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HistóriaTeólogos arminianos14 de 57

Wesley Duewel: o missionário da Índia que ensinou uma geração a orar

Diego Gonçalves6 min de leitura1.143 palavras

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Neste texto

Wesley Duewel contava que tinha cinco anos quando, brincando na caixa de areia do quintal, sentiu que Deus o chamava para ser missionário na Índia. Ele nunca esqueceu a cena. Nasceu em 1916, numa família de pastores, e morreu quase um século depois, em 2016, sem ter largado a convicção daquele dia. Ficou conhecido no mundo evangélico menos por argumentos de teologia e mais por uma vida de oração e por livros que ensinam a interceder.

Vida

Duewel nasceu em 3 de junho de 1916. Pelo que o obituário publicado em Indiana registra, formou-se doutor em educação pela Universidade de Cincinnati e recebeu o título honorário de doutor em divindade da Taylor University. Segundo o relato de um professor que estudou a vida dele, ainda durante a faculdade bíblica ele passava as noites na biblioteca com a mão sobre um globo, apontada para a Índia, orando por uma agência missionária, por recursos e por uma equipe que fossem para lá. Casou-se com Betty, que se tornou parceira de ministério.

Partiu para a Índia pela Oriental Missionary Society (OMS), hoje chamada One Mission Society, e ficou por cerca de 25 anos. O que ele imaginava como trabalho de evangelista ampliou-se: ajudou a fundar institutos bíblicos e seminários, aprendeu hindi e urdu e treinou pastores indianos. Esse ministério deu fruto em escolas, em igrejas e em uma rede de crentes que, segundo o relato do mesmo professor, chegou às centenas de milhares.

Depois da Índia, Duewel assumiu a liderança da própria OMS e foi presidente da organização até 1982, nos Estados Unidos. As fontes divergem quanto ao ano em que ele começou nesse cargo (1964 ou 1969), por isso deixo a data de início de fora. Mesmo depois de aposentado, continuou a servir como presidente emérito, com foco em evangelismo e intercessão, e a escrever. Morreu em 5 de março de 2016, aos 99 anos, em Greenwood, Indiana. O pastor Mark O. Wilson, da Igreja Wesleyana de Hayward, no Wisconsin, escreveu em um tributo que o recebeu quando Duewel tinha 92 anos e que comissários de bordo do voo comentaram ter sido tocados pela oração dele durante a viagem. Duewel assinava as cartas com a frase “All for Jesus” (“Tudo por Jesus”).

Pensamento

Classe: wesleyano, na tradição da santidade. Duewel não foi um polemista contra o calvinismo, então não há um texto dele que se declare “arminiano”. A classificação vem do meio em que ele viveu e escreveu: segundo o obituário, foi membro por 48 anos da Conferência de Wabash da Igreja Metodista Livre; a OMS pertence à tradição de santidade, que descende de John Wesley; o Duewel Literature Trust, que cuida dos livros dele, diz publicar literatura clássica de santidade; e a Igreja Wesleyana publicou o tributo a ele. É um caso de arminiano pela prática e pela filiação, mais do que pela discussão teórica.

O centro do seu pensamento é a oração que persevera. Em livros como Mighty Prevailing Prayer ele trata a intercessão como trabalho sério: oração prolongada, específica, ligada a promessas da Bíblia e sustentada até a resposta. Uma frase dele que circula é “o cristão que deixa de orar falha como em nenhuma outra coisa”, mas ela vem de uma entrevista em podcast, e eu a registro só como atribuída a ele.

O segundo tema é o avivamento. Em Heroes of the Holy Life e Revival Fire ele conta a vida de pessoas que, segundo ele, tiveram uma experiência definida da plenitude do Espírito Santo depois da conversão. Isso lembra o que a tradição wesleyana chama de inteira santificação, a ideia de que Deus pode purificar o coração e enchê-lo de amor a Deus e ao próximo. Nossa declaração de fé também afirma essa obra posterior à regeneração e recebida pela fé, de modo que Duewel e nós caminhamos na mesma direção. A ênfase dele recai, porém, sobre o poder do Espírito para o serviço e a oração, mais do que sobre a doutrina sistemática, que é o forte de H. Orton Wiley e de Mildred Wynkoop.

Por isso, quem procura em Duewel uma defesa das cinco teses de Armínio não a encontrará. O que se encontra é a vida de oração e de santidade que cresce do solo wesleyano, o mesmo solo de que tratamos em Arminianismo é tudo sobre graça.

Obras principais

  • Touch the World Through Prayer (1986)
  • Ablaze for God (1989)
  • Mighty Prevailing Prayer (1990)
  • Revival Fire (1995)
  • Heroes of the Holy Life (2002)

As fontes falam em cerca de 11 livros e mais de 2,5 milhões de exemplares em dezenas de idiomas. Os títulos acima são os que consegui conferir com o ano.

Livros em português

Há edições brasileiras ou portuguesas de vários títulos dele. A tradução do título e a editora variam de uma edição para outra, então confira a ficha do livro antes de comprar.

Quem se interessa pelo tema da oração também pode ler sobre E. M. Bounds, outro autor wesleyano de oração, e sobre o ministério itinerante de Francis Asbury. Para a origem dessa tradição, veja John Wesley.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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