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TeologiaArminianismo22 de 22

É bíblico dizer que Deus preordena o pecado?

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura681 palavras

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O calvinismo ensina que: “Deus, desde toda a eternidade, fez, pelo mais sábio e santo conselho de sua própria vontade, livre e imutável ordenar tudo o que vier a acontecer”. (Confissão de Fé de Westminster, Cap. 3:1)

A mesma frase da Confissão continua: “porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas”. A pergunta é se essa ressalva se sustenta diante do decreto.

O profeta Jeremias, de cabeça apoiada na mão, lamentando a destruição de Jerusalém
Rembrandt, Jeremias lamentando a destruição de Jerusalém, 1630. Rijksmuseum, Amsterdã. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Se todas as coisas são preordenadas por Deus, então Deus preordena o pecado. A ideia deve ser abominável para os cristãos, mas decorre logicamente do calvinismo, e os próprios calvinistas o declaram abertamente:

“O pecado é um dos ‘quaisquer ‘acontecimentos’ que ‘aconteceram’, todos ‘ordenados’.”

(W.G.T. Shedd, Calvinismo: Puro e Misto)

“Nada acontece contrariamente ao seu decreto. Nada acontece por acaso. Mesmo o mal moral, que Ele abomina e proíbe, ocorre ‘pelo conselho determinado e presciência de Deus’.”

(W.G.T. Shedd, Calvinismo: Puro e Misto)

“Todas as coisas, incluindo até mesmo as ações perversas de homens maus e demônios, são realizadas de acordo com o propósito eterno de Deus.”

(J.G. Machen, citado em Laurence Vance, p. 254)

“É até bíblico dizer que Deus preordenou o pecado.”

(Edwin H. Palmer, Os Cinco Pontos do Calvinismo, p. 82)

Mas é realmente bíblico dizer que Deus preordenou o pecado?

O próprio Deus declara o contrário. Vejamos o que Ele diz em Sua Palavra, por meio do profeta Jeremias:

“30 Porque os filhos de Judá fizeram o mal perante meus olhos, diz o SENHOR; puseram suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para contaminá-la. 31 E edificaram os altos de Tofete, que ficam no vale do filho de Hinom, para queimarem no fogo seus filhos e suas filhas, o que eu nunca mandei, nem pensei em meu coração.”

(Jeremias 7:30-31, Bíblia Livre)

“3 E dize: Ouvi a palavra do SENHOR, ó reis de Judá, e moradores de Jerusalém. Assim diz o SENHOR dos exércitos, Deus de Israel: Eis que trarei calamidade sobre este lugar, de tal modo que quem o ouvir, lhe retinirão os ouvidos. 4 Pois me abandonaram, e profanaram este lugar, e queimaram nele incenso a outros deuses, que nunca tinham conhecido, nem eles, nem seus pais, nem os reis de Judá; e encheram este lugar com sangue de inocentes; 5 E edificaram altares a Baal, para queimarem a fogo seus filhos como holocaustos a Baal; coisa esta que nunca lhes mandei, nem falei, nem jamais pensei em meu coração. 6 Por isso eis que vêm dias, diz o SENHOR, que este lugar não se chamará mais Tofete, nem Vale do filho de Hinom, mas sim Vale da Matança.”

(Jeremias 19:3-6, Bíblia Livre)

“35 E edificaram os altos de Baal, que ficam no vale do filho de Hinom, para fazer seus filhos e suas filhas passarem pelo fogo a Moloque, o que nunca lhes mandei, nem pensei em meu coração, para que fizessem tal abominação, para fazerem pecar a Judá.”

(Jeremias 32:35, Bíblia Livre)

Perceba que Deus não só diz que não decretou esses pecados, como também diz que eles jamais Lhe vieram à mente, isto é, nunca foram da Sua vontade nem do Seu propósito (a ARA traduz “nem me subiu ao coração”, em Jeremias 7:31). Isso não quer dizer que Deus não os soubesse de antemão: Ele mesmo já os tinha proibido (Levítico 18:21; Deuteronômio 18:10). É nesse ponto que o argumento calvinista se torna difícil de sustentar. Portanto, se Deus ordena o pecado, os calvinistas precisam mostrar 1) como Deus pode preordenar algo que Ele não decretou, e 2) como Deus pode preordenar algo que Ele declara nunca ter sido da Sua vontade.

Por Matthew Murphy

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