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HistóriaTeólogos arminianos7 de 57

Richard S. Taylor: o professor nazareno que defendeu a santidade como crise instantânea

Diego Gonçalves6 min de leitura1.139 palavras

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Neste texto

Em março de 1999, aos 87 anos, Richard S. Taylor publicou na revista God’s Revivalist um artigo com o título provocador “Por que o movimento de santidade morreu”. Ele mesmo admitiu que o título era um exagero retórico, mas defendia que a mensagem da santidade estava em perigo. Esse tom de quem guarda uma herança resume bem o homem que, por décadas, ensinou os pastores da Igreja do Nazareno a pensar sobre o pecado e a santificação.

Vida

Richard Shelley Taylor nasceu em 30 de março de 1912, em Cornelius, no Oregon (Estados Unidos), e morreu em 2006. A Wikipédia em inglês dá 19 de junho; uma nota de obituário no Seattle Times diz que ele morreu em Covina, na Califórnia, no dia 21. Como as fontes divergem, não afirmo o dia.

Estudou no Northwest Nazarene College, fez o mestrado no Pasadena College (1945) e o doutorado em teologia na Escola de Teologia da Universidade de Boston, em 1953 segundo a Wikipédia (o obituário aponta 1952). Foi pastor de igrejas nazarenas em cidades de Washington, do Oregon e de Massachusetts.

Em 1952 foi nomeado o primeiro diretor do Nazarene Bible College, na Austrália, criado com apoio da Sociedade de Jovens Nazarenos. A propriedade ficava em Thornleigh, perto de Sydney, e as aulas começaram em 1953. O obituário informa que ele dirigiu a escola até 1960. Hoje a instituição fica em Queensland e se chama Nazarene Theological College desde 1993.

Depois voltou aos Estados Unidos e ensinou no Seminário Teológico Nazareno, em Kansas City, entre 1961 e 1977, segundo o obituário. Foi também editor da revista Preacher’s Magazine por oito anos. O mesmo obituário fala em 33 livros.

Pensamento

Taylor é wesleyano: pertence à tradição de John Wesley, do movimento de santidade e da Igreja do Nazareno. Por isso é arminiano nos pontos que separam essa tradição do calvinismo. O estudo de Mark Quanstrom, A Century of Holiness Theology (2004), descreve o primeiro livro dele, A Right Conception of Sin, como uma polêmica contra a definição calvinista de pecado. Ali Taylor rejeita a ideia de um “santo pecador”: para ele, a justiça não é só atribuída ao crente, mas também comunicada ao coração na inteira santificação.

Alguns termos ajudam. Inteira santificação é, na tradição wesleyana, uma obra de Deus posterior à conversão, recebida pela fé, em que o coração do crente é purificado e cheio de amor a Deus e ao próximo. Pecado herdado é a inclinação para o mal que cada pessoa traz desde a queda de Adão, distinta dos atos pecaminosos que ela escolhe praticar.

Em A Right Conception of Sin (1945), segundo Quanstrom, Taylor distingue a natureza pecaminosa da natureza humana, e as transgressões voluntárias de uma lei conhecida das enfermidades: erros, limitações e fraquezas que permanecem mesmo depois da inteira santificação. Para ele, pecado exige conhecimento e intenção. Esse tema volta em Life in the Spirit (1966).

Em Exploring Christian Holiness, volume 3 (1985), ele sustenta que há diferença de qualidade entre a santificação inicial e a inteira santificação, e que esta é o batismo com o Espírito Santo. Quanstrom resume a posição dele: a santificação seria um ato instantâneo de purificação, e preferir o processo gradual seria marca da mente carnal. Nesse volume Taylor contestou diretamente Mildred Bangs Wynkoop e H. Ray Dunning, e escreveu que negar uma inclinação herdada ao pecado é pelagianismo e “certamente não é wesleyano”. Esse debate dividiu a denominação, e Taylor atribuiu parte do declínio da mensagem de santidade a A Theology of Love, de Wynkoop.

Em relação à nossa declaração de fé, o ponto de contato é amplo: também afirmamos a inteira santificação como obra da graça, posterior à regeneração e recebida pela fé, que purifica o coração do pecado original. A diferença está no acento. Taylor insistia na crise instantânea e a identificava com o batismo com o Espírito. Nós falamos de uma santificação que começa na regeneração e continua pela vida toda, sem definir a inteira santificação como crise única nem como batismo com o Espírito. Para a base do tema, veja Santificação: a reforma interior que dura a vida inteira e Holiness e wesleyana: o que aproxima as tradições.

Ele trabalhou lado a lado com W. T. Purkiser, coautor de Deus, Homem e Salvação, e viveu no ambiente teológico que H. Orton Wiley sistematizou. Sobre a santidade vivida entre os metodistas, leia Metodistas e holiness.

Obras principais

Segundo a Wikipédia em inglês, a Western Hemisphere Digital Library e Quanstrom:

  • A Right Conception of Sin (1945)
  • The Disciplined Life (1962)
  • Life in the Spirit (1966)
  • A Return to Christian Culture (1973)
  • God, Man, and Salvation: A Biblical Theology (1977, com W. T. Purkiser e Willard H. Taylor)
  • Beacon Dictionary of Theology (1984, como editor geral, com J. Kenneth Grider e Willard H. Taylor)
  • Exploring Christian Holiness, volume 3, The Theological Formulation (1985)
  • What Does It Mean to Be Filled with the Spirit? (1995)
  • God’s Integrity and the Cross (1999)
  • What Every Christian Ought to Know (2002)

Livros em português

  • A Vida Disciplinada (Casa Nazarena de Publicações; catálogos de livreiros indicam 2003, mas um vendedor aponta 1981), tradução de The Disciplined Life. Ver na Amazon · Ver na Shopee
  • Dicionário Teológico Beacon (Casa Nazarena de Publicações), edição em português do Beacon Dictionary of Theology (1984), com Taylor como editor geral. Ver na Amazon. Não encontrei anúncio dela na Shopee.
  • Deus, Homem e Salvação: Uma Teologia Bíblica (2020, coleção Identidade Nazarena), com W. T. Purkiser e Willard H. Taylor. Ver na Amazon. Não encontrei anúncio dela na Shopee.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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