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HistóriaArminianismo18 de 46

F. Leroy Forlines: o mecânico que virou o maior teólogo sistemático dos batistas de livre-arbítrio

Diego Gonçalves5 min de leitura992 palavras

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Neste texto

Antes de ensinar teologia, Leroy Forlines consertava motores. Criado numa fazenda de tabaco no leste da Carolina do Norte, ele trabalhou como mecânico de automóveis e só depois entrou no ministério. Décadas mais tarde, os colegas o descreveriam como o maior teólogo sistemático dos batistas de livre-arbítrio, e o seu livro sobre a salvação se tornou uma das portas de entrada mais citadas para o arminianismo de língua inglesa.

Vida

Forlines nasceu em 1926, filho de John e Leta Forlines, numa fazenda de tabaco no leste da Carolina do Norte. Segundo o obituário publicado por uma revista dos batistas de livre-arbítrio, ele sentiu o chamado para o ministério em 1946. Entrou no Free Will Baptist Bible College (hoje Welch College), em Nashville, em 1948, e se formou bacharel em 1952. Depois, estudou na Winona Lake School of Theology (mestrado), no Northern Baptist Theological Seminary (bacharelado em divindade) e na Chicago Graduate School of Theology (Th.M.). Ele nunca fez doutorado, embora os alunos o chamassem de “doutor”.

Pastoreou por um ano em Newport News, na Virgínia, e logo voltou ao Welch College, onde lecionou teologia, chefiou o departamento de Bíblia e Teologia e foi diretor de homens e de alunos. Aposentou-se do ensino em tempo integral em 1992, mas continuou lecionando em tempo parcial e morreu como professor emérito de teologia. Em 1996 fez uma viagem de quatro meses pela antiga União Soviética, pregando e dando aulas. Durante cerca de cinquenta anos integrou a Comissão de Integridade Teológica da sua denominação, quase sempre como presidente. Ele morreu em 15 de dezembro de 2020, aos 94 anos.

Pensamento

Classe: batista arminiano de livre-arbítrio. Os batistas de livre-arbítrio descendem dos batistas gerais ingleses do século XVII, como Thomas Helwys e Thomas Grantham, que ensinavam que Cristo morreu por todos. Forlines retoma essa tradição e a combina com Armínio. Um resenhista diz que ele segue “de perto os escritos do próprio Armínio”. Sobre a origem do termo, veja a biografia de Jacó Armínio.

O traço mais característico dele é a ponte com pensadores reformados americanos, como William Shedd e Charles Hodge. Forlines aprendeu com eles um modo de falar da pessoa humana inteira: intelecto, vontade e emoções, que ele chamava de “personalidade total”. Por isso, ele chegava ao arminianismo sem desprezar a tradição reformada. É o assunto de O Arminianismo é reformado?.

Algumas ideias centrais, segundo o resenhista Ben Henshaw:

  • Influência e resposta, não causa e efeito. Para os calvinistas, a ação de Deus sobre a pessoa funciona como causa e efeito. Forlines descreve a relação como Deus que influencia e a pessoa que responde. Para ele, o livre-arbítrio é essencial para que alguém seja pessoa. Sobre o tema, veja A soberania de Deus e o livre-arbítrio humano.
  • Expiação para todos e eleição condicional. Ele defende que Cristo satisfez a justiça de Deus (modelo da satisfação penal) em favor de todos, e rejeita a eleição incondicional. Segundo Henshaw, Forlines dialoga com John Piper sobre Romanos 9 e acha que o texto é mal lido pelos calvinistas. Veja Arminianismo: expiação para todos e Presciência, eleição e predestinação.
  • Justificação pela justiça de Cristo. A justificação se apoia só na atribuição ao crente da obediência e da justiça de Cristo.
  • Perseverança condicional. Ele sustenta a possibilidade real de abandonar a fé salvadora. Para ele, a apostasia é irrevogável, e ele a liga ao “pecado de soberba” do Antigo Testamento. Nós também cremos que o crente pode abandonar a fé, e o assunto está em Arminianismo: a segurança da salvação. Quanto ao caráter irrevogável, não encontrei como o nosso site trata o ponto, e o comparo apenas à declaração de fé.

A diferença com este site está na tradição: os batistas de livre-arbítrio não são da linha de santidade wesleyana. Não encontrei fonte sobre a posição de Forlines a respeito da inteira santificação, por isso não atribuo nada a ele nesse ponto. Em compensação, o desenho geral da salvação (graça que precede, expiação universal, eleição condicional) coincide com o que afirmamos. Para um colega da mesma tradição, veja Robert Picirilli e Robert Shank.

Obras principais

  • The Quest for Truth: Answering Life’s Difficult Questions (Randall House, 2001), sua teologia sistemática.
  • Classical Arminianism: A Theology of Salvation (Randall House, 2011), edição de J. Matthew Pinson, que reorganiza a parte sobre a salvação do livro anterior.
  • Comentário de Romanos, publicado pela Randall House.
  • The Apologetics of Leroy Forlines, coletânea de textos dele sobre apologética.

Ao todo, o obituário fala em oito livros. Só confirmei com segurança as datas acima. Em 2016, a Randall House Academic publicou ainda The Promise of Arminian Theology, uma coletânea de ensaios de vários autores em homenagem a ele.

Livros em português

Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português. Quem quiser conferir se algo novo saiu pode buscar na Amazon; não encontrei nenhuma edição brasileira nem anúncio da Shopee.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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