLICAÇÃO:

Imagine essa cena. Jesus teve um dia longo. Pregou, ensinou, depois ceiou, orou, foi traído, foi preso, caluniado e abandonado. Provavelmente, seu lado humano estava cansado de ficar acordado a noite toda. Violentado emocional e fisicamente, Ele parecia totalmente impotente diante daquele Tribunal. Afinal, Ele mal abria a sua boca.

No entanto, quando Ele decide falar, fala sobre estar em um trono! Fala sobre Sua própria glória. Assume sua identidade como o Filho de Deus e afirma que chegará um dia em que Ele governará o mundo!

Essas alegações devem ter soado ridículas para aqueles que as ouviram, e ainda assim eram 100% verdadeiras!

Não nos enganemos! As alegações de Jesus de ser o único caminho para Deus podem parecer tolas para os ouvidos modernos (João 14:6), mas isso não muda o fato de que Ele é quem diz ser, e Ele é o único caminho pelo qual alguém, nesta sala ou no mundo, verá a Deus.

B. Tragicamente, o tribunal acusa Jesus de blasfêmia (65–66)

Quando o Sumo Sacerdote ouviu as palavras de Jesus, ele teve o que queria! Ele tinha acabado de ouvir a verdade, mas rejeitou a verdade como blasfêmia! Na verdade, ele encenou um espetáculo diante dos presentes. Caifás rasga suas vestes, declara Jesus culpado de blasfêmia e pede um voto!

A tragédia neste julgamento reside no fato de que a criatura tem a audácia de julgar e condenar seu Criador!

NOTA: O gesto de Caifás ao rasgar suas vestes merece atenção. Conforme Levítico 21:10, o sumo sacerdote era proibido de rasgar as suas vestes. Quando um sumo sacerdote rasgava as suas vestes, ele se desqualificava do seu cargo!

Repare no que acontece aqui! O inferior estava renunciando o seu posto na presença do Superior! O pretendente que era apenas um símbolo, uma sombra… se desqualifica do seu ofício diante do VERDADEIRO Sumo Sacerdote!

Jesus estava a caminho da cruz para cumprir e encerrar o antigo sistema sacrificial. Caifás não percebeu o que fazia, mas o gesto anunciava o fim do papel do sacerdote humano como mediador.

Uma vez que Jesus morresse e ressuscitasse, Ele se tornaria para sempre o Sumo Sacerdote perfeito e eterno. Agora, os homens não precisam acessar Deus através de outros homens. Nós podemos ter acesso a DEUS através do nosso Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus, conforme 1 Tm 2:5. Ele e somente Ele intercede por nós diante do Pai (cf. Hb 7:25; Rm 8:34).

Não há outro caminho. Jesus Cristo é o destino final para todo homem e mulher!

NOTA: Caifás pode ter negado Jesus quando o encontrou pela primeira vez, mas está chegando o dia do reencontro. O dia em que ele não poderá mais fugir da ira do Cordeiro!

Naquele dia, Caifás estará diante de Jesus e será obrigado a dar conta de toda a Sua vida perante o Juiz de todos os corações. Caifás, juntamente com todos aqueles que negam Jesus, receberão um julgamento justo e uma sentença justa.

Mas eles não serão os únicos. Apocalipse 20:11–15 diz que um dia todos nós compareceremos diante do trono do Juiz. Você está pronto para esse dia?

C. Jesus é maltratado e abusado (67–68)

A acusação foi feita, o testemunho foi dado e o veredito foi proferido. Jesus foi declarado culpado de blasfêmia. A multidão agora desencadeia sua raiva contra Ele da maneira mais brutal. Cuspiram Nele. Deram socos Nele. Bateram nele. Deram tapas nele.

Eram os religiosos, mas poderiam ser pregadores, teólogos, pastores, cantores e crentes atacando o Filho de Deus! Que cena brutal deve ter sido essa!

Gosto de um texto do João Crisóstomo sobre esse tema. Ele diz:

“POR QUE fizeram essas coisas, se Jesus já tinha sido condenado a morte? Por que desejaram essa zombaria? Porque precisaram fazer disso um festival? Porque atacaram O inocente com prazer? Seu intuito era mostrar sua disposição assassina? (…) Naquela Face que o mar, quando a viu, reverenciou, da qual o sol, quando a contemplou na cruz, desviou seus raios, eles cuspiram, e a golpearam com as palmas de suas mãos, ferindo a sua cabeça; (…) De fato, essas coisas devemos ler continuamente, essas coisas devemos ouvir corretamente, essas coisas devemos escrever em nossa mente; pois estas são as nossas honras. Destas coisas me orgulho, não apenas dos milhares de mortos que Ele ressuscitou, mas também dos sofrimentos que Ele padeceu das quais Paulo nos apresenta de todas as maneiras, a cruz, a morte, os sofrimentos, os insultos, os insultos, as zombarias. (…)”

Imagine o rosto de Jesus começando a inchar enquanto ele é linchado pela multidão atiçada por aqueles que se diziam juízes da lei! Imagine esse rosto inchado e lembre-se, foi tudo para você! Ele fez isso porque te ama! Ele suportou a violência e o ódio deles e foi para a cruz para morrer por nós, para que pudéssemos ser salvos. Que amor!

