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HistóriaArminianismo6 de 42

Carl Bangs: o historiador nazareno que devolveu Armínio ao seu próprio tempo

Diego Gonçalves5 min de leitura1.032 palavras

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Neste texto

Antes de escrever o livro que o tornou conhecido, Carl Bangs tocava trompa. De 1938 a 1943, ainda estudante, ele tocou na orquestra sinfônica da Universidade de Washington e em outras orquestras. Décadas depois, o professor de teologia histórica faria com a vida de Armínio algo parecido com o que o músico faz com uma partitura: voltar ao texto original, sem os arranjos que os séculos acrescentaram.

Vida

Carl Oliver Bangs nasceu em 1922, em Seattle, no estado de Washington. Era irmão mais novo de Mildred Bangs Wynkoop, a teóloga nazarena autora de Uma teologia do amor. Os pais, imigrantes, estiveram entre os membros fundadores da Igreja do Nazareno em Seattle, e a família cresceu dentro dessa tradição. As datas exatas de nascimento divergem entre as fontes que consultei, por isso fico só com o ano.

Estudou no Pasadena College e no Nazarene Theological Seminary, e fez o doutorado na Universidade de Chicago, concluído em 1958, com uma tese sobre Armínio e a teologia reformada. De 1953 a 1961 foi professor de filosofia e religião no Olivet Nazarene College, em Bourbonnais, Illinois. De 1961 em diante ensinou teologia histórica na St. Paul School of Theology, em Kansas City, no Missouri, uma escola metodista, onde passou cerca de três décadas, segundo as notas biográficas dos seus livros e da Wesleyan Holiness Digital Library. Presidiu a American Theological Society (divisão do Meio-Oeste) e a American Society of Church History. Depois de se aposentar, atuou na equipe pastoral de uma igreja metodista unida, segundo o obituário publicado em Kansas City. Morreu em 2002.

O encontro com H. Orton Wiley, o grande sistematizador nazareno, parece ter pesado na escolha do tema. A biografia da irmã registra que foi Wiley quem o estimulou a se tornar autoridade em Armínio e na história do arminianismo na Inglaterra e na América. Mais tarde, em 1977, Bangs proferiu as Conferências Wiley em Teologia, no Point Loma College, em San Diego.

Pensamento

Classe: wesleyano. Bangs foi nazareno de formação e ministério, ligado à tradição que nasce de John Wesley, e passou a vida acadêmica em escolas e instituições do metodismo e do movimento de santidade. Não encontrei nas fontes uma declaração do tipo “sou arminiano”, e não vou inventar uma. O que o coloca nesta série é o conjunto: ele pertence à família wesleyana-arminiana por confissão e por vocação, e foi o historiador moderno mais importante dessa família sobre o seu ponto de partida, Armínio.

O trabalho central dele é de historiador, não de sistematizador. Em Arminius: A Study in the Dutch Reformation, Bangs reconstrói a vida do pastor de Amsterdã e depois professor de Leiden dentro do mundo em que ele viveu. O livro tem muita história intelectual e até uma pequena história da própria cidade de Amsterdã. Em artigo de 1961, “Arminius and the Reformation”, ele já chamava a atenção para erros que se repetiam sobre Armínio, como a ideia de que ele teria crescido no meio de um calvinismo rígido. Estudiosos posteriores citam esse artigo para corrigir essa leitura, e o livro de 1971 é apontado como o marco da retomada do estudo de Armínio dentro dos círculos arminianos.

Isso importa para nós por uma razão prática. Muita discussão sobre o arminianismo parte de caricaturas, tanto de quem ataca quanto de quem defende. Bangs mostra o que Armínio escreveu, em que situação escreveu e com quem discutiu. Quem lê a biografia aprende que as ideias que chamamos de graça preveniente (a graça que age em todos antes de qualquer resposta) e eleição condicional (Deus elege com base na fé que ele conhece de antemão) nasceram de um pastor preocupado com a vida da igreja, e não de um debate abstrato.

Outro fruto do ofício de historiador é a biografia de Phineas Bresee, fundador da Igreja do Nazareno, em que Bangs situa o pregador na história do metodismo e do movimento de santidade. Em Our Roots of Belief, ele explica a fé cristã e a teologia a partir das raízes bíblicas, em linguagem de igreja. A tradição que ele serve ensina a inteira santificação (a obra de Deus que purifica o coração do crente depois da regeneração), ponto que a declaração de fé deste site também afirma. Como Bangs escreveu mais como historiador do que como autor de sistema, não encontrei nele uma divergência declarada com ela.

Obras principais

  • “Arminius and the Reformation”, artigo na revista Church History (1961).
  • The Communist Encounter (1963, segundo listagens de livreiros).
  • Arminius: A Study in the Dutch Reformation (Abingdon, 1971; edição revista em 1985; reedição pela Wipf and Stock, 1998).
  • Our Roots of Belief: Biblical Faith and Faithful Theology (Beacon Hill Press, 1981), baseado nas Conferências Wiley de 1977.
  • Phineas F. Bresee: His Life in Methodism, the Holiness Movement, and the Church of the Nazarene (Beacon Hill Press, 1995), depois resumido em Phineas Bresee: Pastor to the People, edição de Stan Ingersol.

Livros em português

  • Armínio: um estudo da Reforma Holandesa (Reflexão, 2015), tradução de Arminius: A Study in the Dutch Reformation. Ver na Amazon · Ver na Shopee

Até onde pude verificar, as outras obras dele não têm tradução para o português. Para ver o contexto da graça dentro do arminianismo, vale ler também a nossa Soteriologia Arminiana.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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