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Dwight L. Moody: o vendedor de sapatos que levou o evangelho a milhões
Em outubro de 1871, o Grande Incêndio de Chicago destruiu a igreja, a casa e a sede da Associação Cristã de Moços onde Dwight L. Moody trabalhava. Aquele desastre o empurrou para uma vida inteira de evangelismo itinerante, que o tornou um dos pregadores mais conhecidos do século XIX.
Vida
Moody nasceu em Northfield, Massachusetts, em 5 de fevereiro de 1837. O pai morreu quando ele tinha cerca de 4 anos, e a mãe criou sozinha nove filhos. Ele estudou pouco, algo parecido com o ensino fundamental de hoje, e nunca frequentou faculdade nem seminário, nem foi ordenado. Aos 17 anos foi para Boston trabalhar na loja de sapatos de um tio.
Em Boston, o professor da escola dominical, Edward Kimball, falou com ele sobre o amor de Deus, e Moody se converteu por volta de 1855. Contamos essa cena em a conversão de D. L. Moody na sapataria de Boston. Pouco depois ele se mudou para Chicago, onde se saiu bem como vendedor de sapatos. Em 1858 abriu uma escola dominical missionária para crianças pobres e, em 1861, deixou os negócios para se dedicar em tempo integral a esse trabalho e à Associação Cristã de Moços (YMCA). Durante a Guerra Civil, atuou com a Comissão Cristã dos Estados Unidos, ligada à YMCA, e visitou as frentes de batalha. Casou-se com Emma Revell em 28 de agosto de 1862, e tiveram três filhos. Em 1864, a escola dominical virou a Igreja Independente da Rua Illinois.
Depois do incêndio de 1871, Moody viajou à Inglaterra com o cantor Ira D. Sankey, no verão de 1873. Passaram cerca de dois anos pregando na Inglaterra, na Escócia e na Irlanda. Voltaram aos Estados Unidos famosos e conduziram campanhas em grandes cidades e em cidades pequenas entre 1875 e 1878. Entre os pregadores ingleses que o influenciaram está Henry Moorhouse, de quem falamos em Henry Moorhouse, o evangelista que moveu D. L. Moody.
Moody voltou à região de Northfield e organizou ali uma obra educacional: a escola para meninas (1879), a primeira conferência bíblica de verão (1880) e a escola para meninos de Mount Hermon (1881). Em 1886 lançou em Chicago o Instituto Bíblico da Chicago Evangelization Society, que depois de sua morte passou a se chamar Moody Bible Institute. Naquele mesmo ano, uma reunião de estudantes universitários em Mount Hermon é apontada como o início do Movimento Estudantil Voluntário para as missões. Em 1894 ele criou a Associação de Colportagem, que levava livros e folhetos cristãos em carroças.
Moody pregou seu último sermão em Kansas City, em 16 de novembro de 1899, e morreu em Northfield em 22 de dezembro de 1899, aos 62 anos. Calcula-se que ele levou o plano da salvação a cerca de cem milhões de pessoas, de viva voz ou por escrito.
Pensamento
Moody não foi um teólogo de gabinete, e por isso a pergunta sobre o lugar dele no arminianismo pede cautela. Nós o classificamos como simpatizante: ele pregava a oferta universal da salvação e a responsabilidade de cada pessoa responder pela fé, que são ênfases arminianas, mas ensinava que quem entra na graça permanece nela, e os arminianos clássicos não aceitam isso.
O historiador Stanley N. Gundry, autor de Love Them In, estudo de referência sobre a teologia de Moody, explica que ele sofreu duas influências: as tendências arminianas do evangelicalismo norte-americano e as ideias mais calvinistas dos evangélicos britânicos. Segundo Gundry, os arminianos ficavam desconfortáveis com a visão dele sobre a eleição e a segurança eterna, e os calvinistas, com a ênfase na responsabilidade humana de crer e na oferta de salvação a todos. O próprio Moody dizia que não tentava conciliar a soberania de Deus com a liberdade humana. Derek Thomas, em um artigo do Evangelical Times, descreve a teologia de Moody como arminiana, e o historiador George Marsden, citado pela Christian History, a chama de basicamente ortodoxa, mas pouco definida, com pouco espaço para as doutrinas duras, como o castigo eterno.
Na prática, para Moody o convite do evangelho vale para todos, e quem ouve é chamado a responder. Esse é o ponto em que ele se aproxima do que explicamos em Arminianismo: expiação para todos e em uma introdução à soteriologia arminiana. Quando o assunto é a perseverança, ele ensinava que o Espírito Santo estabelece uma relação permanente com o crente no novo nascimento, a ideia conhecida como “uma vez na graça, sempre na graça”. A história dele aparece em Segurança da salvação: Moody e a arca de Noé.
Aqui está a diferença com a declaração de fé deste site. Eu creio que a perseverança é condicional, isto é, que a fé salvadora pode ser abandonada, como explicamos em Arminianismo: a segurança da salvação. Moody pensava diferente nesse ponto, e é por isso que o chamamos de simpatizante, e não de arminiano pleno. Para conhecer outro pregador do avivamento, leia a conversão de Charles Finney e, para um teólogo arminiano de formação sistemática, John Wesley: vida e legado.
A Christianity Today lembra que a estratégia de Moody foi sempre “amá-los para dentro do reino”.
Obras principais
- Secret Power (1881), sobre o poder do Espírito Santo para o serviço cristão.
- Prevailing Prayer: What Hinders It? (1884), sobre a oração.
- Hinários publicados com Ira D. Sankey, na época das campanhas na Grã-Bretanha.
- Instituições: escola para meninas de Northfield (1879), Mount Hermon (1881), Moody Bible Institute (1886) e a Associação de Colportagem (1894).
Livros em português
- A oração que prevalece (Mundo Cristão, 2021). Ver na Amazon · Ver na Shopee
Para aprofundar
- Stanley N. Gundry, Questions About Moody’s Theology, Christian History, edição 25.
- The Life & Times of D. L. Moody, Christian History Institute.
- Dwight L. Moody, Wikipédia (em inglês).
- Moody Bible Institute, Wikipédia (em inglês).
- D. L. Moody, Evangelical Times.
- Loving Them into the Kingdom, Christianity Today.
Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.
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