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HistóriaArminianismo6 de 24

Richard Watson: o marceneiro que escreveu a primeira teologia sistemática do metodismo

Diego Gonçalves5 min de leitura912 palavras

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Neste texto

Em 1795, aos catorze anos, Richard Watson foi colocado como aprendiz na oficina de um marceneiro em Lincoln, na Inglaterra. Pouco mais de trinta anos depois, ele presidia a Conferência Metodista e terminava de escrever a obra que durante décadas serviu de manual de teologia para os pregadores wesleyanos.

Retrato de Richard Watson
Retrato de Richard Watson, gravura de William Thomas Fry, por volta de 1826. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Vida

Richard Watson nasceu em 22 de fevereiro de 1781, em Barton-upon-Humber, em Lincolnshire. Foi o sétimo de dezoito filhos de um seleiro que era dissidente calvinista. A família frequentava a Conexão da Condessa de Huntingdon, e ele foi recebido na capela wesleyana em 1794. Estudou na escola de gramática de Lincoln a partir de 1791 e, em 1795, foi aprendiz de marceneiro.

Pregou o primeiro sermão em 23 de fevereiro de 1796 e logo entrou no ministério itinerante dos metodistas. Foi admitido como pregador itinerante em plena conexão em 1801. Em 1800 publicou An Apology for the Methodists (Uma defesa dos metodistas).

Em 1803 ele passou para a Nova Conexão Metodista, onde foi admitido ao ministério em 1807 e serviu como secretário da conferência. Depois deixou esse grupo e voltou aos wesleyanos. Em 1812 foi readmitido como pregador e enviado a Wakefield; de 1814 a 1816 serviu em Hull.

Na década de 1810 ele se tornou uma voz importante das missões metodistas. Foi um dos dois secretários gerais da Sociedade Missionária Wesleyana de 1821 a 1827 e escreveu em defesa do trabalho missionário nas Índias Ocidentais. Foi presidente da Conferência Metodista em 1826-1827. Passou por Manchester entre 1827 e 1829, voltou a Londres e, em 1832, assumiu de novo o posto de secretário residente da Sociedade Missionária. A saúde dele piorou a partir de 1828. Ele morreu em Londres, em 8 de janeiro de 1833, aos 51 anos, e foi sepultado atrás da capela de City Road. Sobre a missão metodista nessa época, veja também a biografia de Thomas Coke.

Pensamento

Watson é wesleyano: um metodista que apresentou o arminianismo de John Wesley de forma organizada. Um dos verbetes que consultei o descreve como trinitário ortodoxo e arminiano evangélico. O motivo está na obra principal dele, os Theological Institutes, publicados entre 1823 e 1829 e considerados uma das primeiras tentativas de ordenar a teologia de Wesley num sistema, isto é, de tratar cada doutrina na sequência de um manual. Arminiano, aqui, quer dizer quem ensina que Cristo morreu por todos e que a salvação depende de uma resposta de fé que a graça de Deus torna possível, em vez de uma eleição decidida sem levar em conta o ser humano.

Ele também era fiel à organização da Igreja metodista. Os verbetes registram que defendeu a disciplina da Conexão wesleyana e se opôs às tendências de independência de 1828. Chamou a Igreja da Inglaterra de “a mãe de todos nós” e queria boas relações com ela.

Em 1818 ele escreveu um tratado sobre a filiação eterna de Cristo, em resposta ao que Adam Clarke tinha dito no comentário bíblico dele. Clarke tem biografia aqui no site, e o próprio texto dele cita Watson ao lado de John Fletcher entre os teólogos wesleyanos.

Sobre a escravidão, Watson foi um dos opositores britânicos mais conhecidos do sistema. As fontes registram, porém, que ele não defendia a emancipação imediata, e sim um caminho gradual, e redigiu resoluções missionárias sobre o tema em 1825 e 1830.

A nossa declaração de fé concorda com a tradição que Watson representa nos pontos centrais: expiação para todos, graça preveniente, graça resistível e perseverança condicional. Não encontrei, nas fontes consultadas, um resumo preciso de como ele tratou cada um desses pontos nos Institutes, e por isso não atribuo a ele nada além do que está documentado.

Para ver os temas em torno dele, leia as biografias de John Wesley, de Charles Wesley, de John Fletcher e de Jacó Armínio. Sobre a doutrina, veja Soteriologia Arminiana, Arminianismo: É Tudo Sobre a Graça, Presciência, Eleição e Predestinação e Arminianismo: A Segurança da Salvação.

Obras principais

  • An Apology for the Methodists (1800).
  • A Defence of the Wesleyan Methodist Missions in the West Indies (1817).
  • Eternal Sonship (1818), tratado contra o que Adam Clarke escreveu no comentário dele.
  • Observations on Mr. Southey’s Life of Wesley (1820).
  • The Religious Instruction of the Slaves in the West India Colonies Advocated and Defended (1824).
  • Theological Institutes (1823-1829, seis partes).
  • Conversations for the Young (1830).
  • A Biblical and Theological Dictionary (1831).
  • The Life of the Rev. John Wesley (1831).
  • An Exposition of the Gospels of St. Matthew and St. Mark (1833, publicada depois da morte dele, editada por Thomas Jackson).
  • Works (1834-1837, doze volumes, editados por Thomas Jackson).

Livros em português

Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português. Quem lê inglês encontra os Theological Institutes em reedições, como a da Lexham Press.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.