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HistóriaTeólogos arminianos7 de 65

Alfred Cookman: o pregador metodista que levou a santidade aos acampamentos

Diego Gonçalvesatualizado 13 min de leitura2.513 palavras

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Neste texto

No fim do verão de 1866, na tenda dos pregadores do acampamento de Shrewsbury, Alfred Cookman abriu uma reunião às nove e meia da noite e só a encerrou depois das três da manhã. Numa carta à mãe, contou que dezenove dos ministros presentes, alguns com cinquenta anos de púlpito, entraram naquela noite no “perfeito amor”, e que Deus o tinha feito “um apóstolo da santidade”. No ano seguinte, foi ele quem redigiu a convocação do acampamento de Vineland, de onde saiu a associação que organizou o movimento de santidade nos Estados Unidos.

Retrato de Alfred Cookman
Retrato de Alfred Cookman, gravura do frontispício de The Life of the Rev. Alfred Cookman, de Henry B. Ridgaway (Nova York: Harper & Brothers, 1873). Domínio público, via Wikimedia Commons.

Vida

Filho de pregador

Alfred Cookman nasceu em 4 de janeiro de 1828, em Columbia, na Pensilvânia, à beira do rio Susquehanna, onde o pai morava como pregador do circuito de Lancaster. George Grimston Cookman nascera em 1800 em Hull, na Inglaterra, e se tornara nos Estados Unidos um dos oradores mais procurados do metodismo. A mãe, Mary Barton, consagrou o primogênito ao ministério desde cedo. Com as nomeações do pai, a família passou por Baltimore e por Carlisle, na Pensilvânia, onde o menino estudou na escola preparatória do Dickinson College.

Em fevereiro de 1838, aos dez anos, durante reuniões de avivamento em Carlisle, ele foi duas noites ao banco dos penitentes sem encontrar paz. Na terceira o altar estava tomado por estudantes do Dickinson, e ele se ajoelhou sozinho num canto. Orava assim: “Precioso Salvador, tu estás salvando outros; não queres salvar a mim?” James Hamilton, presbítero da Igreja Presbiteriana da cidade, viu o menino, pôs a mão na cabeça dele e lhe explicou o que é a fé. Alfred respondeu: “Eu creio; agora creio que Jesus é o meu Salvador”. No outono daquele ano foi recebido como membro da igreja.

Ainda em 1838 o pai foi transferido para Washington, onde seria eleito capelão do Senado. Em 11 de março de 1841, George Cookman embarcou em Nova York no vapor President, com destino a Liverpool, e o navio desapareceu no mar. Alfred tinha treze anos. A mãe levou os filhos para Baltimore, onde ele estudou latim, grego, alemão e francês. Em 1º de novembro de 1845 foi licenciado como exortador e em 7 de julho de 1846, aos dezoito anos, recebeu a licença para pregar.

O jovem pregador e a santificação perdida

No outono de 1846 a família se mudou para Filadélfia, e Alfred foi enviado para suprir o circuito de Attleboro, no condado de Bucks. Na despedida, a mãe lhe disse: “Meu filho, se você quer ser supremamente feliz ou extremamente útil no seu trabalho, precisa ser um servo inteiramente santificado de Jesus”. A frase o acompanhou pelas estradas do circuito.

Pouco depois o bispo Leonidas Hamline foi a Newtown, um dos pontos do circuito, para dedicar uma igreja nova, e passou uma semana ali. Numa tarde, depois de um sermão, Hamline chamou os crentes a se entregarem a Deus “como vivos dentre os mortos” e a confiarem em Jesus como Salvador de todo pecado. Alfred se ajoelhou sozinho e fez uma consagração completa. No dia seguinte, orando com o bispo e com a senhora Hamline, recebeu, nas palavras dele, “o Espírito como nunca o tinha recebido antes”.

Oito semanas depois, na conferência anual de Wilmington, na primavera de 1847, ele se deixou levar pelo clima de piadas e histórias entre os colegas e sentiu que tinha perdido o que recebera. Nos anos seguintes começou a dar razão aos que negavam que a santificação fosse uma obra distinta da regeneração, e criou o hábito do tabaco.

Foi admitido na Conferência de Filadélfia em 1848, depois de mais um ano como suplente, e nomeado para Germantown. Preparou-se para as provas estudando os Institutos Teológicos de Richard Watson, que chamou de “obra-prima”, e foi ordenado diácono pelo bispo Waugh. Em 1850 visitou o avô em Hull, na Inglaterra. Em 6 de março de 1851 casou-se com Annie E. Bruner, de Columbia. Seguiram-se West Chester, a igreja da rua Locust em Harrisburg e dois anos na Igreja de Cristo, em Pittsburgh. Ali o doutor Paxton, pastor da Primeira Igreja Presbiteriana e seu vizinho, ficou amigo dele e o descreveu como metodista em todas as convicções, mas sem nada de sectário.

