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William Lane Craig: o filósofo que defende a fé em debates e propõe o molinismo
Em novembro de 2013, William Lane Craig estava no Reino Unido para falar em um simpósio sobre C. S. Lewis e aproveitou a viagem para gravar um debate de rádio com o calvinista Paul Helm. Perguntado se era arminiano, respondeu que sim, “no sentido próprio”, e logo acrescentou que esses rótulos costumam enganar. A resposta resume bem o lugar dele nesta série: Craig não é um arminiano de escola, mas defende uma teologia da graça e da liberdade que anda muito perto da de Armínio.
Vida
William Lane Craig nasceu em 23 de agosto de 1949, em Peoria, Illinois, e cresceu em Keokuk, Iowa. Segundo o site dele, aos 16 anos, no ensino médio, ouviu o evangelho e entregou a vida a Cristo. Formou-se em comunicação no Wheaton College (1971), com louvor, e estudou no Trinity Evangelical Divinity School, onde concluiu dois mestrados, em filosofia da religião e em história da Igreja (1975). A Wikipédia registra que ali ele estudou com Norman Geisler.
O doutorado em filosofia veio da Universidade de Birmingham, na Inglaterra (1977), com uma tese sobre o argumento cosmológico. O doutorado em teologia saiu da Universidade de Munique (1984), com um trabalho sobre o argumento histórico a favor da ressurreição de Jesus.
Depois disso ele ensinou filosofia da religião no Trinity (1980 a 1986) e estudos religiosos no Westmont College (1986 a 1987). Entre 1987 e 1994 foi pesquisador visitante na Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica. Em seguida passou a professor-pesquisador de filosofia na Talbot School of Theology, da Biola University, na Califórnia, onde hoje consta como professor emérito. Entre 2014 e 2024 também lecionou na Houston Christian University. Fundou o ministério Reasonable Faith (“Fé Razoável”), que publica artigos, perguntas e respostas e vídeos de debates. Entre os adversários com quem debateu estão Christopher Hitchens (2009) e Lawrence Krauss (2011).
Craig é pessoa viva; por isso este texto se limita à vida pública e profissional.
Pensamento
Classe: simpatizante. Craig se diz molinista e aceitou o rótulo de arminiano apenas “no sentido próprio”, como vimos acima. Ele nega que a graça seja irresistível e rejeita que Deus determine todas as escolhas humanas, o que, segundo ele, faria de Deus o autor do pecado. Por esses dois pontos centrais ele entra aqui como simpatizante, e não como arminiano de confissão.
Três ideias dele merecem atenção:
- Conhecimento médio. O molinismo leva o nome de Luis de Molina, jesuíta do século XVI. A ideia é que Deus conhece, antes de criar, o que cada pessoa livre faria em cada situação possível. Com esse conhecimento, Deus escolhe o mundo em que seus planos se cumprem sem anular a liberdade de ninguém. Craig usa isso para falar de eleição: Deus pode eleger pessoas colocando-as onde sabe que responderiam livremente ao evangelho. Ele mesmo aponta que essa linha chegou ao mundo protestante por meio de Jacó Armínio. Sobre o tema, temos também o texto Presciência, eleição e predestinação.
- Graça resistível. Craig diz concordar com muito do que os calvinistas afirmam sobre a soberania de Deus, mas aponta a graça irresistível como a diferença principal. Isso se aproxima do que explicamos em Arminianismo e tudo sobre graça.
- Perseverança. No artigo “Lest Anyone Should Fall” ele argumenta que o crente poderia cair em outros mundos possíveis, mas que, no mundo real, a graça de Deus o sustenta, e que as advertências bíblicas fazem parte dos meios dessa sustentação. A nossa declaração de fé segue a perseverança condicional, em que o crente pode abandonar a fé. Há diferença, então, e ela é real.
O nome dele ficou ligado sobretudo à defesa do argumento cosmológico kalam: tudo o que começa a existir tem uma causa, o universo começou a existir, logo o universo tem uma causa. Craig também defende o argumento histórico a favor da ressurreição de Jesus. Sobre a relação do arminianismo com a tradição reformada, veja Arminianismo é reformado? e Arminianismo: expiação para todos.
Não encontrei fonte segura sobre a igreja ou a denominação a que ele pertence, por isso não afirmo nada a esse respeito.
Obras principais
- The Kalām Cosmological Argument (1979).
- Reasonable Faith (1984; 2ª edição, 1994; 3ª edição, 2008).
- The Historical Argument for the Resurrection of Jesus (1985).
- The Only Wise God: The Compatibility of Divine Foreknowledge and Human Freedom (Baker, 1987).
- Divine Foreknowledge and Human Freedom (Brill, 1990).
- Time and Eternity: Exploring God’s Relationship to Time (Crossway, 2001).
- God Over All: Divine Aseity and the Challenge of Platonism (Oxford University Press, 2016).
- Atonement and the Death of Christ (Baylor University Press, 2020).
Livros em português
- Apologética para questões difíceis da vida (Vida Nova, 2010). Ver na Amazon · Ver na Shopee
- Em guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão (Vida Nova, 2011). Ver na Amazon · Ver na Shopee
- Apologética contemporânea: a veracidade da fé cristã (Vida Nova). Ver na Amazon · Ver na Shopee
Até onde pude verificar, The Only Wise God, o livro dele sobre presciência e liberdade, ainda não foi traduzido para o português.
Para aprofundar
- Reasonable Faith, Biographical Sketch, formação, cargos e publicações.
- Wikipédia, William Lane Craig, ponto de partida biográfico.
- Reasonable Faith, Calvinism vs Molinism, debate com Paul Helm (Unbelievable?, gravado em 2013).
- Reasonable Faith, “Lest Anyone Should Fall”: A Middle Knowledge Perspective on Perseverance and Apostolic Warnings.
Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.
- Biografia
- Teólogos Arminianos
- Personagens
- Arminianismo
- Apologética