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HistóriaArminianismo7 de 24

Thomas Coke: o pai das missões metodistas que morreu a caminho da Índia

Diego Gonçalves5 min de leitura1.001 palavras

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Neste texto

Em 30 de dezembro de 1813, Thomas Coke embarcou na Inglaterra rumo ao Ceilão, hoje Sri Lanka, com um grupo de missionários. Tinha 66 anos e pagou a viagem do próprio bolso. Queria abrir uma missão metodista na Índia. Não chegou: morreu em maio de 1814, a bordo, no oceano Índico. As fontes divergem quanto ao dia (aparecem 2, 3 e 12 de maio), e a causa provável foi um derrame.

Retrato de Thomas Coke
Retrato de Thomas Coke, autor desconhecido, da época dele. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Vida

Coke nasceu em 9 de setembro de 1747, em Brecon, no País de Gales, filho de um boticário de posses. Estudou em Jesus College, em Oxford, onde se formou em direito civil (doutorado em 1775). Em Brecon foi até prefeito, em 1772, e nesse mesmo ano foi ordenado na Igreja da Inglaterra. Serviu como cura, isto é, auxiliar de paróquia, em Road e depois em South Petherton, em Somerset.

Ali ele começou a fazer cultos em casas e ao ar livre, ao estilo dos metodistas. Conheceu John Wesley em agosto de 1776. No domingo de Páscoa de 1777, o pároco o dispensou por causa dessas simpatias metodistas. Coke não voltou atrás: virou o braço direito de Wesley. Em 1780 foi superintendente do circuito de Londres, e em 1782 presidiu a conferência metodista da Irlanda.

O passo mais conhecido veio em 1784. Com os Estados Unidos já independentes e sem clero anglicano para os metodistas americanos, Wesley ordenou Coke superintendente e o mandou para lá. Em dezembro, no Christmas Conference, em Baltimore, Coke convocou o encontro que organizou a Igreja Metodista Episcopal e ordenou Francis Asbury como co-superintendente. O título de bispo passou a ser usado depois, e Wesley o criticou. Coke voltou aos Estados Unidos várias vezes, e a última visita foi em 1803.

Em 1785, ele e Asbury fizeram campanha contra a escravidão, ameaçaram de exclusão os metodistas que tivessem escravos e levaram uma petição antiescravagista a George Washington.

A missão virou a paixão da vida dele. Em 1786, a caminho da Nova Escócia, uma tempestade o jogou em Antigua, no Caribe, e dali ele passou a cuidar das ilhas inglesas da região. Em 1790 chefiou o primeiro comitê missionário metodista. A partir de 1792 enviou missionários a várias ilhas do Caribe, a Serra Leoa, à Nova Escócia, à Irlanda e à França. Em 1799 mandou pregadores para falar em irlandês na Irlanda, e em 1800 foi o grande responsável por levar o metodismo wesleyano ao País de Gales, em galês. Durante as guerras napoleônicas, organizou o trabalho entre os prisioneiros de guerra franceses na Inglaterra. Por isso o chamam de “pai das missões metodistas”. Ele mesmo dizia que ia de porta em porta pedir ajuda para os missionários, e doou a fortuna da família à causa.

Depois da morte de Wesley, em 1791, Coke foi secretário e, mais tarde, presidente da Conferência britânica, em 1797 e em 1805. Casou-se duas vezes e enviuvou duas vezes, em 1811 e 1812.

Pensamento

Coke é wesleyano: pastor, administrador e missionário do metodismo de Wesley, cuja teologia é arminiana. Não encontrei tratado doutrinário dele sobre a eleição e a graça, e por isso não vou lhe atribuir frases que as fontes não trazem. O que elas mostram é um homem que trabalhou a vida inteira dentro do movimento wesleyano, ensinando e pregando o que Wesley ensinava: Cristo morreu por todos, e a graça de Deus alcança todos, o contrário da eleição incondicional dos calvinistas. Um dos escritos dele, os Six Letters in Defence of the Doctrine of Justification by Faith, trata da justificação pela fé, ou seja, de como Deus declara justo quem confia em Cristo.

O próprio impulso missionário dele nasce dessa convicção. Se o convite do evangelho é para todos, a igreja precisa levá-lo a todos, do Caribe a Serra Leoa e à Índia. Nossa declaração de fé aponta na mesma direção: expiação para todos, graça preveniente (a graça de Deus que vem antes da nossa resposta), perseverança condicional e inteira santificação. Onde não temos texto de Coke tratando do ponto, ficamos com o que as fontes registram.

Para a diferença entre o arminianismo de Armínio e o de Wesley, veja Soteriologia Arminiana, o quadrilátero wesleyano e a biografia de Jacó Armínio. Para o contexto do movimento, leia a conversão de John Wesley, a biografia de Charles Wesley, a de John Fletcher, a de Adam Clarke e a do historiador Abel Stevens.

Obras principais

  • An Address to the Pious and Benevolent, Proposing an Annual Subscription for the Support of Missionaries (1786), considerado o primeiro panfleto missionário metodista.
  • Colaboração na Life of Wesley (1792), de Henry Moore.
  • A Commentary on the Holy Bible, comentário bíblico publicado entre 1801 e 1807.
  • A History of the West Indies, três volumes (1808 a 1811).
  • Six Letters in Defence of the Doctrine of Justification by Faith, Four Discourses on the Duties of a Minister e Preacher’s Manual (não encontrei o ano de publicação nas fontes).

Livros em português

Até onde pude verificar, ainda não há livros dele traduzidos para o português.

Para aprofundar

Este texto faz parte da série sobre os teólogos arminianos.