Green Street, a escravidão e a guerra

Em 1857, pastor da igreja de Green Street, em Filadélfia, Cookman reconheceu que faltava algo à sua vida cristã. Consagrou-se de novo, incluindo o tabaco (“vou tentar me abster por amor de Cristo”), voltou a confiar em Cristo como Salvador de todo pecado e, como escreveu depois, recebeu outra vez o testemunho do Espírito. Daí até a morte, pregou a inteira santificação sem recuar.

Na igreja Union, em 1859 e 1860, enfrentou a questão da escravidão, embora tivesse crescido em Baltimore e Washington, entre amigos que tinham escravos ou defendiam quem os tinha. Quando a Conferência de Filadélfia votou propostas para excluir da igreja os donos de escravos, ele ficou entre seis ou sete ministros, de cerca de trezentos, que votaram a favor: ajoelhou-se no banco, orou chorando e se levantou para votar sim. Pregou também um sermão contra a escravidão a partir de Isaías 8:12-13, que preparou de joelhos. Aos membros que se ofenderam, respondia: “Posso me dar ao luxo de perdoá-los”.

Cookman cultivava a união entre os cristãos. Quando o leigo George H. Stuart foi suspenso pelo sínodo da Igreja Presbiteriana Reformada por cantar hinos e tomar a ceia com cristãos de outras igrejas, como o próprio Cookman, ele foi dos primeiros a escrever-lhe em solidariedade.

Durante a Guerra Civil foi pastor em Nova York, nas igrejas Central e Trinity. Frequentava as reuniões de santidade na casa do doutor Palmer, na rua Rivington, do círculo de Phoebe Palmer. Em março de 1864 visitou o Exército do Potomac a serviço da Comissão Cristã, e no mesmo ano publicou um hinário de bolso preparado também para circular no exército.

De volta a Filadélfia, na igreja de Spring Garden (1865-1868), defendeu os direitos civis dos negros libertos. Em junho de 1866 falou na maior igreja negra da cidade, com dois bispos negros na plataforma, e escreveu à irmã que o dever do momento era educar e elevar aquele povo: “Deem a eles a cartilha, a Bíblia, a igualdade de direitos perante a lei e o direito de voto como arma de defesa, e deixem o resto com Deus”.

Vineland e os últimos anos

Em 1867, um grupo de metodistas se reuniu em Filadélfia e decidiu fazer um acampamento dedicado à santidade. Cookman preparou e leu a convocação, que chamava todos os interessados na vida cristã mais elevada, “sem distinção de denominação”, a passar uma semana “no grande templo de Deus, a natureza”, orando por um avivamento da santidade nas igrejas. O acampamento de Vineland, em Nova Jersey, começou em 17 de julho de 1867 e durou dez dias. Cookman pregou sobre o texto “esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1 Tessalonicenses 4:3, Bíblia Livre). No fim do encontro, de joelhos e depois de uma oração dele, os ministros formaram a Associação Nacional de Acampamentos para a Promoção da Santidade, presidida por John S. Inskip. Cookman escolheu o lugar do encontro seguinte, Manheim, no condado de Lancaster, o mesmo da sua cidade natal.

Na igreja Grace, em Wilmington (1868-1870), Cookman dirigia reuniões para a promoção da santidade, e as palestras que preparou para elas foram publicadas depois da sua morte. Pregou nos acampamentos nacionais seguintes e construiu uma casa para a família no acampamento de Ocean Grove, à beira-mar.

Em 1871 foi nomeado para a igreja Central de Newark, em Nova Jersey. Naquele verão pregou em Martha’s Vineyard seu último sermão de acampamento, sobre “enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18, Bíblia Livre). Em 22 de outubro subiu ao púlpito com uma folha seca na mão e pregou sobre “todos nós caímos como uma folha” (Isaías 64:6, Bíblia Livre). No fim do sermão os pés lhe faltaram. Ao descer, entregou a folha a um amigo e comentou que a folha e o pregador estavam murchando juntos. Os médicos diagnosticaram um reumatismo inflamatório agudo.

No último dia, 13 de novembro de 1871, disse à mãe que, depois de Jesus, devia tudo a ela. À cunhada disse: “Que bom que preguei a salvação plena; o que eu faria sem ela agora?” Ao filho mais velho disse que tinha passado o dia inteiro “bem perto dos portões da morte”. Morreu às onze da noite e foi sepultado no cemitério de Laurel Hill, em Filadélfia. A frase que ficou como seu último testemunho, “estou passando pelos portões, lavado no sangue do Cordeiro”, junta expressões que ele repetiu naquelas horas.

