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HistóriaArminianismo10 de 24

Simão Episcópio: o porta-voz dos remonstrantes que o Sínodo de Dort não quis ouvir

Diego Gonçalves4 min de leitura789 palavras

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Neste texto

Em 1618, no Sínodo de Dort, Simão Episcópio foi escolhido para falar em nome dos remonstrantes, os seguidores de Armínio. O sínodo se recusou a ouvi-lo como havia combinado. Quando as sessões terminaram, em 1619, ele e os demais representantes do grupo perderam os cargos e foram expulsos das Províncias Unidas. Foi no exílio que Episcópio escreveu o texto que deu forma à fé dos remonstrantes.

Retrato de Simão Episcópio
Retrato de Simão Episcópio por Willem Isaacsz. van Swanenburg, 1625. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Vida

Simão Episcópio (em latim, Simon Episcopius; em holandês, Simon Bisschop) nasceu em Amsterdã em 8 de janeiro de 1583, de família patrícia da cidade. Depois da morte dos pais, estudou com uma bolsa da prefeitura na Universidade de Leiden, onde entrou em 1600 e foi aluno de Jacó Armínio e de Franciscus Gomarus. Completou os estudos de hebraico em Franeker.

Em 1610 assinou a Remonstrância, o documento em que os seguidores de Armínio expuseram suas objeções à doutrina calvinista da predestinação, e tornou-se pastor em Bleiswijk, perto de Roterdã. Defendeu a causa remonstrante nas conferências de Haia (1611) e de Delft (1613). Em 1612 foi nomeado professor de teologia em Leiden, num cargo que tinha sido de Gomarus. A nomeação provocou forte oposição de calvinistas, e a aula inaugural sobre o papel do Estado nos assuntos da igreja gerou nova controvérsia.

Depois de Dort, ele se estabeleceu em Antuérpia, onde em 1619 foi fundada a Fraternidade Remonstrante, e depois viveu na França, principalmente em Paris e em Ruão. Voltou aos Países Baixos em 1626, quando o clima político já se tinha abrandado com a morte do príncipe Maurício de Nassau. Foi pregador da igreja remonstrante de Roterdã e, a partir de 1634, reitor e professor do seminário remonstrante de Amsterdã, onde ficou até morrer, em 4 de abril de 1643. Seu sobrinho-neto Philipp van Limborch, também teólogo remonstrante, escreveu a biografia dele.

Pensamento

Episcópio é um arminiano clássico, da linha remonstrante: foi aluno direto de Armínio, assinou a Remonstrância e passou a vida defendendo as suas teses. Os estudiosos o consideram o principal sistematizador da teologia arminiana, porque desenvolveu ideias que Armínio só tinha começado a explorar.

Em três pontos ele segue o mestre:

  • Eleição condicional: Deus elege em Cristo os que respondem com fé, e a escolha dele não é arbitrária.
  • Expiação para todos: Cristo morreu por todos, e a salvação é oferecida a todos.
  • Graça que não anula a liberdade: a graça de Deus age de verdade, mas a pessoa pode resistir a ela.

Em outros pontos ele foi além de Armínio. Insistiu mais na liberdade da vontade humana e ensinou com clareza que o crente pode perder a fé, o que dá à perseverança o caráter de condicional. Defendia que a Bíblia é o fundamento da teologia e preferia a fé prática às discussões abstratas. Críticos o acusaram de simpatia pelo socinianismo, uma corrente que negava a Trindade. Na Apologia de 1629 ele também defendeu a tolerância religiosa, embora tenha escrito muitos textos polêmicos contra calvinistas, católicos e menonitas.

Nossa declaração de fé aqui no blog concorda com ele em praticamente tudo isso: expiação universal, graça que precede a nossa resposta e é resistível, perseverança condicional. A inteira santificação é doutrina que vem de Wesley, e não a atribuímos a Episcópio; sobre esse ponto, veja a biografia de John Wesley.

Para ver como esses temas são tratados no site, leia Soteriologia Arminiana, Presciência, Eleição e Predestinação, Arminianismo: A Segurança da Salvação e O Arminianismo é Reformado?, que lembra que a Fraternidade Remonstrante, a denominação arminiana original, tem raízes nele.

Obras principais

  • Disputatio theologica de autoritate Sanctae Scripturae (1612).
  • Antidotum (1620).
  • Confissão Remonstrante, publicada primeiro em holandês (Belijdenisse ofte verklaringhe, 1621). A data de 1621 aparece na maioria das fontes, mas a edição latina é por vezes datada de 1622.
  • Apologia pro Confessione (1629), em defesa da confissão contra os professores de Leiden.
  • Institutiones theologicae e Opera theologica, publicadas depois da sua morte.

Livros em português

Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.