AssineApoie
MembrosOs fascículos de cada episódio do canal Crer Para Compreender

HistóriaArminianismo1 de 42

Myer Pearlman: o judeu escocês que escreveu a primeira teologia sistemática das Assembleias de Deus

Diego Gonçalves5 min de leitura944 palavras

Leitura automática pelo seu navegador; pode haver erros de pronúncia.

Áudio em preparo — assine para ser avisado

Neste texto

Em 31 de julho de 1937, o jornal Pentecostal Evangel, das Assembleias de Deus americanas, publicou um trecho de um livro que ainda não tinha saído. O capítulo falava sobre a segurança do crente e começava pelo que acontece com quem se afasta de Deus. O autor era Myer Pearlman, professor de uma escola bíblica em Springfield, no Missouri. Ele tinha 38 ou 39 anos, e o livro, Knowing the Doctrines of the Bible, se tornaria o manual de doutrina de gerações de pastores pentecostais.

Vida

Pearlman nasceu em 1898, em Edimburgo, na Escócia, numa família judia. Aos sete anos mudou-se com a família para Birmingham, na Inglaterra, onde frequentou a escola hebraica. Aos 14 anos, aprendeu francês sozinho. Mais tarde dominaria também hebraico, grego, espanhol e italiano, segundo o Centro de Pesquisa do Pentecostalismo Mundial (IFPHC).

Em 1915 chegou a Nova York. Aos 19 anos entrou para o Corpo Médico do Exército americano e, na Primeira Guerra Mundial, serviu também como intérprete de francês. Depois da guerra foi para a Califórnia e passou a frequentar a Glad Tidings Mission, em São Francisco. Depois de alguns meses ali, converteu-se a Cristo e foi batizado no Espírito Santo.

Formou-se no Central Bible Institute (CBI), em Springfield, em 1925, e foi convidado para o corpo docente logo em seguida. Uma fonte dá 1927 para a formatura, então tratamos esse ano com cautela. Em 1927 casou-se com Irene Graves, filha de F. A. Graves, autor do hino “Honey in the Rock”. Ficou conhecido pelos cursos de síntese do Antigo e do Novo Testamento.

Além de dar aulas, Pearlman preparou por anos as revistas de Escola Dominical para adultos, escreveu para o Pentecostal Evangel e, durante a Segunda Guerra, editou o Reveille, devocional para militares. Morreu em 1943, aos 44 anos, por excesso de trabalho e problemas de saúde, e foi sepultado no cemitério Greenlawn, em Springfield. O anuário do CBI de 1942 foi dedicado a ele, e a biblioteca da escola recebeu o seu nome.

Pensamento

Classe: arminiano pentecostal. Pearlman não se descrevia com esse rótulo, até onde pude verificar. A classificação vem do que ele ensinou. No capítulo sobre a segurança do crente, ele apresenta com justiça a posição de Calvino sobre predestinação e perseverança dos santos e depois expõe a visão arminiana, que é a das Assembleias de Deus. Também discute Hebreus 6 e adverte contra dois erros: viver sem lei e viver sob legalismo. O livro conversa com Agostinho, Calvino, Armínio, Wesley, Whitefield e Spurgeon.

Vale explicar o termo. Perseverança condicional é a convicção de que o crente permanece salvo enquanto permanece em Cristo pela fé, e por isso a Bíblia o exorta a continuar. Quem a defende não vive na insegurança, porque o fundamento está em Cristo. Pearlman chega a esse ponto: ele fecha o capítulo orientando os ministros a insistir nos meios da segurança, que são o poder salvador de Cristo, a fidelidade do Espírito, as promessas de Deus e a oração. Nós tratamos do tema em Arminianismo e a segurança da salvação e em Apostasia na Bíblia.

Ele também lembrava que John Wesley, arminiano, e George Whitefield, calvinista, foram usados por Deus. Esse tom sem polêmica combina com o que buscamos nesta série.

Em relação à declaração de fé deste site, a convergência é clara na perseverança condicional. A diferença está no acento pentecostal: Pearlman ensinava que o batismo no Espírito Santo vem depois da conversão, e a nossa declaração, de linha holiness arminiano-wesleyana, trata de outra experiência posterior à regeneração, a inteira santificação. Sobre as duas tradições, veja metodistas e pentecostais: 8 diferenças. Entre os pentecostais brasileiros da série, o nome mais próximo é o de Antonio Gilberto, que também ensinou a perseverança condicional.

Uma frase dele resume o tom pastoral: “There is no standstill in the spiritual life; if we are not advancing we are retreating”, numa lição de 1934 sobre o crescimento cristão (em tradução livre, não existe parada na vida espiritual: quem não avança, recua).

Obras principais

  • Seeing the Story of the Bible (1930)
  • Why We Believe the Bible Is God’s Book (1931)
  • The Life and Teachings of Christ (1935)
  • Through the Bible Book by Book (1935)
  • The Heavenly Gift (1935)
  • Knowing the Doctrines of the Bible (1937)
  • Minister’s Service Book (1941)
  • Windows Into the Future (1941)
  • Daniel Speaks Today (1943)

Livros em português

Não encontrei edição brasileira confirmada dos outros títulos dele. Existe uma Teología bíblica y sistemática em espanhol, mas essa não é em português.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

140pal/min