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HistóriaTeólogos arminianos2 de 57

Albert Taylor Bledsoe: o matemático que escreveu uma teodiceia contra Jonathan Edwards

Diego Gonçalves5 min de leitura1.077 palavras

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Neste texto

Na introdução da sua Theodicy (1853), Albert Taylor Bledsoe faz uma confissão rara em livro de teologia. Escrevendo de si mesmo em terceira pessoa, diz que não sabe dizer se, no começo das suas investigações, era mais arminiano ou mais calvinista. Conta que a leitura das grandes obras calvinistas o convenceu de que o esquema arminiano não se sustentava, que ele abraçou o calvinismo de Edwards “com algumas exceções” e que só depois, meditando sobre o que lhe parecia uma falha dentro do próprio calvinismo, mudou de opinião. E faz questão de dizer que não chegou ali por oposição aos calvinistas, de quem fala com respeito.

Retrato de Albert Taylor Bledsoe
Retrato de Albert Taylor Bledsoe, reproduzido em livro de 1915. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Vida

Bledsoe nasceu em 9 de novembro de 1809, em Frankfort, no Kentucky, e morreu em 8 de dezembro de 1877, em Alexandria, na Virgínia. Foi cadete em West Point de 1825 a 1830, na mesma época de Jefferson Davis e Robert E. Lee. Depois de dois anos no exército, estudou direito e teologia no Kenyon College, em Ohio.

Em 1835 tornou-se ministro episcopal, auxiliar do bispo Benjamin Bosworth Smith, no Kentucky. Deixou o ministério em 1838, segundo a Wikipédia por causa da sua oposição ao batismo de crianças, e mudou-se para Springfield, em Illinois, onde advogou. Foi sócio de Edward D. Baker e conheceu Abraham Lincoln, de quem foi amigo e colega de foro até deixar a cidade, em 1847. De 1840 a 1848 atuou diante da Suprema Corte, em Washington.

Daí em diante a carreira foi a de professor: matemática no Kenyon e na Universidade Miami, depois matemática e astronomia na Universidade do Mississippi (1848-1854) e matemática na Universidade da Virgínia (1854-1861). Na Guerra Civil, serviu à Confederação como coronel e depois como subsecretário de guerra em exercício, e em 1863 foi à Inglaterra defender a causa sulista. Depois da guerra, dirigiu a Southern Review, de Baltimore, até morrer. Defendeu a escravidão e a secessão por escrito, e esse lado da sua obra pesa na avaliação que se faz dele. Segundo a Wikipédia, foi ordenado ministro metodista em 1871, sem nunca ter dirigido uma igreja.

Pensamento

Classe: simpatizante. Bledsoe não se disse arminiano, e o texto dele mostra por quê. Rejeita a eleição e a reprovação incondicionais, nega que Deus seja autor do pecado e afirma que Deus quer a salvação de todos, o que o põe ao lado do arminianismo nos pontos centrais. Mas ele recusa o rótulo de partido e critica também a solução arminiana.

O primeiro livro foi o Examination of President Edwards’ Inquiry into the Freedom of the Will (1845). Edwards sustentava que a vontade sempre segue o motivo mais forte, e que isso é compatível com a responsabilidade moral. Bledsoe contesta essa ligação entre motivo e escolha e defende que, sem uma liberdade real, a virtude e o pecado perdem o sentido.

Na Theodicy ele leva a discussão a Deus. A teodiceia é a tentativa de mostrar como a existência do mal combina com a bondade de Deus. Os títulos dos capítulos mostram o argumento: o “esquema da necessidade” faz de Deus o autor do pecado, e a Escritura mostra um Deus que “deseja e busca a salvação de todos os homens”. Para Bledsoe, uma santidade imposta pela força é uma contradição em termos, e por isso Deus não produz virtude só pelo seu poder. Ele ataca o esquema calvinista de eleição e reprovação e discute Romanos 9, que lê como tratando de nações e privilégios históricos, e não da condenação eterna de indivíduos. Concorda com calvinistas e arminianos num ponto: ninguém é eleito por mérito.

Aqui está a distância em relação ao arminianismo clássico. Bledsoe argumenta a partir da natureza da vontade e da bondade de Deus. No texto da Theodicy que conferi, a graça preveniente não aparece, e Wesley não é citado. O arminianismo clássico, como o descrevemos neste site, ancora a liberdade de crer na graça que liberta uma vontade incapaz por si mesma (veja a graça preveniente em Armínio e a doutrina da depravação total). Bledsoe fala de liberdade como exigência da moralidade, e nisso fica mais perto de uma filosofia da vontade do que de uma doutrina da graça.

Ele ainda diz que muitos arminianos admitem que o esquema deles apenas atenua a dificuldade: se Deus podia salvar todos e não o fez, a diferença para o calvinismo diminui. Isso mostra que ele quer um caminho próprio. Para o essencial do assunto, vale ler Predestinação e livre-arbítrio: a tensão bíblica.

Entre os metodistas que responderam a Edwards, veja Daniel Whedon, que publicou Freedom of the Will em 1864, e John Miley. A matriz do debate está em Jacó Armínio e John Wesley.

Obras principais

  • An Examination of President Edwards’ Inquiry into the Freedom of the Will (1845)
  • A Theodicy, or Vindication of the Divine Glory (1853)
  • An Essay on Liberty and Slavery (1856)
  • Is Davis a Traitor? or Was Secession a Constitutional Right previous to the War of 1861? (1866)
  • The Philosophy of Mathematics (1868)

Livros em português

Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português. As duas obras teológicas estão em domínio público em inglês: o Examination, no Projeto Gutenberg, e a Theodicy, em PDF no SermonIndex.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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