Em 1872 o reverendo S. B. Darnell fundou em Jacksonville, na Flórida, uma escola para formar ministros e professores negros e lhe deu o nome de Cookman Institute, em homenagem a ele. A escola se uniu entre 1923 e 1925 à de Mary McLeod Bethune e deu origem à atual Universidade Bethune-Cookman.

Pensamento

Cookman é um wesleyano da tradição de santidade. Foi ministro da Igreja Metodista Episcopal a vida inteira, formou-se nos Institutos Teológicos de Watson, a teologia arminiana que os pregadores metodistas estudavam para ser admitidos, e pregou o tema que John Wesley e John Fletcher tinham deixado como a marca do metodismo: a perfeição cristã. Não escreveu tratados: o pensamento dele está nos testemunhos, nas cartas e nas palestras.

A graça vem primeiro. Na narrativa da conversão, a convicção de pecado é obra do Espírito Santo, e a resposta do menino é entregar-se com as palavras de um hino de Isaac Watts: “Jesus, Jesus, eu me entrego; é tudo o que posso fazer”. A fé aparece como a mão vazia que recebe, a imagem que Armínio usava para mostrar que crer não é mérito, e que resume o arminianismo como uma teologia da graça. Cookman nunca apresentou a salvação como conquista do pecador.

A inteira santificação é uma segunda entrega, feita por quem já tem vida nova. O termo descreve a obra pela qual Deus, depois de perdoar e regenerar o crente, purifica o coração e o enche de amor perfeito a Deus e ao próximo. Cookman explicou a diferença entre as duas consagrações com precisão: na conversão, ele tinha trazido a Deus “poderes mortos em delitos e pecados”; em Newtown, consagrava “poderes permeados pela nova vida da regeneração”. Antes pedia perdão; agora queria “a presença consciente do Santificador no coração”. A obra continua sendo da graça. Ele dizia que não se tratava de uma graça diferente da recebida na conversão, mas de “mais daquela graça preciosa”, e que, enquanto o crente confia, Cristo “assume a responsabilidade inteira” pela sua salvação completa.

Três passos, repetidos a cada dia. Cookman resumia o caminho com a fórmula dos amigos da santidade: consagração inteira, aceitação de Jesus momento a momento como Salvador perfeito e uma confissão humilde e definida da graça recebida. Ele os ligava a Colossenses 2:6: manter diante de Deus a mesma atitude com que se recebeu Cristo. A imagem do “altar que santifica a oferta” (Mateus 23:19), que ele adotou, vem de Phoebe Palmer: o altar é Cristo, e quem põe tudo nele pode crer que Deus santifica a oferta.

A graça pode ser perdida e reencontrada. Ele contou a perda de 1847 e os anos de hesitação para alertar quem já tinha entrado na experiência: era melhor morrer “dez mortes” do que abandonar de propósito o caminho da santidade. A volta, em 1857, foi de novo pela fé, e não por esforço. Essa leitura combina com a perseverança condicional do arminianismo wesleyano: a segurança está em permanecer em Cristo.

A santidade cresce. Em 1862 ele disse numa reunião em Nova York que não tinha dúvida da pureza do coração, mas que queria ser cheio do Espírito “pouco a pouco, como Deus determinar”: “Estou subindo”. A santidade dele também foi social. O mesmo homem que pregava o perfeito amor votou contra a escravidão na igreja e pediu escola, Bíblia e voto para os libertos.

Esse ensino concorda com a nossa declaração de fé, que afirma a inteira santificação como obra da graça, posterior à regeneração, recebida pela fé, que não elimina erros nem limitações e continua crescendo na graça. A diferença está na ênfase. Cookman, como Palmer, dava muito peso ao momento da consagração e à confissão pública da experiência; a nossa declaração, como Wesley, põe esse momento dentro de um caminho gradual de crescimento e não faz da confissão pública uma condição.

Obras principais

  • Familiar Hymns for Social Meetings, hinário compilado por ele (Nova York: Carlton & Porter, 1864).
  • Convocação do acampamento nacional de Vineland, Nova Jersey (1867).
  • Testemunho sobre a inteira santificação, publicado na revista The Guide to Holiness, de Nova York, quase dez anos depois da renovação de 1857 e reproduzido na biografia escrita por Ridgaway.
  • Familiar Talks on the Subject of the Higher Christian Life, palestras feitas na igreja Grace de Wilmington, publicadas depois da morte dele (Chicago: Christian Witness Co., 1900).

Para aprofundar

Para conhecer outros nomes da mesma tradição, veja as biografias de Francis Asbury, Daniel Steele e A. M. Hills, e o estudo sobre a graça preveniente em Armínio.

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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