
SermõesSermões em Lucas2 de 12
Por que Deus permite o sofrimento? Lucas 13 e o livro de Jó
Neste texto
- Por que as coisas ruins acontecem
- 1. O nosso pecado
- 2. O pecado de toda a humanidade
- 3. A influência de Satanás
- 4. Deus está no comando
- O que de bom pode sair de um momento ruim
- Primeiro: os momentos difíceis podem nos fazer crescer
- Segundo: os momentos difíceis nos preparam para ajudar os outros
- Terceiro: os momentos difíceis nos ensinam
- Quarto: os momentos difíceis nos acordam
- A resposta de Jesus
- Onde está Jó quando dói?
- Jesus é a nossa esperança
Eu gosto de piada ruim. Deixa eu contar duas das minhas favoritas.
Por que o jacaré tirou o filho da escola? Porque ele réptil de ano.
E por que o livro de matemática foi parar no psicólogo? Porque ele tinha problemas demais.
Falando em problemas… Você já viu aqueles vídeos de erros de gravação no final de alguns filmes? O ator erra a fala, tropeça, começa a rir, e a cena tem que ser feita de novo. Ou os vídeos de “fails” nas redes, em que alguém tenta uma manobra e cai de cara no chão? É engraçado ver os outros se dando mal. A gente ri porque não é com a gente.
Mas, quando o problema é de verdade, e é com você, ninguém ri. Uma nota vermelha. Uma briga em casa. Um amigo que virou as costas. Uma doença na família. Alguém que morreu. Essas cenas entram na história da nossa vida sem pedir licença, e não tem como refazer a gravação.
Se você não está passando por nada difícil agora, espera um pouco. Vai passar. Não é pessimismo, é a vida num mundo como o nosso. Tem gente no meio da dificuldade hoje. Outros acabaram de sair de uma. E o resto vai entrar numa mais cedo ou mais tarde.
E quando a coisa aperta, vêm as perguntas. “O que eu fiz para merecer isso?” “Por que Deus deixa isso acontecer?” “Deus está me castigando?” Será que Deus errou? Será que a vida é só um erro gigante?
Essa é a pergunta que as pessoas mais fazem sobre Deus. Uma pesquisa perguntou a milhares de adultos: “Se você pudesse fazer uma única pergunta a Deus, qual seria?” Adivinha qual foi a resposta que mais apareceu? “Por que existe dor e sofrimento no mundo?”
Um homem muito rico, dono de um dos maiores canais de notícias do mundo, contou numa entrevista que quase desistiu de viver depois de perder o casamento e a empresa. Ele não crê em Deus e carrega uma mágoa antiga: perdeu o pai de forma trágica aos 24 anos e depois viu a irmã morrer de uma doença dolorosa. Ele disse: “Eu não conseguia entender como alguém tão inocente podia sofrer tanto.” Aquele homem tinha tudo o que o dinheiro compra, e a pergunta dele era a mesma que a nossa.
Porque isso não é só um debate de escola. É uma dor pessoal, que deixa a gente tonto por dentro. Um escritor disse que essa pergunta é como um anzol girando dentro do coração. Você sabe que está preso, mas não consegue soltar.
A boa notícia é que essa pergunta não é nova. Ela foi feita a Jesus, cara a cara. E Ele respondeu. Em Lucas 13, alguns que estavam presentes trazem a ele a notícia de uma tragédia:
“Naquela ocasião, alguns dos que estavam presentes contaram a Jesus que Pilatos misturara o sangue de alguns galileus com os sacrifícios que realizavam. Jesus respondeu: — Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus por terem sofrido dessa maneira? Eu digo que não! No entanto, se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. Ou vocês pensam que aqueles dezoito que morreram, quando caiu sobre eles a torre de Siloé, eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo que não! Contudo, se não se arrependerem, todos vocês também perecerão.”
(Lc 13:1-5, NVI)
Repare em duas coisas antes de continuar. Primeiro: as pessoas trazem para Jesus duas tragédias diferentes. Uma foi causada por gente má. A outra foi um acidente. Segundo: Jesus não faz o que a gente esperava. Ele não dá um discurso explicando os motivos de Deus. Ele faz uma pergunta e depois dá um aviso. Vamos ver o que isso significa.
