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Antonio Gilberto: o professor que ensinou a Escola Dominical das Assembleias de Deus

Diego Gonçalves5 min de leitura1.071 palavras

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Neste texto

Em 30 de julho de 2018, morreu no Rio de Janeiro, aos 91 anos, um homem que treinou professores de Escola Dominical por mais de quatro décadas. Antonio Gilberto da Silva recusou convites para pastorear igrejas, por entender que o seu chamado era o ensino, e as notícias da época o chamam de educador, jornalista, teólogo e escritor. Ainda assim, quem passou por uma classe de Escola Dominical das Assembleias de Deus no Brasil provavelmente estudou com materiais que ele ajudou a moldar.

Vida

Antonio Gilberto nasceu em Várzea, no Rio Grande do Norte, em 7 de junho. A maioria das fontes indica o ano de 1927; um blog de igreja local fala em 1929, e por isso tratamos o ano com cautela. Converteu-se aos 14 anos por meio do irmão mais velho, José Apolônio da Silva, que também se tornou pastor nas Assembleias de Deus.

Em 1948 entrou na Marinha do Brasil e foi transferido para o Rio de Janeiro, onde passou a frequentar a Assembleia de Deus de São Cristóvão. Atuou nas áreas de eletrônica e comunicações e foi para a reserva em 1978. Em paralelo, estudou: as biografias falam de formação em Teologia, Letras, Psicologia e Pedagogia, e de um mestrado em Educação pela Biola University, nos Estados Unidos. Os títulos variam de uma fonte para outra, então vale tomá-los como referência geral.

O ministério de ensino começou nos anos 1950, com cursos para obreiros. Em 1961 ele esteve entre os fundadores do Instituto Bíblico Pentecostal, no Rio, onde lecionou por cerca de 22 anos. Em 1974, a pedido da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), criou o CAPED, o curso de aperfeiçoamento para professores de Escola Dominical. Foi ordenado pastor em 1976, atuou como diretor de Publicações da CPAD entre 1989 e 1992 e, desde 1997, foi consultor doutrinário e teológico da editora até o fim da vida.

Ele também concluiu a Bíblia de Estudo Pentecostal depois da morte do missionário Donald Stamps, projeto que, segundo ele mesmo contou em entrevista, levou cerca de dez anos. Entrou na Academia Evangélica de Letras do Brasil e, em 2017, recebeu da AETAL o título de Personalidade Teológica do Ano.

Pensamento

Classe: arminiano pentecostal. A posição dele aparece com clareza em uma entrevista de 2015. Ali ele disse que a Bíblia “trabalha com a ideia de apostasia” e, por isso, rejeitou a fórmula “uma vez salvo, para sempre salvo”. Também afirmou que Calvino exagerou na predestinação e chamou o arminianismo de bíblico, embora tenha alertado contra o excesso de autonomia humana.

Vale explicar os termos. Apostasia é o abandono da fé por quem antes a tinha; quem a admite defende a perseverança condicional, a ideia de que o crente permanece salvo enquanto permanece em Cristo pela fé. Eleição condicional é a convicção de que Deus escolhe os que creem, e não que a fé seja consequência de uma escolha anterior. Gilberto aceitava a predestinação, mas a ligava a quem já está em Cristo. E, mesmo defendendo a participação humana, insistia que “a fé sempre vem de fora, de Deus”, o que combina com a graça preveniente, a graça que vai à frente da pessoa e a capacita a responder.

Sobre a declaração de fé deste site, a convergência é grande em dois pontos: a graça resistível e a perseverança condicional. A diferença está no acento pentecostal. Gilberto foi batizado no Espírito Santo em 1952 e ensinou essa experiência como parte central da doutrina das Assembleias de Deus, tema que a nossa declaração de fé não desenvolve. Sobre isso, veja também o Espírito Santo em Joel e em Pentecostes e a comparação entre metodistas e pentecostais.

A raiz comum com Jacó Armínio e John Wesley é a convicção de que Deus quer salvar todos e de que a resposta humana, dada pela graça, importa. Para entender o lugar dele entre as igrejas brasileiras, leia também Assembleia de Deus e Quadrangular.

Obras principais

Os anos de publicação nem sempre aparecem nas fontes que consultei, então só indico os que pude confirmar. No total, as biografias citam cerca de 20 títulos e mais de cem artigos para periódicos pentecostais.

  • A Prática do Evangelismo Pessoal, seu primeiro livro.
  • Manual da Escola Dominical, base do CAPED desde 1974 (a CPAD lançou uma “Edição Histórica 1974-2014”).
  • A Bíblia Através dos Séculos.
  • Crescimento em Cristo.
  • Verdades Pentecostais.
  • O Fruto do Espírito (edição da CPAD de 2004, segundo uma biografia).
  • Teologia Sistemática Pentecostal (CPAD, prefácio de 2008), obra coletiva da qual foi editor geral e autor da parte de Soteriologia.

Livros em português

Edições brasileiras da CPAD.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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