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HistóriaArminianismo1 de 24

Roger Olson: o teólogo batista que se tornou a voz do arminianismo clássico

Diego Gonçalves5 min de leitura907 palavras

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Neste texto

Roger Olson cresceu em uma igreja pentecostal, tornou-se batista e passou quatro décadas ensinando teologia em universidades cristãs. Ao longo dessa carreira ficou conhecido por uma tarefa específica: explicar o arminianismo a quem só o conhecia pela caricatura. Para ele, a maior dessas caricaturas é a de que arminianos seriam semipelagianos, gente que acredita poder se salvar com as próprias forças.

Vida

Roger Eugene Olson nasceu em Des Moines, Iowa, em 2 de fevereiro de 1952. Estudou no Open Bible College, em Des Moines, e no North American Baptist Seminary, e fez doutorado em Estudos Religiosos na Universidade Rice, em 1984, com a tese Trinity and Eschatology, sob orientação de Niels Nielsen. A Wikipédia em inglês informa que ele foi ordenado ministro batista em 1975.

Dos 40 anos de magistério, 15 foram no Bethel College, em St. Paul, Minnesota. Desde 1999 ensinou no Seminário Teológico George W. Truett, da Universidade Baylor, em Waco, no Texas, onde ocupou a cátedra Foy Valentine de Teologia e Ética Cristã. Aposentou-se em dezembro de 2021 e é professor emérito. Mantém um blog no Patheos, no qual responde a perguntas de leitores e debate temas da teologia evangélica.

Pensamento

Olson é arminiano clássico, e o diz sem rodeios: ele se apresenta como arminiano evangélico. Ele define esse sistema com cinco ideias que também aparecem na nossa declaração de fé: depravação total (o ser humano é incapaz de se salvar sozinho), eleição condicional (Deus elege com base na fé que ele prevê), expiação ilimitada (Cristo morreu por todos), graça preveniente (a graça que vai à frente de nós e capacita a vontade a responder) e Deus não ser autor do pecado. Ele chama essa visão de “sinergismo evangélico”: a salvação é obra inteiramente da graça, mas Deus não a impõe: a pessoa é chamada a responder.

O ponto mais conhecido do seu pensamento é a insistência de que o arminianismo faz parte da tradição reformada e evangélica, e não é um desvio dela. Ele argumenta que o arminianismo é uma teologia da graça legítima, e não semipelagianismo. Sobre o tema, o site traz um texto dele traduzido: O Arminianismo é Reformado?. Olson também separa o arminianismo do teísmo aberto, a ideia de que Deus não conhece com certeza as decisões futuras das criaturas.

No debate com o calvinismo, a objeção central dele não é sobre a soberania de Deus, mas sobre o caráter de Deus. Em Contra o Calvinismo (2011) ele sustenta que, se tudo o que acontece foi decretado por Deus, ele acaba sendo apresentado como autor do pecado e do mal. Para evitar isso, Olson defende o livre-arbítrio libertário (a capacidade real de escolher de outro modo) como base da responsabilidade humana. Quem quiser a mesma discussão em linguagem simples pode ler Arminianismo: É Tudo Sobre a Graça e Arminianismo: Expiação para Todos.

Há ainda um lado dele além da polêmica. Olson é historiador da teologia, e The Story of Christian Theology (1999) é um dos manuais mais usados em cursos sobre o assunto. Ele se descreve como “pós-conservador”, termo que ele usa para uma teologia evangélica aberta ao diálogo e à revisão. Esse rótulo é dele; a nossa declaração de fé não o adota.

Nosso texto é uma exposição do mesmo arminianismo que Jacó Armínio defendeu na Holanda e que John Wesley levou ao movimento metodista. Olson, porém, é batista, e a nossa declaração acrescenta a inteira santificação, doutrina wesleyana que não atribuímos a ele. Para o lado wesleyano, leia a biografia de Thomas Oden, a quem Olson cita como autor de uma das melhores exposições da teologia arminiana.

Obras principais

  • 20th-Century Theology, com Stanley Grenz (1992).
  • The Story of Christian Theology (1999).
  • The Mosaic of Christian Belief (2002).
  • Arminian Theology: Myths and Realities (2006).
  • Reformed and Always Reforming (2007).
  • How to Be Evangelical without Being Conservative (2008).
  • Against Calvinism (2011).
  • The Journey of Modern Theology (2013).
  • Arminianism FAQ (2014).
  • Counterfeit Christianity (2015).
  • The Essence of Christian Thought (2017).

Livros em português

Não encontrei anúncio de Contra o Calvinismo na Shopee. Outros títulos dele, como Quem precisa de teologia? (com Stanley Grenz) e A teologia do século 20, circulam em português, mas não conferi as edições.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.