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HistóriaArminianismo8 de 24

Francis Asbury: o bispo a cavalo que levou o metodismo ao interior dos Estados Unidos

Diego Gonçalves5 min de leitura970 palavras

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Neste texto

Em 24 de março de 1816, Francis Asbury pregou em Richmond, na Virgínia. Foi o último sermão dele. Uma semana depois, em 31 de março, morreu numa casa de Spotsylvania, também na Virgínia, aos 70 anos. Não tinha casa própria, nunca se casou e nunca voltou à Inglaterra.

Retrato de Francis Asbury
Retrato de Francis Asbury, por John Paradise, 1813. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Vida

Asbury nasceu em 20 ou 21 de agosto de 1745, perto de Birmingham, na Inglaterra (as fontes divergem entre Hamstead Bridge e Handsworth). Cresceu em Great Barr, em Staffordshire, e deixou a escola cedo para trabalhar. A mãe, Elizabeth, se aproximou dos metodistas depois da visita de pregadores itinerantes e o incentivou a participar das reuniões de Wednesbury. Ali ele se converteu por volta dos 15 anos, começou a dirigir uma classe metodista e passou a pregar.

Em 1766 tornou-se pregador itinerante em tempo integral, em experiência, e serviu em vários circuitos ingleses. Em agosto de 1771, na Conferência de Bristol, John Wesley pediu voluntários para a América, e Asbury se ofereceu. Partiu em 4 de setembro e desembarcou na Filadélfia em 27 de outubro de 1771, com 26 anos.

Quando a Guerra de Independência começou, em 1775, quase todos os pregadores metodistas ingleses voltaram para casa. Asbury e James Dempster foram os únicos que ficaram, e Asbury defendeu a neutralidade e, quando Maryland exigiu juramento de lealdade, refugiou-se em Delaware, onde o juramento não era exigido.

Em 1784, Wesley nomeou Asbury e Thomas Coke superintendentes do trabalho nos Estados Unidos. Asbury aceitou com uma condição: queria que os pregadores americanos também o confirmassem. No Christmas Conference, em Baltimore, a partir de 24 de dezembro de 1784, nasceu a Igreja Metodista Episcopal. Asbury foi ordenado diácono, presbítero e bispo em três dias seguidos.

Pelos 32 anos seguintes ele percorreu o país a cavalo e de carruagem. O NCpedia fala em cerca de 270 mil milhas ao longo do ministério, e a Wikipédia, em média de 6 mil por ano, pregando em tribunais, tavernas, celeiros e campos. Segundo a Igreja Metodista Unida, sob a liderança dele a igreja passou de 1.200 para 214 mil membros, com mais de 700 pregadores ordenados. A fama de “profeta da longa estrada” vem daí.

Ele ordenou Richard Allen, fundador da Igreja Metodista Episcopal Africana, e pregou contra a escravidão, que chamava de crime contra as leis de Deus. Seu cocheiro e companheiro de viagem, Henry “Black Harry” Hosier, tornou-se um pregador conhecido.

Pensamento

Asbury é wesleyano: pregador e administrador do metodismo de Wesley, cuja teologia é arminiana. Não encontrei tratado doutrinário dele; o que as fontes registram é o diário e as cartas, e a pregação dele segue o metodismo de Wesley. O Christian History Institute resume o que ele pregava com a frase “todos podem ser salvos”, ou seja, Cristo morreu por todos, e não só por alguns, o que é justamente o contrário da eleição incondicional dos calvinistas. A graça de Deus alcança todos, e cada pessoa é chamada a responder.

Outro tema constante foi a santificação, que em palavras comuns é a obra de Deus de transformar o crente por dentro, e não só perdoá-lo. No diário, em 9 de janeiro de 1814, ele escreveu que se sentia impelido a pregar santificação em todo sermão. Aos pregadores, nas cartas, pedia ênfase em convicção de pecado, arrependimento, fé e santidade.

Nossa declaração de fé caminha com ele nos pontos centrais: expiação para todos, graça preveniente (a graça de Deus que vem antes da nossa resposta), perseverança condicional e inteira santificação. Onde não temos texto dele tratando do ponto, não vou lhe atribuir nada além do que está nas fontes. Para a diferença entre o arminianismo de Armínio e o de Wesley, veja Soteriologia Arminiana, o quadrilátero wesleyano e a biografia de Jacó Armínio.

Para o contexto do movimento, leia sobre a conversão de John Wesley, a biografia de Charles Wesley, a de John Fletcher, a de Adam Clarke e a do historiador Abel Stevens, que contou a história do metodismo.

Obras principais

  • Journal and Letters of Francis Asbury, três volumes (Nashville e Londres, 1958), edição de Clark, Potts e Payton, com o diário de 1771 a 1815 e as cartas. Asbury não deixou livros doutrinários.
  • Fundação do Cokesbury College (nome de 1785, em honra a Asbury e Coke), a primeira escola superior metodista episcopal. Foi destruída por um incêndio em 1796.

Livros em português

  • A Vida de Francis Asbury: O Bispo da América, de Darius L. Salter, tradução de Eduardo Paulo Gomes, Secretaria Asbury da Igreja Metodista (edição da Editora Filhos da Graça). Ver na Amazon. Não encontrei anúncio na Shopee.

Não encontrei obra do próprio Asbury traduzida para o português.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.