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HistóriaArminianismo15 de 46

Albert C. Outler: o historiador metodista que deu ao mundo o quadrilátero wesleyano

Diego Gonçalves5 min de leitura902 palavras

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Neste texto

Em 1968, quando a Igreja Metodista Unida nasceu em Dallas, a Conferência de União teve um pregador à altura da ocasião: Albert Outler. Ele era filho de pastor, criado na Geórgia, ministro metodista e professor de teologia, e passou a vida lendo os pais da Igreja e John Wesley com a mesma atenção. Dessa leitura saiu uma expressão que até hoje aparece em quase todo seminário metodista: o quadrilátero wesleyano.

Vida

Albert Cook Outler nasceu em 17 de novembro de 1908, na Geórgia, nos Estados Unidos, numa casa pastoral: o pai era pastor metodista no sul do estado. Formou-se no Wofford College e, ordenado ancião metodista, serviu em algumas igrejas da Geórgia antes de seguir para a vida acadêmica. Fez o doutorado em Yale, concluído em 1938. Sua obra sobre o platonismo de Clemente de Alexandria é de 1940.

Ensinou teologia em Duke e em Yale e, por fim, na Perkins School of Theology, da Southern Methodist University (SMU), no Texas. Segundo o relato da Perkins, ele chegou a pesar a saída de Yale, porque a SMU oferecia mais salário e a chance de servir o metodismo no Sul, onde ele nasceu. Lecionou história da Igreja, teologia, doutrina e estudos wesleyanos.

Outler foi também um nome do ecumenismo. Participou do conselho de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e foi observador oficial dos metodistas no Concílio Vaticano II. Quando as igrejas metodistas se uniram em 1968, liderou a comissão de estudo doutrinário e ajudou a preparar a declaração teológica da nova denominação. Morreu em 1º de setembro de 1989. Nessa época, ainda era o editor-chefe da edição crítica das obras de Wesley, a que hoje se considera a edição de referência. Seus papéis, guardados na Biblioteca Bridwell, da SMU, ocupam cerca de 370 caixas de arquivo.

Pensamento

Outler é wesleyano: um teólogo metodista cuja obra foi devolver Wesley ao lugar de teólogo sério. Seu livro John Wesley (1964) é apontado como o primeiro a defender que Wesley foi um teólogo importante da tradição ocidental, e não apenas um líder de avivamento. Não encontrei nas fontes uma declaração dele se dizendo “arminiano”. Por isso a classificação vem da tradição que ele serve e expõe, a mesma que sustenta a graça para todos e a resposta livre do ser humano a ela.

A ideia mais conhecida é o quadrilátero wesleyano: quatro fontes pelas quais Wesley chegava às suas conclusões, a Escritura, a tradição da Igreja, a razão e a experiência cristã. Em palavras comuns, a Bíblia vem primeiro, e a tradição, a razão e a experiência ajudam a lê-la e a conferi-la. Há debate entre os estudiosos sobre o quanto o quadrilátero é fiel ao próprio Wesley, e o próprio termo é de Outler, não de Wesley. Também se atribui a ele um peso novo dado à tradição da Igreja na teologia wesleyana, em parte por sua familiaridade com Orígenes, Agostinho e Cirilo de Alexandria. Esse gosto pelos antigos influenciou depois o movimento paleo-ortodoxo e teólogos como Thomas Oden.

Numa entrevista de 1984, Outler disse ver em Wesley o acerto na “ordem da salvação”, com o foco na graça: somos amados, por isso estamos livres para amar. Essa ênfase conversa com a nossa declaração de fé, que também afirma a graça que antecede a decisão humana e a santificação como obra de Deus. Sobre a perseverança condicional e a inteira santificação, não vou atribuir a ele posições que as fontes consultadas não documentam. Aqui há uma diferença de método que vale apontar sem polêmica: nós, na nossa declaração, damos à Escritura a autoridade final, e o quadrilátero, nas leituras mais frouxas, às vezes é usado como se as quatro fontes pesassem igual.

Para ver o quadrilátero em ação, leia a introdução ao quadrilátero wesleyano. Para o contexto, vale ler as biografias de John Wesley, Charles Wesley, Thomas Oden e Randy Maddox, que revê o quadrilátero de Outler, e também o texto Soteriologia Arminiana e a biografia de Jacó Armínio.

Obras principais

  • The “Platonism” of Clement of Alexandria (1940).
  • Psychotherapy and the Christian Message (1954).
  • Augustine: Confessions and Enchiridion (organizador, 1955).
  • The Christian Tradition and the Unity We Seek (1957).
  • John Wesley (organizador e introdutor, 1964).
  • Methodist Observer at Vatican II (1967).
  • Who Trusts in God: Musings on the Meaning of Providence (1968).
  • Theology in the Wesleyan Spirit (1975).
  • Os volumes dos sermões na Works of John Wesley (Abingdon Press), de que foi editor.
  • John Wesley’s Sermons: An Introduction e The Wesleyan Theological Heritage (com Thomas C. Oden), ambos de 1991, póstumos.

Livros em português

Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português. Theology in the Wesleyan Spirit tem edição em espanhol, mas não encontrei em português. Quem lê inglês encontra a coletânea John Wesley (1964) e os volumes dos sermões na edição crítica.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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