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HistóriaTeólogos arminianos10 de 57

Joseph Benson: o mestre de Kingswood que virou presidente da Conferência Metodista

Diego Gonçalves4 min de leitura851 palavras

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Neste texto

Em 1765, um rapaz de 16 anos saiu do norte da Inglaterra para ouvir John Wesley pregar e acabou seguindo o pregador até Londres. Era Joseph Benson. Em março do ano seguinte, Wesley o levou para Bristol e o pôs como professor de línguas clássicas na escola de Kingswood. Foi o começo de uma vida inteira dedicada ao metodismo.

Retrato de Joseph Benson
Retrato de Joseph Benson, gravura de Thomas Blood a partir de pintura de John Jackson, década de 1810. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Vida

Joseph Benson nasceu em 26 de janeiro de 1749, na paróquia de Kirkoswald, em Cumberland, filho de John Benson e Isabella Robinson. Estudou na escola da aldeia e depois com um pastor presbiteriano, o senhor Dean, que lhe deu base de latim, grego e hebraico. Aos 15 anos abriu uma pequena escola em Gamblesby.

Depois de ouvir Wesley, em 1765, e de assumir a cadeira em Kingswood, em 1766, Benson entrou em 1769 no St Edmund Hall, em Oxford. Em 1770, a condessa de Huntingdon o nomeou diretor do colégio de Trevecca, no País de Gales. A passagem foi curta e difícil: a condessa era calvinista, e Benson era arminiano. O bispo de Worcester ainda se recusou a ordená-lo, e isso o empurrou de vez para o metodismo, onde passou a atuar como pregador itinerante.

Em 28 de janeiro de 1780 casou-se com Sarah Thompson, em Leeds. Nesse mesmo ano teve um atrito com Thomas Coke, que o próprio Wesley resolveu. Mais tarde, nos anos 1790, discordou de outros pregadores sobre a comunhão em igrejas anglicanas. Ele permaneceu simpático à Igreja da Inglaterra e se opunha a que a Ceia fosse celebrada nas capelas metodistas.

Depois da morte de Wesley, em 1791, Benson tornou-se uma das lideranças do movimento. Presidiu a Conferência Metodista em 1798-1799 e em 1810-1811, e de 1803 até morrer dirigiu a Methodist Magazine. Morreu em 16 de fevereiro de 1821, aos 72 anos.

Pensamento

Benson é wesleyano: um metodista que ensinava a doutrina arminiana. O Dictionary of National Biography o chama expressamente de arminiano, e o conflito com a condessa de Huntingdon em Trevecca teve exatamente esse motivo.

Seus escritos mais combativos defendem o cristianismo evangélico contra adversários. Em 1788 respondeu a Joseph Priestley, o cientista e teólogo unitariano que defendia o materialismo e a necessidade. Necessidade, nesse sentido, é a ideia de que toda escolha humana já está determinada por causas anteriores, o que tira o sentido da liberdade e da responsabilidade. Contra isso, Benson escreveu uma defesa da alma imortal e da liberdade humana. Em 1791 publicou uma refutação de objeções contra o Novo Testamento, anexada ao livro Socinianism Unscriptural, de John Fletcher.

Nas fontes que consultei não encontrei um resumo detalhado do ensino dele sobre graça preveniente, perseverança condicional ou inteira santificação. Por isso não atribuo a ele nada além do que está documentado. O que se pode dizer com segurança é que ele pertence à linha de John Wesley, de Fletcher, de Adam Clarke e de Richard Watson, e que a defesa da vontade livre e da responsabilidade humana combina com o que professamos na nossa declaração de fé. O ponto em que ele se afasta de nós, como de outros metodistas da época, é a preferência por manter o metodismo ligado à Igreja da Inglaterra.

Para o contexto doutrinário, veja A Soberania de Deus e o Livre-Arbítrio Humano e Soteriologia Arminiana.

Obras principais

  • Remarks on Dr. Priestley’s System of Materialism and Necessity (1788).
  • A Scriptural Essay towards the Proof of an Immortal Spirit in Man (1788).
  • Defence of the Methodists (1793).
  • Vindication of the People called Methodists (1800).
  • Inspector of Methodism Inspected (1803), resposta a William Hales.
  • The Holy Bible, containing the Old and New Testaments, with Critical, Explanatory and Practical Notes (cinco volumes, 1811-1818).
  • Sermons on Various Occasions (1814).

O comentário em cinco volumes tornou-se a obra mais conhecida dele. O Dictionary of National Biography registra que os metodistas o tinham em alta conta, embora o verbete avalie o valor próprio das notas com mais reservas.

Livros em português

Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português em edição impressa. Existe uma versão do comentário em português para leitura online, versículo por versículo, no site Bíblia Plus, mas não consegui confirmar tradutor nem editora.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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