Por que as coisas ruins acontecem
A Bíblia mostra pelo menos quatro razões.
1. O nosso pecado
Olhe o versículo 1: “alguns dos que estavam presentes contaram a Jesus que Pilatos misturara o sangue de alguns galileus com os sacrifícios que realizavam.”
Terrível! Um grupo de homens vindos da Galileia, a mesma região de Jesus, viaja até Jerusalém para adorar no templo. Eles levam os animais para o sacrifício, como a Lei mandava. E, no meio da adoração, os soldados de Pilatos, o governador romano, entram e matam todos ali mesmo. O sangue das pessoas escorre e se mistura ao sangue dos animais no altar. Uma cena horrível, num lugar sagrado, contra gente que só queria adorar a Deus. E as pessoas querem saber: por quê?
Para entender, temos que voltar ao começo, em Gênesis. Deus criou Adão e Eva à imagem dele. Isso não quer dizer que eles tinham a cara de Deus. Quer dizer que eles podiam pensar, decidir e escolher de verdade. Deus não fez bonecos de controle remoto. Fez pessoas.
Agora, presta atenção: Deus não criou o mal. Mas, quando criou pessoas livres, criou a possibilidade do mal. Se você pode escolher o bem de verdade, também pode escolher o mal de verdade. Deus disse a Adão e Eva o que podiam e o que não podiam fazer. Eles escolheram desobedecer. E, desde aquele dia, cada um de nós nasce podendo escolher, e nasce puxado para o lado errado. Você não precisou ensinar seu irmãozinho a mentir. Ele aprendeu sozinho.
E as nossas escolhas atingem os outros. Uma palavra que você diz pode levantar alguém ou derrubar. Uma mensagem que você manda para um grupo pode proteger um colega ou destruir a reputação dele. As escolhas não ficam só com quem escolhe.
Foi isso que aconteceu no templo. Aquelas pessoas morreram por causa da escolha má de um homem, Pilatos. E é isso que acontece hoje quando alguém entra atirando numa escola. Gente inocente sofre por causa da escolha de outra pessoa. Grande parte do mal do mundo tem essa origem: alguém escolheu fazer o mal.
Você pode perguntar: por que Deus não impede? Ele podia ter feito Pilatos adoecer naquele dia. Podia ter feito o carro do atirador quebrar no caminho. Podia. Mas pensa comigo: se Deus impedisse toda escolha errada, teria que impedir as suas também. A cada mentira, a cada palavra ferina, a cada coisa que você faz escondido, a mão de Deus travaria você. Aí a gente não seria livre. Seríamos robôs. E robô não ama. Deus quis filhos, não máquinas. A nossa liberdade é de verdade, e isso inclui a liberdade de machucar os outros.
O rabino Harold Kushner escreveu um livro famoso chamado Quando Coisas Ruins Acontecem às Pessoas Boas. O título engana. A Bíblia diz que não existe “pessoa boa” nesse sentido. Somos uma pintura linda que foi rabiscada. Somos filhos rebeldes. Não somos só pessoas que precisam melhorar um pouco, mas rebeldes que precisam se render.
Quando pessoas pecadoras fazem escolhas, Deus deixa as consequências acontecerem. E às vezes essas consequências caem em cima de você ou de alguém que você ama.
Mas atenção ao versículo 2. Jesus pergunta: “Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus por terem sofrido dessa maneira? Eu digo que não!”
Naquela época, muita gente pensava assim: se aconteceu uma desgraça com você, é porque você pecou mais que os outros. Jesus corta isso pela raiz. Quem sofre mais não é quem pecou mais. Muitas coisas ruins têm a ver com o pecado, mas Deus não distribui tragédia na proporção do pecado de cada um. Aquelas pessoas no templo não eram piores do que as outras. Então, quando alguém da sua família adoece, ou quando você passa por algo difícil, não fique pensando “Deus está me pegando por causa daquilo que eu fiz”. Jesus disse: não é assim.
2. O pecado de toda a humanidade
Agora olhe o versículo 4: “Ou vocês pensam que aqueles dezoito que morreram, quando caiu sobre eles a torre de Siloé, eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém?”
