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HistóriaTeólogos arminianos6 de 57

A. M. Hills: do Oberlin de Finney aos primeiros anos da Igreja do Nazareno

Diego Gonçalves4 min de leitura791 palavras

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Neste texto

Quando Aaron Merritt Hills escreveu o prefácio da sua teologia sistemática, já tinha ensinado teologia por cerca de trinta anos e fez uma confissão curiosa: as primeiras teologias que leu eram fortemente calvinistas, e esse traço o repelia. Daí em diante ele foi atrás de um sistema de doutrina que servisse para levar pessoas perdidas à salvação. Essa busca ajuda a entender o caminho de um homem que saiu de um lar congregacional e acabou como um dos educadores e escritores dos primeiros anos da Igreja do Nazareno.

Vida

Hills nasceu em 1848 e morreu em 1935. Não consegui confirmar, em fontes acessíveis, o local e a data exata do nascimento, e por isso deixo esses dados de fora. O que o próprio prefácio da sua teologia informa é que ele cresceu em um lar congregacional (a tradição congregacional é a das igrejas que se governam por assembleia local) e estudou em Oberlin e em Yale. Em Oberlin ouviu o ministério de Charles Finney, o grande evangelista de reavivamento do século 19 (sobre ele, veja o texto Hodge e Finney: o debate que chegou às igrejas do Brasil). Em Yale estudou com nomes como Noah Porter e Samuel Harris. Teve um pastorado no começo da carreira e depois passou a ensinar teologia.

O biógrafo Christopher Jon Branstetter, que dedicou ao tema um livro publicado em 2012, apresenta Hills como congregacionalista, amigo de Reuben A. Torrey e postmilenista de reavivamento (postmilenista é quem espera que o evangelho transforme o mundo antes da volta de Cristo). Em 1895, depois de uma experiência que ele descreveu como batismo no Espírito, Hills aderiu ao movimento de santidade. Nos quarenta anos seguintes, segundo a mesma obra, fundou colégios, conduziu reavivamentos de santidade na América e na Grã-Bretanha e escreveu muito.

Uma das instituições que ele presidiu foi o Peniel College, em Greenville, no Texas. Em 1907, Edgar Ellyson assumiu a presidência no lugar dele. Uma tese do seminário nazareno o descreve como graduado em Oberlin e um dos grandes educadores e evangelistas nazarenos. A sua teologia sistemática, publicada em 1931, saiu pelo Pasadena College, na Califórnia.

Pensamento

Dentro do arminianismo, Hills fica na classe wesleyana, na linha da santidade nazarena. O motivo é duplo. Ele mesmo diz que as teologias calvinistas o repeliram e que usou cerca de dez teologias metodistas em sala de aula. E a sua carreira inteira se deu no movimento de santidade, que ensina que o cristão pode ser inteiramente santificado depois da conversão (a “inteira santificação”, ou “segunda bênção”, como o movimento a chama). Para o quadro geral dessa tradição, veja Holiness e wesleyana: o que aproxima as tradições. Não li a seção do livro dele sobre eleição, e por isso não resumo aqui a sua posição sobre cada ponto do debate com o calvinismo.

Outra marca: ele se dizia eclético e afirmava que não fazia “a mínima pretensão de originalidade”. O livro nasceu da sala de aula e é dedicado aos alunos. Hills queria uma teologia que se ligasse à vida cristã e respondesse perguntas como “por que devemos ser santificados, e como?”.

A declaração de fé do Diego está na mesma tradição arminiano-wesleyana e de santidade, de modo que a ênfase de Hills na inteira santificação como obra da graça depois da conversão converge com ela. Uma diferença está no fim dos tempos: Hills era postmilenista, enquanto a declaração de fé do Diego é amilenista e não espera uma era áurea antes da volta de Cristo.

Obras principais

  • A Hero of Faith and Prayer: or, Life of Rev. Martin Wells Knapp (1902), biografia do líder de santidade Martin Wells Knapp.
  • Dying to Live (1905).
  • Fundamental Christian Theology (2 volumes, Pasadena College, 1931).

Livros em português

Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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