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HistóriaTeólogos arminianos18 de 57

E. M. Bounds: o advogado que virou pastor e deixou o mundo de joelhos com os livros sobre oração

Diego Gonçalves6 min de leitura1.194 palavras

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Neste texto

Nos últimos anos de vida, em Washington, na Geórgia, Edward McKendree Bounds se levantava de madrugada para orar. Um estudo sobre o ministério dele conta que ele rezava das quatro às sete da manhã e só depois começava a escrever. Era um pastor aposentado, sem pensão, que vivia na casa dos parentes da esposa. Quando morreu, em 1913, quase ninguém fora da sua igreja conhecia o nome dele. Hoje os livros dele sobre oração continuam sendo reeditados em vários idiomas, inclusive em português.

Retrato de E. M. Bounds
Retrato de E. M. Bounds, fotógrafo desconhecido do exército confederado, 1864. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Vida

Bounds nasceu em 15 de agosto de 1835, no condado de Shelby, no Missouri. Estudou direito e advogou em Hannibal ainda muito jovem, por volta dos dezenove anos. Deixou a advocacia e foi estudar no Centenary Seminary, em Palmyra, também no Missouri. Foi ordenado na Igreja Metodista Episcopal do Sul (a ala sulista do metodismo americano) por volta de 1859 e assumiu a igreja metodista de Monticello. Uma fonte afirma que ele viveu um avivamento e uma “segunda bênção” antes de largar o direito, mas as fontes que consultei não tratam desse detalhe, e por isso não o dou como firmado.

A Guerra Civil americana interrompeu o ministério dele. Por se recusar a prestar juramento de lealdade ao governo da União, foi preso e ficou cerca de um ano e meio detido, até ser solto numa troca de prisioneiros (as fontes divergem entre 1861 e 1862 para a prisão). Serviu depois como capelão no 3º Regimento de Infantaria do Missouri, do exército confederado. Na batalha de Franklin, no Tennessee, levou um golpe de sabre na testa e foi capturado de novo. Foi solto em 28 de junho de 1865, depois de jurar lealdade aos Estados Unidos.

Terminada a guerra, assumiu a igreja metodista de Franklin e ali reuniu homens para longas horas semanais de oração. Em seguida pastoreou igrejas em outros lugares, entre elas algumas de St. Louis. Foi editor do St. Louis Christian Advocate, por oito anos, e editor associado do Nashville Christian Advocate, por quatro, ambos jornais da sua igreja. Retirou-se em Washington, na Geórgia, e passou ali os últimos anos escrevendo e orando. Casou-se duas vezes e teve nove filhos. Morreu em agosto de 1913, aos 78 anos (as fontes divergem quanto ao dia).

Pensamento

Classe: wesleyano. Bounds foi pastor e editor da Igreja Metodista Episcopal do Sul, e a Wikipédia em inglês diz que os seus escritos seguem a “ortodoxia arminiana” na salvação. Um estudo sobre o ministério dele o descreve como escritor da linha wesleyana de santidade, que afirmava a inteira santificação sem alegar ter alcançado a perfeição e sem adotar os exageros de alguns contemporâneos. O mesmo estudo reconhece que Bounds nunca expôs a sua teologia de forma sistemática. A graça preveniente (a graça que Deus dá antes de qualquer decisão nossa, para tornar possível a resposta), por exemplo, é uma doutrina que esperaríamos encontrar nele, mas que ele quase não desenvolveu. Por isso o incluímos na série pela filiação metodista e pelo que afirmou, e não por um tratado de teologia da salvação, que ele não escreveu. Uma tese de doutorado do Seminário Teológico Batista do Sul tratou da relação entre providência e vontade humana na oração em Bounds, o que mostra que o ponto ainda é estudado.

O centro do que ele ensinou é que o pregador precisa ser homem de oração antes de ser homem de púlpito. O livro Preacher and Prayer (em português, Poder pela oração) trata o pastor como alguém cuja vida espiritual sustenta ou esvazia tudo o que ele diz. Na leitura dele, a oração não é um complemento do ministério, e sim a condição para que a pregação tenha poder. Ele também escreveu contra o racionalismo que, no seu tempo, tirava o peso da Bíblia e do evangelismo, e defendeu a obra do Espírito Santo em convencer o pecador.

Isso se encaixa no que Wesley chamava de meios de graça: Deus age pela oração, pela Palavra e pela comunhão para fazer o crente crescer. A nossa declaração de fé afirma o mesmo, e a oração aparece ali como um desses meios. Quanto à inteira santificação, a linha que Bounds seguia é a da nossa declaração, ainda que ele a trate mais como vida de oração do que como doutrina elaborada. Sobre a raiz wesleyana, veja John Wesley: vida e legado e Francis Asbury, o bispo que levou o metodismo à América. Sobre a graça que sustenta a vida de oração, leia Arminianismo é tudo sobre graça.

Há laços com outros nomes da série. Uma fonte diz que Bounds admirava o evangelista Dwight L. Moody. Quem gosta de ler sobre oração e santidade encontra afinidade em A. W. Tozer. E uma frase de Bounds sobre a preparação do pregador aparece em Eu sou um pregador.

Obras principais

Só dois livros saíram em vida. Os demais foram publicados depois da morte dele, com a edição dos amigos Claude Chilton e Homer W. Hodge. As datas abaixo seguem o verbete da Wikipédia, e outras fontes citam datas diferentes para algumas edições.

  • Preacher and Prayer (1907), republicado como Power Through Prayer.
  • The Resurrection (1907), republicado em 1921 como Ineffable Glory.
  • Purpose in Prayer (1920).
  • Prayer and Praying Men (1921).
  • Heaven: A Place, a City, a Home (1921).
  • Satan: His Personality, Power and Overthrow (1922).
  • The Possibilities of Prayer (1923).
  • The Reality of Prayer (1924).
  • The Essentials of Prayer (1925).
  • The Necessity of Prayer (1929).
  • The Weapon of Prayer (1931).

Livros em português

Também circula no Brasil uma edição com o título O poder através da oração, mas as fontes que encontrei não concordam sobre a editora, e por isso não a indico. O anúncio da Shopee pode trazer capa ou edição diferente da da Vida; confira os dados do anúncio antes de comprar.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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