Aqui Jesus traz outro caso, e é ele mesmo quem lembra dele. Siloé era um bairro de Jerusalém, onde ficava um tanque de água famoso. Perto dali havia uma torre. Um dia, ela caiu. Ninguém mandou matar ninguém. Não tinha soldado, não tinha vilão. Foi um acidente. Dezoito pessoas morreram debaixo das pedras. Todo mundo em Jerusalém tinha ouvido falar disso.
Por que existem acidentes? Por que existem doenças, enchentes, terremotos? Nenhuma pessoa escolheu isso. A Bíblia diz que isso também é resultado do pecado. Não o pecado de uma pessoa, mas o de toda a humanidade. Antes de Adão e Eva desobedecerem, não existia doença nem desastre. Tudo isso entrou no mundo depois da queda.
Quando Adão e Eva disseram a Deus “a gente não precisa de você”, o mundo inteiro sentiu. Deus disse: “Maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas” (Gn 3:17-18). A desobediência trouxe vergonha, separou o ser humano de Deus e também bagunçou o mundo. A natureza saiu do lugar.
Paulo diz como o planeta está hoje: “Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto” (Rm 8:22). Você já ouviu alguém com dor gemer? É isso que a Bíblia diz que o mundo faz. A criação inteira está gemendo. Por isso as coisas estão fora do lugar. Torres caem. Rios transbordam. Barrancos deslizam. Vírus se espalham. Células do corpo começam a funcionar errado.
E de novo Jesus diz, no fim do versículo 4: “Eu digo que não!” Aqueles dezoito não eram mais culpados do que os outros. Quem morre num acidente, quem nasce com uma doença, não está sendo castigado por ser pior que os outros. Estamos todos num mundo quebrado, e o mundo quebrado machuca quem está dentro dele.
3. A influência de Satanás
Uma terceira razão, mais rápida. Muitas coisas ruins são obra do diabo. Ele está por trás do ódio, das guerras e da maldade do mundo. Trabalha escondido, mexendo com os nossos desejos e nos empurrando para escolhas erradas. Não aparece com chifres. Aparece como uma ideia que parece boa, um ressentimento que parece justo, um segredo que parece inofensivo. Quer estragar o mundo de Deus e quer estragar você. Jesus o chamou de assassino (Jo 8:44).
4. Deus está no comando
A quarta razão é a mais difícil de aceitar. Deus está no controle. Ele permite o sofrimento. E continua sendo bom mesmo quando coisas ruins acontecem.
Essa é a pergunta principal, não é? Se Deus é bom e é poderoso, por que deixa o mal acontecer? Vou ser sincero: não entendo isso por completo. Ninguém entende. Mas sei duas coisas com certeza: sei que Deus é bom e sei que coisas ruins acontecem. E a Bíblia diz que, de alguma forma que eu não vejo, tudo faz parte do plano dele. Deus diz: “Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos” (Is 55:9).
Pensa numa criança de dois anos no médico, tomando vacina. Ela chora, não entende, olha para a mãe como se dissesse “por que você está deixando?”. A mãe sabe por quê. A criança, não. E a mãe não vai conseguir explicar de um jeito que uma criança de dois anos entenda. A distância entre nós e Deus é muito maior do que entre aquela criança e a mãe. Mas a mãe é boa. E Deus é bom.
E se Deus é bom e permite certas coisas, deve haver algum bem escondido nelas.
O que de bom pode sair de um momento ruim
A Bíblia mostra pelo menos quatro coisas boas que podem nascer de uma coisa ruim.
Primeiro: os momentos difíceis podem nos fazer crescer
Deixa eu contar uma coisa da minha vida. Em 2019, eu tive um infarto. Para quem não sabe, infarto é quando o sangue para de chegar a uma parte do coração, e aquela parte começa a morrer. É uma dor no peito que não passa, e uma sensação de que você pode morrer ali mesmo. Desde então eu tomo remédio todos os dias e vou tomar pelo resto da vida.
Eu não escolhi nada disso. Não pedi. Houve dias em que eu não fui fácil de conviver, e a minha família sabe disso. Mas aprendi, na prática, uma coisa que nenhum livro me ensinou: o que é continuar. Continuar quando o corpo não ajuda. Continuar confiando quando a resposta não vem. Continuar servindo a Deus com um coração que às vezes falha. Isso se chama perseverança, e eu só aprendi porque precisei.
