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Daniel Steele: o primeiro chanceler de Syracuse que virou voz da santidade metodista
Daniel Steele chegou a ser o primeiro chanceler interino da Universidade de Syracuse, no estado de Nova York, e mesmo assim os livros dele são lidos hoje por outro motivo: ele defendia que o coração do cristão pode ser purificado pela graça de Deus ainda nesta vida. Era um professor de grego e de filosofia que preferiu voltar para o púlpito, e foi dali que escreveu boa parte do que deixou.
Vida
Steele nasceu em 1824, no estado de Nova York, e morreu em 1914. As fontes divergem quanto ao município de nascimento e ao dia da morte, por isso deixo esses dois detalhes de fora. Estudou na Wesleyan University, em Connecticut, onde recebeu o bacharelado em 1848, o mestrado em 1851 e o doutorado em divindade em 1868. Foi tutor lá por dois anos e, segundo a biografia reunida por Craig L. Adams, entrou na Conferência da Nova Inglaterra da Igreja Metodista Episcopal em 1849. Pastoreou igrejas em Massachusetts até 1862.
Nesse ano passou para a sala de aula, como professor de línguas antigas no Genesee College, em Lima, Nova York, e depois foi reitor interino da instituição, de 1869 a 1871. Quando o Genesee foi incorporado à Universidade de Syracuse, em 1871, ele foi para lá como professor de filosofia mental e moral, vice-presidente da faculdade e primeiro chanceler interino da universidade. Ficou pouco tempo: deixou Syracuse e voltou ao pastorado na Nova Inglaterra. Em 1886 foi chamado para a Universidade de Boston como professor de teologia doutrinária, e a última publicação dele aparece em 1911.
Há um episódio pessoal que explica os livros. O próprio Steele escreveu que era metodista de berço quanto à doutrina da perfeição cristã, mas que durante anos a entendeu como um crescimento lento. Por volta de 1870 passou a buscá-la como uma bênção definida, recebida de uma vez, e foi essa experiência que o levou a escrever sobre o assunto.
Pensamento
Classe: wesleyano, na tradição da santidade. Steele foi ministro e professor da Igreja Metodista Episcopal e é descrito como defensor dos ensinos de John Wesley e de John Fletcher. Ele não precisou se declarar “arminiano”, porque o metodismo que ele defendia já é a vertente do arminianismo de Wesley, com a graça que vem antes da decisão e a salvação oferecida a todos.
O tema central dele é a inteira santificação, que Wesley chamava de perfeição cristã: a ideia de que Deus, depois da conversão, pode purificar o coração e enchê-lo de amor a Deus e ao próximo. Para Steele isso não era perfeição de conhecimento nem de acertos, e sim um coração inteiramente entregue. Nossa declaração de fé afirma o mesmo, uma obra posterior à regeneração e recebida pela fé, de modo que aqui caminhamos juntos com ele. Sobre como esse movimento nasceu e se espalhou, vale ler Metodistas e Holiness: como a santidade foi vivida, Perfeição cristã: movimento Holiness e Igreja do Nazareno e Movimento de Santidade: autores que moldaram a vida superior, que cita o nome dele.
Como especialista em grego, Steele leu o Novo Testamento com atenção aos tempos verbais. Em Milestone Papers há um capítulo sobre o tempo aoristo, que descreve uma ação vista como um todo, e ele o usa para argumentar que vários textos de santificação falam de uma entrega decisiva, e não só de um processo gradual. É um argumento técnico, que continua em discussão entre os exegetas, e nós o apresentamos como a leitura dele.
Steele também escreveu contra o que chamava de antinomianismo, a ideia de que a lei de Deus já não molda a vida do crente. Em Antinomianism Revived ele criticou os Irmãos de Plymouth, e Henry Ironside, escritor ligado a esse grupo, conta que Steele não aceitava a doutrina da segurança eterna deles. Esse é o ponto em que vemos o arminiano com mais clareza: perseverar na fé e na obediência faz parte da vida cristã. Segundo Adams, ele era ainda pós-milenista e fazia oposição ao dispensacionalismo. Sobre esse debate, o texto Dispensacionalismo e Teologia do Pacto: 10 contrastes ajuda.
Onde ele e nós divergimos? Em quase nada de fundo. A diferença maior está no peso que o movimento de santidade do século dezenove dava a uma experiência datada, e nós preferimos manter junto o que é crise e o que é crescimento, como Mildred Wynkoop e H. Orton Wiley fizeram depois dele.
Obras principais
- Love Enthroned: Essays on Evangelical Perfection (1875, revisto em 1908)
- Milestone Papers (1878)
- A Substitute for Holiness, or Antinomianism Revived (1887)
- A Defense of Christian Perfection (1896)
Ele escreveu ainda comentários e estudos como Half-Hours with St. Paul, The Gospel of the Comforter, Jesus Exultant e Half-Hours with St. John’s Epistles, além de revisar o compêndio teológico de Binney. As fontes divergem quanto aos anos de publicação desses títulos, por isso não os datei.
Livros em português
Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português. A Biblioteca Digital Mundial da Santidade lista as obras dele apenas em inglês.
Para ler na nossa língua os autores que ele defendia, veja John Wesley e Adam Clarke, e acompanhe a tradição que veio depois dele em Francis Asbury e E. M. Bounds. Para o contexto do movimento, há o texto sobre os acampamentos de avivamento.
Para aprofundar
- Craig L. Adams, The Life and Writings of Daniel Steele, Commonplace Holiness.
- Wikipédia, Daniel Steele, com bibliografia.
- World Holiness Digital Library, Daniel Steele.
- BrethrenPedia, Daniel Steele, com o relato de Henry Ironside sobre a crítica aos Irmãos.
- Syracuse University Archives, Daniel Steele Papers.
Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.
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