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HistóriaArminianismo12 de 24

Jacó Armínio: o pastor de Amsterdã que deu nome ao arminianismo

Diego Gonçalves4 min de leitura872 palavras

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Neste texto

Em 30 de outubro de 1608, um professor de Leiden já doente se levantou diante dos Estados da Holanda para explicar, em público, o que realmente pensava sobre a predestinação. Havia anos que corriam boatos sobre ele, e muitos acusavam-no de ensinar o que não ensinava. Jacó Armínio morreria menos de um ano depois, e o movimento que herdou o seu nome acabaria condenado num sínodo que ele não chegou a ver.

Retrato de Jacó Armínio
Retrato de Jacó Armínio por David Bailly, por volta de 1620. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Vida

Jacó Armínio (em latim, Jacobus Arminius; em holandês, Jakob Hermanszoon) nasceu em Oudewater, nos Países Baixos, em 10 de outubro de 1560, embora algumas fontes falem em 1559. Estudou teologia na Universidade de Leiden de 1576 a 1582 e depois em Genebra, com Teodoro de Beza, sucessor de Calvino. Passou também por Basileia, onde recusou um doutorado por se considerar jovem demais.

Em 1587 começou a pregar como pastor em Amsterdã e foi ordenado em 1588. Casou-se em 1590 com Lijsbet Reael, filha de um comerciante da cidade, e o casal teve doze filhos, dos quais três morreram na infância. Em 1602, durante uma epidemia de peste, atuou entre os doentes da cidade.

Os sermões sobre Romanos 7 e Romanos 9 despertaram controvérsia ainda em Amsterdã. Em 1603 ele foi chamado para ensinar teologia em Leiden. A partir de 1604, o professor Franciscus Gomarus, defensor de uma forma rigorosa de predestinação, passou a confrontá-lo em público. A disputa chegou aos Estados da Holanda, que pediram aos dois que se tolerassem, sem resultado. Armínio morreu em Leiden em 19 de outubro de 1609.

Pensamento

Armínio é o arminiano clássico por definição: o nome do movimento vem dele. Ele se considerava um teólogo reformado e nunca quis romper com a igreja holandesa. O que pedia era uma revisão da doutrina da predestinação, que lhe parecia pôr em Deus a origem do pecado e tornar vazios os apelos do Evangelho.

Em lugar disso, ele ensinava:

  • Graça preveniente: a graça de Deus vem antes de qualquer resposta nossa e é dada a todos, de modo que ninguém consegue crer sem ela, mas todos podem recebê-la.
  • Eleição condicional: Deus elege em Cristo os que, pela graça, creem, conhecendo de antemão quem responderá com fé. A escolha de Deus não é arbitrária.
  • Expiação para todos: Cristo morreu por todos, e a salvação está oferecida a todos.
  • Graça resistível: a graça atua de verdade, mas a pessoa pode rejeitá-la.
  • Perseverança: o crente é guardado por Cristo. Na exposição de 1608, porém, Armínio disse que a questão de saber se um crente pode abandonar a fé exigia estudo mais cuidadoso das Escrituras. Foram os seus seguidores que fixaram a posição de que a perseverança é condicional.

Os cinco pontos dos remonstrantes, apresentados em 1610 pelos seguidores dele, depois da sua morte, traduziram essas ideias em artigos. Entre 1618 e 1619, o Sínodo de Dort condenou o movimento e formulou, como resposta, os chamados cinco pontos do calvinismo.

Nossa declaração de fé aqui no blog segue o mesmo caminho em quase tudo: graça preveniente, expiação universal e perseverança condicional. O ponto em que vamos além dele é a inteira santificação, doutrina que vem de Wesley e que Armínio não ensinou. Sobre esse ponto, veja a biografia de John Wesley.

Para ver como esses temas são tratados no site, leia Soteriologia Arminiana, Arminianismo: Expiação para Todos, Arminianismo: É Tudo Sobre a Graça, Presciência, Eleição e Predestinação e Arminianismo: A Segurança da Salvação.

Obras principais

  • Exposição perante os Estados da Holanda (1608), conhecida como Declaração de sentimentos.
  • Opera Theologica, reunião de seus escritos em latim (Leiden, 1629).
  • The Works of James Arminius, tradução inglesa em três volumes, de James Nichols e W. R. Bagnall (1853).

Livros em português

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.