A verdade é que só dá para aprender paciência passando por dificuldade. Ninguém aprende a nadar no seco. Se a vida fosse sempre fácil, a gente continuaria igual, sem crescer.
Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma.
(Tg 1:2-4, NVI)
Repare: Tiago não diz “fiquem alegres porque a provação é gostosa”. Ele diz “considerem”, ou seja, pensem de um jeito diferente sobre ela, porque vocês sabem o que ela produz.
Segundo: os momentos difíceis nos preparam para ajudar os outros
Deus nos consola para que a gente console alguém depois: “O Deus de toda consolação nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações” (2Co 1:4).
Pensa num pai ou numa mãe que acabou de ouvir, no consultório, o diagnóstico de uma doença crônica do filho. A cabeça gira, o chão some, e a primeira noite em casa parece não acabar. Agora pensa em outro pai, que passou por isso anos antes. Ele não precisa de discurso. Sabe o que dizer, sabe o que não dizer e sabe sentar do lado em silêncio. Deus consolou aquele pai na hora da dor, e agora ele consegue consolar. A dor dele virou uma ponte.
Você também vai viver isso. O jovem que passou por uma depressão consegue entender o amigo que está passando. Quem sofreu bullying enxerga quem está sofrendo agora. A sua dor de hoje pode ser a força que outra pessoa vai precisar amanhã.
Terceiro: os momentos difíceis nos ensinam
Deus pode usar a dor para ensinar algo que você não aprenderia de outro jeito. Ele “nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade” (Hb 12:10). Disciplina aqui não é castigo de pai bravo. É treino de pai que quer ver o filho crescer.
O escritor Lee Strobel conta a história de um urso preso numa armadilha. Um caçador tem pena e quer soltá-lo. Ele tenta se aproximar, mas o urso ruge e ataca. Então o caçador precisa dar um tiro de tranquilizante. O urso, claro, acha que o homem quer matá-lo. E tem mais: para abrir a armadilha, o caçador ainda tem que empurrar a pata do urso mais para dentro, para soltar a mola. Do ponto de vista do urso, aquele homem é o pior inimigo do mundo. Do ponto de vista do caçador, ele está salvando a vida do urso.
Às vezes Deus faz o mesmo conosco. Parece castigo. Parece que ele está contra nós. Mas ele está nos ensinando e nos libertando de algo que a gente nem sabia que estava preso. “Deus não aflige nem entristece de bom grado os filhos dos homens” (Lm 3:33). Deus não sente prazer na sua dor. E o autor de Hebreus completa:
Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, e sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados.
(Hb 12:11, NVI)
“Mais tarde.” Muita coisa só faz sentido depois.
Quarto: os momentos difíceis nos acordam
C. S. Lewis escreveu, em O Problema do Sofrimento, que Deus nos sussurra nos prazeres, fala na nossa consciência, mas grita nas nossas dores. A dor é o megafone que Deus usa para acordar um mundo surdo.
Quando está tudo bem, a gente não ouve. A gente tem celular, amigos, jogos, planos. Deus fica lá no fundo. Aí vem a dor, e de repente a gente começa a orar. Não é coincidência.
O pastor americano em cuja mensagem este texto se baseia conta que, aos dezoito anos, vivia sem regra nenhuma e se achava invencível. No fim do ensino médio, viu um amigo morrer afogado numa brincadeira que deu errado, na frente dele. Um ano depois, a namorada terminou tudo, e ele afundou na bebida, com um vazio no estômago que não passava. Foi nesse buraco que um colega de quarto começou a ler a Bíblia com ele. E ali ele entregou a vida a Cristo. Esse pastor diz que se pergunta até hoje: se aquele amigo não tivesse morrido, se a namorada não tivesse terminado, será que ele teria buscado a Deus? Ele acha que não. Deus precisou derrubar alguns apoios da vida dele para que ele finalmente olhasse para cima.
A resposta de Jesus
E aqui chegamos à resposta de Jesus. Volte para os versículos 3 e 5. Depois das duas tragédias, Jesus diz a mesma coisa duas vezes, para ninguém esquecer: “se não se arrependerem, todos vocês também perecerão.”
