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HistóriaArminianismo9 de 46

Balthasar Hubmaier: o doutor que defendeu o livre-arbítrio e morreu na fogueira em Viena

Diego Gonçalves5 min de leitura1.059 palavras

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Neste texto

Em 10 de março de 1528, Balthasar Hubmaier foi queimado vivo em Viena. Três dias depois, a sua mulher, Elisabeth Hügline, foi afogada no Danúbio. Ele tinha doutorado em teologia, tinha sido aluno de Johann Eck, o grande adversário de Lutero, e o lema que imprimia nos seus livros dizia “a verdade é imortal”.

Retrato de Balthasar Hubmaier
Retrato de Balthasar Hubmaier, gravura de Christoffel van Sichem, século XVII. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Vida

Hubmaier nasceu por volta de 1480 em Friedberg, na Baviera, perto de Augsburgo, provavelmente de família camponesa. Estudou na escola latina de Augsburgo e entrou na Universidade de Freiburg em 1503. Foi ordenado padre em 1510 e recebeu o doutorado em teologia na Universidade de Ingolstadt em 1512, sob Johann Eck, de quem se tornou vice-reitor.

A fase católica tem um capítulo sombrio. Como pregador em Regensburg, a partir de 1516, ele ajudou a provocar a expulsão dos judeus da cidade e promoveu uma peregrinação a uma capela de supostos milagres. Convém dizer isso, porque o homem que mais tarde pediria tolerância com os hereges não nasceu tolerante.

Por volta de 1521 mudou-se para Waldshut, perto de Zurique, e ali foi mudando de posição ao estudar as cartas de Paulo. Participou da disputa de Zurique de outubro de 1523, criticou as imagens e a missa, e conheceu Ulrico Zuínglio (sobre ele, veja Ulrich Zwingli e a Reforma Suíça). Casou-se em 1524. No mesmo ano escreveu as Dezoito Teses, em que defende que só a fé salva e que a Ceia é um memorial.

A dúvida sobre o batismo de crianças o levou ao batismo de adultos: em 1525 ele foi batizado de novo. As fontes divergem quanto a quem o batizou, Wilhelm Reublin ou Konrad Grebel. Depois da repressão em Waldshut, fugiu para Zurique, onde Zuínglio o fez prender. Sob tortura, ele negou as suas posições, e depois, já fora da cidade, retirou a negação, dizendo que poderia errar como homem, mas não era herege.

O período mais fértil foi em Nikolsburg, na Morávia, por volta de 1526 e 1527, sob a proteção dos senhores de Liechtenstein. Ali ele escreveu vários folhetos e batizou muita gente. Com a chegada de Fernando I da Áustria ao controle da Boêmia, foi preso, levado a Viena em julho de 1527, interrogado por antigos colegas e condenado. Sustentou até o fim as suas posições sobre o batismo e a Ceia.

Pensamento

Classe: anabatista, proto-arminiano. Hubmaier viveu quase oitenta anos antes de Armínio e nunca ouviu falar dele. Mas Roger Olson, que o chama de “arminiano antes de Armínio”, afirma que a teologia da salvação dele é basicamente a mesma que os remonstrantes desenvolveriam depois. Veja também Jacó Armínio e Simão Episcópio.

Nós o lemos assim, em palavras comuns:

  • A queda tirou a liberdade, e a graça a devolve. Em Sobre o livre-arbítrio (1527), ele ensina que Deus manda a sua Palavra a todos e dá a todos a força para aceitá-la ou rejeitá-la. É o que os arminianos chamam de graça preveniente, a graça que vem antes da nossa resposta. A liberdade vem de Cristo e do Espírito, e não de uma capacidade natural que teria sobrado.
  • A culpa da rejeição é de quem rejeita. Ele compara Pedro e Herodes, que ouviram a mesma palavra de Cristo: o problema do segundo foi a própria maldade, e não Deus. Sobre o tema, veja A soberania de Deus e o livre-arbítrio humano e Predestinação e livre-arbítrio: a tensão bíblica.
  • Dois modos da vontade de Deus. Hubmaier distinguia a vontade absoluta de Deus, que está além do nosso alcance, da vontade ordenada, que Deus revelou e na qual quer a salvação de todos. Segundo Kirk MacGregor, a maioria dos eleitos o é pela previsão de Deus da sua resposta livre ao Evangelho. Esse é o ponto próximo do arminianismo, que ensina a eleição condicional, isto é, ligada à fé.
  • Batismo de crentes. O batismo vem depois da fé, como testemunho público. Nisso coincidimos, como diz a nossa declaração de fé. Sobre o assunto, veja Batismo infantil: por que uns batizam bebês e outros não.

Há diferenças a registrar, sem polêmica. Segundo MacGregor, Hubmaier admitia que Deus elege alguns pela vontade absoluta, sem relação com a fé prevista, o que o arminianismo clássico não faz. Ele também aceitava que o cristão usasse a espada no governo e na justiça, o que o separava dos anabatistas pacifistas como Menno Simons. Sobre o movimento, veja Anabatistas: a terceira via da Reforma Protestante e Anabatistas de 1525: a Reforma Radical contra o Estado. Os estudiosos ainda discutem se ele deve ser chamado de anabatista.

Obras principais

As datas seguem a Wikipédia e o verbete da EBSCO.

  • Dezoito Teses (Achtzehn Schlussreden), 1524.
  • Sobre os hereges e os que os queimam, por volta de 1524, escrito em Schaffhausen, contra a morte de hereges pela espada e pelo fogo.
  • Sobre o batismo cristão dos crentes, 1525.
  • Sobre a liberdade da vontade, 1527, em dois folhetos.
  • Sobre a espada, 1527.

A coletânea em inglês é Balthasar Hubmaier: Theologian of Anabaptism, traduzida por H. Wayne Pipkin e John Howard Yoder (1989).

Livros em português

Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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