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HistóriaArminianismo3 de 46

Silas Daniel: o jornalista da CPAD que escreveu a defesa do arminianismo assembleiano

Diego Gonçalves5 min de leitura1.092 palavras

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Neste texto

Quando uma parte dos jovens das Assembleias de Deus começou a se aproximar do calvinismo, um jornalista da própria editora da denominação resolveu responder por escrito. Silas Daniel publicou na revista Obreiro o artigo “Em defesa do arminianismo”, o debate cresceu, e dele saiu em 2017 um livro inteiro sobre o assunto. Ele conta que o texto foi uma iniciativa pessoal, aprovada pela CPAD.

Vida

Silas Daniel da Silva nasceu em lar evangélico e se converteu aos 9 anos, depois que o pai explicou o plano de salvação a ele e aos dois irmãos. Em entrevista, diz ser a terceira geração de pastores assembleianos da família. Foi consagrado diácono aos 18 anos, presbítero aos 20, evangelista aos 23 e pastor aos 27.

Estudou jornalismo (bacharelado na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro) e teologia, e estava cursando direito quando deu as entrevistas que consultamos. As datas de nascimento e de ordenação em calendário não aparecem nas fontes que encontrei, e por isso ficam de fora.

Na área profissional, trabalha na CPAD, a casa publicadora das Assembleias de Deus, onde chefia o Departamento de Jornalismo. Em 2017 contava 19 anos de casa. Foi editor da revista Pentecostes, da revista teológica Obreiro, da revista de apologética Resposta Fiel e do jornal Mensageiro da Paz, e foi repórter do programa Movimento Pentecostal, na RedeTV. Serve também como pastor-auxiliar na Assembleia de Deus de Artur Rios, em Campo Grande, no Rio de Janeiro.

Pensamento

Classe: pentecostal arminiano. Aqui não precisamos deduzir nada pela tradição dele. Em entrevista, Silas se diz “arminiano convicto” e afirma que o arminianismo “faz parte de nossa identidade”, por ser, segundo ele, a posição histórica das Assembleias de Deus. Defende que essa posição seja a oficial da denominação e que os ministros subscrevam a Declaração de Fé.

Algumas ideias aparecem com frequência na obra e nas entrevistas dele:

  • Salvação para todos. A graça de Deus alcança todas as pessoas, e cada uma responde a ela. É o que o arminianismo chama de eleição condicional: Deus escolhe os que creem, em vez de escolher alguns antes de qualquer fé.
  • Mecânica da salvação. O subtítulo do livro de 2017 mostra o interesse dele: a ordem em que Deus age e o ser humano responde. Para Silas, o ponto de divergência com o calvinismo está aí, e não no centro do evangelho.
  • Tom conciliador. Ele distingue o calvinismo compatibilista do fatalista. O primeiro, diz, honra a Deus como o arminianismo, embora o considere “apenas um erro teológico” sobre a mecânica da salvação. Rejeita uma “caça às bruxas” contra quem tem convicções calvinistas, mas defende que obreiros e professores não façam proselitismo calvinista em púlpitos e salas de aula da denominação.
  • Batismo no Espírito. Como assembleiano, defende o batismo no Espírito Santo com as línguas como sua evidência, tema de um livro dele.

Em relação à declaração de fé do Diego, a salvação para todos e a ênfase na Escritura se aproximam, e o ponto de contato é grande. A diferença está na experiência do Espírito depois da conversão: Silas segue a tradição pentecostal, com as línguas como evidência, enquanto a declaração do Diego fala em inteira santificação, sem as línguas como sinal necessário. Os textos sobre Assembleia de Deus e Igreja Batista e sobre calvinismo e arminianismo ajudam a situar a conversa. Sobre a perseverança, veja a segurança da salvação; não encontrei uma declaração dele sobre esse ponto específico.

O debate gerou réplicas. O pastor calvinista Franklin Ferreira respondeu ao artigo, entre outras coisas, por considerar anacrônico ler a história da Igreja pelos “cinco pontos”, e depois Silas escreveu uma série de respostas na coluna dele no CPADNews. Essa série é a origem do livro.

Outros nomes da mesma tradição aparecem na série: Antonio Gilberto, o professor de Escola Dominical, e Daniel Berg, um dos pioneiros da Assembleia de Deus no Brasil. A herança mais ampla vem de Jacó Armínio e de John Wesley.

Obras principais

  • O filho pródigo (1997), comentário devocional publicado de forma independente.
  • Reflexões sobre a alma e o tempo: uma teologia de chronos e kairós (2001, CPAD).
  • História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (2004, CPAD), sobre a convenção que reúne os ministros da denominação.
  • Habacuque: a vitória da fé em meio ao caos (2005, CPAD).
  • Como vencer a frustração espiritual (2006, CPAD).
  • A sedução das novas teologias (CPAD), que recebeu o Prêmio Areté de 2008 como obra de apologética.
  • Arminianismo: a mecânica da salvação (2017, CPAD).
  • O batismo no Espírito e as línguas como sua evidência (CPAD).

Livros em português

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.

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