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Daniel Whedon: o editor metodista que respondeu a Jonathan Edwards sobre o livre-arbítrio
Em 1864, no meio da Guerra Civil americana, um editor de revista metodista publicou um livro para responder ponto por ponto a Jonathan Edwards, o maior nome da teologia calvinista na América do século 18. O livro se chamava The Freedom of the Will as a Basis of Human Responsibility and Divine Government (A liberdade da vontade como base da responsabilidade humana e do governo divino). O editor era Daniel Whedon, e a revista era a Methodist Quarterly Review, que ele dirigia desde 1856.
Vida
Daniel Denison Whedon nasceu em Onondaga, no estado de Nova York, em 20 de março de 1808. Formou-se no Hamilton College em 1828, estudou direito por um ano em Rochester e depois deu aulas no Seminário de Cazenóvia. Em 1831 voltou a Hamilton como tutor e, em 1833, tornou-se professor de línguas na Universidade Wesleyan, em Connecticut. No ano seguinte entrou para a Conferência de Nova York da Igreja Metodista Episcopal.
Em 1842 foi transferido para a Conferência de Troy e, em 1843, serviu como pastor em Pittsfield, Massachusetts. Em 1845 assumiu a cadeira de retórica na Universidade de Michigan. Em 1855 pastoreou a igreja de Jamaica, em Long Island, e em 1856 passou a editar a Methodist Quarterly Review, função que manteve até 1884. Ele morreu em Atlantic Highlands, Nova Jersey, em 8 de junho de 1885.
A Cyclopedia de McClintock e Strong, publicada ainda em vida dele, o descreve como um escritor de estilo incisivo e vigoroso, muito forte na controvérsia, que escreveu bastante para a imprensa denominacional.
Pensamento
Whedon é wesleyano: um metodista que defendeu, com argumentos filosóficos e exegéticos, a posição arminiana contra o calvinismo. O motivo da classificação está no livro de 1864. A Sociedade de Arminianos Evangélicos o apresenta como figura central na disputa entre calvinismo e arminianismo na América do século 19.
O alvo de Whedon era a ideia de que a vontade humana é sempre determinada por uma causa anterior, como defendia Edwards. Para ele, a vontade livre é uma causa que age sem ser causada por outra coisa. Por isso, a pessoa pode escolher diferente do que escolheu, e daí vem a responsabilidade moral: quem não podia agir de outro modo não pode ser culpado de verdade. Um resumo moderno do livro, de John Wagner, o editor da reedição, destaca ainda o argumento de que, se Deus determinasse tudo, ele seria o autor do pecado.
Outro ponto do livro é a presciência, que quer dizer o conhecimento antecipado que Deus tem do futuro. Whedon sustenta que Deus conhece de antemão os atos livres sem causá-los, e que a presciência e a liberdade são compatíveis. Esse é o mesmo raciocínio que usamos ao falar de eleição condicional, a ideia de que Deus elege com base na fé que ele conhece de antemão.
Na nossa declaração de fé, essa defesa da liberdade combina com a graça preveniente (a graça que age antes da nossa resposta e nos capacita a responder), com a graça resistível e com a expiação para todos. Sobre a inteira santificação e a perseverança condicional, que também aparecem na declaração, não encontrei nas fontes consultadas um resumo preciso do ensino dele, e por isso não atribuo nada além do que está documentado.
Para ver os temas em torno dele, leia a biografia de John Wesley, a de Adam Clarke, a de Abel Stevens, historiador metodista, a de John Miley, a de Daniel Steele e a de Jacó Armínio. Sobre a doutrina, veja A Soberania de Deus e o Livre-Arbítrio Humano, Presciência, Eleição e Predestinação e Soteriologia Arminiana.
Obras principais
- The Freedom of the Will as a Basis of Human Responsibility and Divine Government (1864), também chamado Treatise on the Will na Cyclopedia de McClintock e Strong.
- Commentary on the New Testament (cinco volumes, publicados entre 1860 e 1880 segundo a Cyclopedia; vendedores atuais datam os volumes entre 1874 e 1880, e as fontes divergem).
- Commentary on the Old and New Testaments, a coleção de 14 volumes que reúne o comentário dele ao Novo Testamento e os volumes do Antigo Testamento, que ele editou e que foram escritos por outros autores. Uma listagem do Internet Archive cita Daniel Steele entre eles.
- Artigos e resenhas na Methodist Quarterly Review (1856-1884), onde foi editor.
Livros em português
Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português. Quem lê inglês encontra o Freedom of the Will na edição organizada por John Wagner (A Wesleyan Response to Jonathan Edwards) e o comentário em edições digitais.
Para aprofundar
- Whedon, Daniel Denison, D.D., LL.D., Cyclopedia de McClintock e Strong (1880).
- Daniel Whedon’s Commentary on the Bible, Society of Evangelical Arminians.
- Daniel Whedon, resenha da reedição de Freedom of the Will, Examining Calvinism.
- Whedon’s Commentary on the Old and New Testaments, Logos.
Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.
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