Isso surpreende. As pessoas queriam uma explicação. Jesus dá um aviso. Elas perguntam “por que eles morreram?”. Jesus responde “e você, está pronto?”.
Parece duro. Mas aqui a gente vê o coração de Jesus. Ele não quer que a gente fique só olhando a tragédia dos outros, discutindo motivos, apontando dedo. Ele quer que a gente olhe para dentro. A gente acha que merece coisas boas, que Deus nos deve uma vida tranquila. Aí, quando algo dá errado, a gente surta, porque “não era para ser assim”. Jesus vira a pergunta ao contrário. Somos pessoas caídas num mundo caído. A pergunta não é “por que aconteceu algo ruim?”, mas “por que eu ainda estou aqui, com mais um dia?”. Cada dia de vida é presente, não é direito. E, enquanto ainda há tempo, Jesus nos chama a voltar para Deus. Arrepender-se é isso: parar, dar meia-volta e caminhar na direção de Deus.
Onde está Jó quando dói?
A Bíblia tem a história de um homem “bom” que perdeu tudo num só dia: trabalho, bens, filhos, saúde e, depois, até os amigos. O nome dele é Jó. O livro dele é o livro mais famoso do mundo sobre sofrimento.
Jó chorou. Reclamou. Questionou. Chegou a amaldiçoar o dia em que nasceu (Jó 3:1). Os amigos dele diziam a mesma coisa que o povo dizia no tempo de Jesus: “você deve ter pecado, por isso está sofrendo”. Jó sabia que não era isso. E implorou a Deus por uma resposta. Capítulos e capítulos de perguntas. Deus respondeu, mas não do jeito que Jó esperava.
Em vez de explicar, Deus faz o discurso mais longo de toda a Bíblia, nos capítulos 38 a 41. E, em vez de responder, pergunta: “Onde você estava quando eu criei a terra? Você consegue colocar as estrelas no céu? Você dá força ao cavalo? Quem discute com o Todo-poderoso vai corrigi-lo?”
Jó ouviu tudo isso e disse: “Falei de coisas que eu não entendia, coisas maravilhosas demais para mim. Meus ouvidos tinham ouvido falar de ti, mas agora os meus olhos te viram, por isso me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42:3, 5).
Reparou? Jó se arrependeu. Exatamente o que Jesus pede em Lucas 13. Jó não recebeu a explicação que pediu. Recebeu algo maior: encontrou Deus.
No fim, a única resposta que Deus deu a Jó foi ele mesmo. É como se Deus dissesse: “Jó, eu sou a sua resposta. Me conheça. Quando você me conhecer, vai saber enfrentar qualquer coisa.” Jó não foi chamado a confiar num plano, mas numa pessoa. É a primeira regra da vida cristã: ele é Deus, e nós não somos.
A lição do livro de Jó é que a vida não é justa, e coisas ruins acontecem. Então a pergunta não é “onde está Deus quando dói?”. Deus está onde sempre esteve. A pergunta é “onde está Jó quando dói?”. As batalhas mais importantes acontecem dentro da gente. Deixa eu deixar isso bem pessoal: onde está você quando dói? Onde eu estou quando o meu peito aperta e o remédio não resolve? Onde eu estou quando a minha filha tem uma crise?
Deus desafiou Jó na única coisa que ele podia controlar: a resposta dele. Culpar Deus não levou Jó a lugar nenhum. Ele precisava decidir: ia ficar melhor ou ficar amargo? A gente não escolhe o que acontece. Mas escolhe como responder.
Jesus é a nossa esperança
Qual é a sua resposta? Não desista. Não fique amargo e duro como aquele homem rico da entrevista. Deus conhece a sua dor, e a graça dele alcança você exatamente onde dói. Jesus não olha o nosso sofrimento de longe: ele tem um coração que se compadece das nossas fraquezas (Hb 4:15), e a graça dele basta (2Co 12:9).
Tomara que a gente, na próxima vez que a vida pedir para refazer a cena e não der, em vez de perguntar só “por quê?”, aprenda a perguntar “onde eu estou, Senhor?” e encontre a resposta de Jó: o próprio Deus.
- Sermão
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- Sofrimento
- Perseverança