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Mildred Bangs Wynkoop: a pastora e missionária que fez do amor o centro da teologia wesleyana
Em 1961, quando muita gente da sua idade já pensava em desacelerar, Mildred Wynkoop embarcou para o Japão. Tinha 55 anos, três títulos de pós-graduação e uma longa estrada de pastorados e pregações nos Estados Unidos. No Japão, ela foi presidente fundadora do seminário teológico da Igreja do Nazareno no país. A mulher que depois escreveria um dos livros mais discutidos sobre santidade no século vinte aprendeu a pensar a fé também dentro de uma missão.
Vida
Mildred Olive Bangs nasceu em Seattle, no estado de Washington, em 9 de setembro de 1905, filha de imigrantes noruegueses e suíços. O irmão dela, Carl Bangs, também se tornou teólogo e ficou conhecido pelo trabalho sobre Jacó Armínio.
Estudou na Northwest Nazarene College e depois no Pasadena College, onde conheceu Ralph Carl Wynkoop, com quem se casou em 27 de dezembro de 1928. Concluiu os bacharelados em 1931 e foi ordenada ancião da Igreja do Nazareno em 1934. Durante anos, ela e o marido pastorearam juntos igrejas em Los Angeles, em Ojai e em Marshfield, no Oregon, e trabalharam como evangelistas na costa oeste. Os dois também pastorearam por nove anos a igreja de Brentwood, em Portland.
A formação acadêmica veio com a vida já em movimento: bacharelado em Divindade no Western Evangelical Seminary (1952), mestrado em filosofia na Universidade do Oregon (1953) e doutorado em Teologia (Th.D.) no Northern Baptist Theological Seminary (1955). Ensinou teologia no Western Evangelical Seminary de 1956 a 1960. Entre 1961 e 1966 esteve no Japão, onde fundou e presidiu o Japan Nazarene Theological Seminary, e deu aulas por pouco tempo em Taiwan. De 1966 a 1976 foi professora de teologia e diretora de missões no Trevecca Nazarene College, em Nashville. Entre 1976 e 1979 foi teóloga residente no Nazarene Theological Seminary, em Kansas City.
Wynkoop morreu em 21 de maio de 1997, em Lenexa, no Kansas. Hoje há um centro com o nome dela no Nazarene Theological Seminary, voltado ao ministério de mulheres, e a Wesleyan Theological Society entrega o prêmio de livro Timothy L. Smith e Mildred Bangs Wynkoop, que Kenneth J. Collins recebeu duas vezes.
Pensamento
Classe: wesleyana. Wynkoop pertence à tradição nazarena e do movimento de santidade, que nasce de John Wesley, e ela mesma se apresenta como intérprete dele. Foi moldada desde cedo por H. Orton Wiley, o grande sistematizador nazareno. Nesse mundo, o arminianismo vem pela via wesleyana: graça preveniente (a graça que age em todos antes de qualquer resposta), liberdade responsável diante do chamado de Deus e a convicção de que Deus quer a santidade do crente. Um estudioso que a criticou, Mark Olson, reconhece que ela captou ênfases wesleyanas como a graça preveniente, a cooperação entre Deus e o ser humano e a centralidade do amor.
A ideia que marca a obra dela é que a teologia wesleyana fala melhor em termos de relação do que em termos de coisas. Para Wynkoop, o pecado não é uma substância dentro de nós que Deus precisa extrair, como quem tira um espinho. Pecado é amor desviado: o amor posto num centro falso, que é o próprio eu. Santidade é o contrário, o amor voltado ao centro verdadeiro, que é Deus. Daí vem o subtítulo do livro mais famoso dela, “a dinâmica do wesleyanismo”.
Esse ponto tem consequências. Ela questiona uma separação muito rígida entre a justificação e a santificação, e fala com cautela do “segundo momento de graça”. Na prática, escreveu, um segundo momento costuma ser necessário, mas ela não o apresenta como exigência de princípio. Aqui há uma diferença com a declaração de fé deste site, que afirma a inteira santificação como obra da graça posterior à regeneração, pela qual Deus purifica o coração do pecado original. Nós e ela apontamos para o mesmo alvo, um coração cheio de amor perfeito a Deus e ao próximo. A diferença está na forma de descrever como Deus chega lá.
Há também debate entre os próprios wesleyanos. Olson sustenta que a linguagem relacional de Wynkoop a afasta de Wesley em pontos centrais, como a transformação da disposição do coração (o “temper”, no vocabulário de Wesley) e o modo de falar do pecado original, e a aproxima de Charles Finney. Vale ler o livro com essa discussão ao lado. A própria Wynkoop sempre se apresentou como fiel a Wesley.
Obras principais
- Foundations of Wesleyan-Arminian Theology (1967).
- John Wesley: Christian Revolutionary (1970).
- A Theology of Love: The Dynamic of Wesleyanism (1972; segunda edição em 2015).
- The Occult and the Supernatural (1976).
- The Trevecca Story: 75 Years of Christian Service (1976).
A Theology of Love entrou no curso de estudos ministeriais da Igreja do Nazareno em 1986. O historiador Donald Dayton chamou a obra de Wynkoop de a mais influente para uma nova geração de estudiosos da santidade.
Livros em português
- Uma teologia do amor (Sal Cultural, 2017), tradução de A Theology of Love. Ver na Amazon. Não encontrei anúncio dele na Shopee no momento da pesquisa.
- Fundamentos da Teologia Armínio-Wesleyana (Casa Nazarena de Publicações, com edição digital de 2015), tradução de Foundations of Wesleyan-Arminian Theology. Ver na Amazon. Também sem anúncio na Shopee quando pesquisei.
Para situar o tema da graça dentro do arminianismo, vale ler também a nossa Soteriologia Arminiana.
Para aprofundar
- Mildred Bangs Wynkoop, Wikipédia em inglês.
- Strange Bedfellows: A Reappraisal of Mildred Wynkoop’s “A Theology of Love”, Mark K. Olson, Society of Evangelical Arminians.
- Mildred Bangs Wynkoop, Wesleyan Holiness Digital Library.
Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.
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