Conclusão: Quaisquer que sejam as necessidades, Ele já as atendeu. Quaisquer que sejam os fardos, Ele é a resposta. Chegue até Ele hoje, enquanto há tempo!

APLICAÇÃO FINAL:

Deixe-me apresentar três aplicações da mensagem de hoje.

  1. Quando Jesus retornar, ele julgará o mundo inteiro com justiça (Daniel 7:9–10; João 5:22–23)

Número um: quando Jesus voltar, ele julgará o mundo inteiro com justiça. O profeta Daniel compartilhou sua visão do fim em Daniel 7:9–10:

“9 Eu estive olhando até que foram postos tronos, e um Ancião de dias se sentou; sua veste era branca como a neve, e o cabelo de sua cabeça como lã limpa; seu trono era chamas de fogo, e suas rodas fogo ardente. 10 Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares lhe serviam, e milhões de milhões estavam de pé diante dele: o julgamento começou, e os livros foram abertos.”

(Daniel 7:9-10, Bíblia Livre)

Haverá outro tribunal, outro dia e outro julgamento, mas desta vez o juiz julgará com justiça. Assim, todo erro será corrigido, e todo pecado deverá prestar contas.

Jesus disse em João 5:22–23:

“22 Porque também o Pai a ninguém julga, mas todo o juízo deu ao Filho, 23 para que todos honrem ao Filho, como honram ao Pai. Quem não honra ao Filho, não honra ao Pai que o enviou.”

(João 5:22-23, Bíblia Livre)

Jesus foi submetido a um julgamento anunciado com falsas testemunhas, testemunho distorcido e um resultado predeterminado. Ele foi maltratado e acusado de blasfêmia, apesar de falar a verdade.

Jesus foi julgado injustamente, mas quando retornar, julgará o mundo inteiro com justiça.

  1. Quando Jesus nos julgar, ficaremos em silêncio diante dele (Romanos 3:19)

Número dois: quando Jesus nos julgar, ficaremos em silêncio diante dele. Romanos 3:19 diz:

“Ora, sabemos que tudo o que a Lei diz, diz aos que estão na Lei, para que toda boca se cale, e todo o mundo seja condenável perante Deus.”

(Romanos 3:19, Bíblia Livre)

Quando Jesus nos julgar, não haverá mais desculpas, nem autojustificações, nem álibis.

Nossas bocas serão silenciadas diante dele, porque ele vê tudo, sabe tudo e julga com justiça.

Jesus ficou em silêncio diante de seus acusadores porque escolheu ficar em silêncio. Quando Jesus nos julgar, ficaremos em silêncio diante dele porque não teremos outra escolha.

  1. Quando você for tratado injustamente, não retalie, confie em Deus (1 Pedro 2:21–23)

Número três: quando você for tratado injustamente, não retalie; confie em Deus. Esta é a lição que aprendemos em 1 Pedro 2:21–23:

“21 Pois para isto fostes chamados, porque também Cristo sofreu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais os seus passos. 22 Ele não cometeu pecado, nem engano foi achado em sua boca. 23 Quando o insultavam, ele não insultava de volta. Quando sofria, ele não ameaçava; em vez disso, entregava-se ao que julga de maneira justa.”

(1 Pedro 2:21-23, Bíblia Livre)

Quando você for tratado injustamente, tudo em você gritará por vingança. Não faça isso! Você é chamado a seguir o exemplo de Cristo. Quando você for tratado injustamente, não busque retaliação; confie em Deus. Jesus foi julgado injustamente, mas julgará com justiça quando voltar. Toda boca será silenciada diante dele.

Caifás estará lá. Pilatos estará lá. Herodes estará lá. Você e eu estaremos lá. E se você não conhece a Cristo, pagará a penalidade por seus pecados. Mas para aqueles de vocês que estão em Cristo, o juiz é o seu amigo que deu a vida por vocês para que vocês fossem salvos no dia do julgamento.

Amém!

Referências:

Fritz Rienecker, Comentário Esperança, Evangelho de Mateus (Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1998), 425–426.

João Ferreira de Almeida, trans., Nova Almeida Atualizada, Edição Revista e Atualizada®, 3a edição. (Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017).

John Chrysostom, “Homily LXXXV”, in The Homilies of S. John Chrysostom, Archbishop of Constantinople, on the Gospel of St. Matthew, A Library of Fathers of the Holy Catholic Church (Oxford; London: John Henry Parker; F. and J. Rivington, 1851), 1115. (Minha tradução)

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