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HistóriaArminianismo2 de 46

William Lane Craig: o filósofo que defende a fé em debates e propõe o molinismo

Diego Gonçalves6 min de leitura1.100 palavras

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Neste texto

Em novembro de 2013, William Lane Craig estava no Reino Unido para falar em um simpósio sobre C. S. Lewis e aproveitou a viagem para gravar um debate de rádio com o calvinista Paul Helm. Perguntado se era arminiano, respondeu que sim, “no sentido próprio”, e logo acrescentou que esses rótulos costumam enganar. A resposta resume bem o lugar dele nesta série: Craig não é um arminiano de escola, mas defende uma teologia da graça e da liberdade que anda muito perto da de Armínio.

Retrato de William Lane Craig
William Lane Craig, foto de divulgação do Reasonable Faith, 2014. CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.

Vida

William Lane Craig nasceu em 23 de agosto de 1949, em Peoria, Illinois, e cresceu em Keokuk, Iowa. Segundo o site dele, aos 16 anos, no ensino médio, ouviu o evangelho e entregou a vida a Cristo. Formou-se em comunicação no Wheaton College (1971), com louvor, e estudou no Trinity Evangelical Divinity School, onde concluiu dois mestrados, em filosofia da religião e em história da Igreja (1975). A Wikipédia registra que ali ele estudou com Norman Geisler.

O doutorado em filosofia veio da Universidade de Birmingham, na Inglaterra (1977), com uma tese sobre o argumento cosmológico. O doutorado em teologia saiu da Universidade de Munique (1984), com um trabalho sobre o argumento histórico a favor da ressurreição de Jesus.

Depois disso ele ensinou filosofia da religião no Trinity (1980 a 1986) e estudos religiosos no Westmont College (1986 a 1987). Entre 1987 e 1994 foi pesquisador visitante na Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica. Em seguida passou a professor-pesquisador de filosofia na Talbot School of Theology, da Biola University, na Califórnia, onde hoje consta como professor emérito. Entre 2014 e 2024 também lecionou na Houston Christian University. Fundou o ministério Reasonable Faith (“Fé Razoável”), que publica artigos, perguntas e respostas e vídeos de debates. Entre os adversários com quem debateu estão Christopher Hitchens (2009) e Lawrence Krauss (2011).

Craig é pessoa viva; por isso este texto se limita à vida pública e profissional.

Pensamento

Classe: simpatizante. Craig se diz molinista e aceitou o rótulo de arminiano apenas “no sentido próprio”, como vimos acima. Ele nega que a graça seja irresistível e rejeita que Deus determine todas as escolhas humanas, o que, segundo ele, faria de Deus o autor do pecado. Por esses dois pontos centrais ele entra aqui como simpatizante, e não como arminiano de confissão.

Três ideias dele merecem atenção:

  • Conhecimento médio. O molinismo leva o nome de Luis de Molina, jesuíta do século XVI. A ideia é que Deus conhece, antes de criar, o que cada pessoa livre faria em cada situação possível. Com esse conhecimento, Deus escolhe o mundo em que seus planos se cumprem sem anular a liberdade de ninguém. Craig usa isso para falar de eleição: Deus pode eleger pessoas colocando-as onde sabe que responderiam livremente ao evangelho. Ele mesmo aponta que essa linha chegou ao mundo protestante por meio de Jacó Armínio. Sobre o tema, temos também o texto Presciência, eleição e predestinação.
  • Graça resistível. Craig diz concordar com muito do que os calvinistas afirmam sobre a soberania de Deus, mas aponta a graça irresistível como a diferença principal. Isso se aproxima do que explicamos em Arminianismo e tudo sobre graça.
  • Perseverança. No artigo “Lest Anyone Should Fall” ele argumenta que o crente poderia cair em outros mundos possíveis, mas que, no mundo real, a graça de Deus o sustenta, e que as advertências bíblicas fazem parte dos meios dessa sustentação. A nossa declaração de fé segue a perseverança condicional, em que o crente pode abandonar a fé. Há diferença, então, e ela é real.

O nome dele ficou ligado sobretudo à defesa do argumento cosmológico kalam: tudo o que começa a existir tem uma causa, o universo começou a existir, logo o universo tem uma causa. Craig também defende o argumento histórico a favor da ressurreição de Jesus. Sobre a relação do arminianismo com a tradição reformada, veja Arminianismo é reformado? e Arminianismo: expiação para todos.

Não encontrei fonte segura sobre a igreja ou a denominação a que ele pertence, por isso não afirmo nada a esse respeito.

Obras principais

  • The Kalām Cosmological Argument (1979).
  • Reasonable Faith (1984; 2ª edição, 1994; 3ª edição, 2008).
  • The Historical Argument for the Resurrection of Jesus (1985).
  • The Only Wise God: The Compatibility of Divine Foreknowledge and Human Freedom (Baker, 1987).
  • Divine Foreknowledge and Human Freedom (Brill, 1990).
  • Time and Eternity: Exploring God’s Relationship to Time (Crossway, 2001).
  • God Over All: Divine Aseity and the Challenge of Platonism (Oxford University Press, 2016).
  • Atonement and the Death of Christ (Baylor University Press, 2020).

Livros em português

Até onde pude verificar, The Only Wise God, o livro dele sobre presciência e liberdade, ainda não foi traduzido para o português.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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